Matrix Resurrections

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Matrix Resurrections: Uma Ode Melancólica à Nostalgia, ou uma Traição à Lenda?

Quatro anos se passaram desde que Neo voltou a encarar a escolha, a pílula azul ou a vermelha, na tela grande. Em 2021, Matrix Resurrections chegou aos cinemas brasileiros em 22 de dezembro, prometendo reviver a magia da trilogia original, e, bem, isso é onde as coisas ficam complicadas. O filme nos apresenta novamente a Thomas Anderson, um homem preso em uma realidade simulada que, descobrimos, é a Matrix, mais poderosa e sofisticada do que nunca. A sinopse, sem spoilers, é simples: Neo precisa, mais uma vez, lidar com a escolha entre a realidade simulada e a verdade por trás dela. É uma jornada de autodescoberta em um mundo cyberpunk, onde a linha entre o real e o virtual se esvai com uma sutileza assustadora.

Lana Wachowski, a única cineasta envolvida na direção desta quarta parte (e também responsável pelo roteiro com David Mitchell e Aleksandar Hemon), optou por uma abordagem ousada, quase meta-cinematográfica. A diretora, com sua sensibilidade única, busca um diálogo direto com a audiência, refletindo sobre a própria herança da franquia. É um filme sobre a memória, sobre o legado e, acima de tudo, sobre o peso da nostalgia. As atuações são, em sua maioria, impecáveis. Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss estão, novamente, impecáveis como Neo e Trinity, carregando nas costas a responsabilidade de reviver personagens icônicos, com uma química inegável que transcende o tempo. Yahya Abdul-Mateen II e Jonathan Groff, nos papéis de Morpheus e Smith, respectivamente, embora arriscados, geram interpretações interessantes que subvertem, e até mesmo complementam, as versões clássicas. No entanto, é inevitável sentir que esses personagens servem mais à narrativa de Lana do que a uma história propriamente dita, criando um certo desequilíbrio.

O roteiro, por outro lado, é onde o filme demonstra suas maiores fragilidades. Há momentos de genialidade, momentos de pura poesia visual, que carregam a marca registrada de Lana Wachowski, mas a trama, em sua totalidade, parece demasiadamente preocupada em comentar a própria existência. A narrativa, ao invés de se concentrar no desenvolvimento de um novo conflito, prefere mergulhar profundamente na análise da recepção crítica e do impacto cultural da trilogia original. Em algumas ocasiões, essa autoconsciência é brilhante, resultando em cenas memoráveis e carregadas de significado; outras vezes, ela é cansativa e até mesmo autoindulgente. A decisão de revisitar os temas de escolha, livre-arbítrio e realidade simulada, ao mesmo tempo em que explora novos aspectos, gerou uma experiência divisiva para a crítica e o público em 2021. Muitos criticaram a abordagem pretensiosa e auto-referencial, enquanto outros celebraram sua audácia.

Atributo Detalhe
Diretora Lana Wachowski
Roteiristas David Mitchell, Lana Wachowski, Aleksandar Hemon
Produtores James McTeigue, Lana Wachowski, Grant Hill
Elenco Principal Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Yahya Abdul-Mateen II, Jonathan Groff, Jessica Henwick
Gênero Ficção científica, Ação, Aventura
Ano de Lançamento 2021
Produtoras Warner Bros. Pictures, Village Roadshow Pictures, Venus Castina Productions

Em termos de pontos fortes, a estética visual continua sendo um trunfo. As sequências de ação são impactantes, criativas e, mais uma vez, inovadoras para o gênero. A trilha sonora, embora não tão memorável quanto a original, complementa bem as imagens, criando uma atmosfera que consegue ser ao mesmo tempo nostálgica e moderna. A abordagem meta, embora problemática, é também audaciosa e original, resultando em momentos memoráveis de autocrítica e reflexividade. Como fraquezas, cito o roteiro fragmentado e a sensação, em determinados momentos, de que o filme se perde em sua própria filosofia. A dependência da nostalgia também se torna um obstáculo, criando uma narrativa que não se sustenta por si só, recorrendo muitas vezes à recontextualização dos momentos icônicos do passado.

A mensagem principal, ao meu ver, vai além da temática cyberpunk, abraçando uma reflexão profunda sobre a natureza da realidade, a importância da escolha individual e a busca pela verdade. O filme explora nuances de gnosticismo e aborda, sem disfarçar, o debate sobre a criação e o poder. É um filme que se preocupa com a própria história, com sua posição no cânone da cultura popular. O que torna Resurrections tão intrigante é justamente essa ambivalência: a ousadia de arriscar em um terreno tão delicado, mesmo que resulte em tropeços.

Em 2025, olhando retrospectivamente, acredito que Matrix Resurrections é um filme que divide opiniões, mas não deixa indiferente. É um filme que precisa ser visto e analisado com atenção, avaliando-se as intenções da diretora, sua arte e a complexa relação entre o filme e seus espectadores. Recomendo a obra aos fãs da franquia, mas com a advertência de que esta não é uma continuação tradicional. Trata-se de uma obra de arte que exige paciência e aceitação da proposta narrativa, uma conversa mais do que uma batalha. Se você procura uma aventura explosiva e sem preocupações filosóficas, talvez não seja a melhor escolha. Mas se você deseja um filme que o instigue a pensar, um filme sobre a própria natureza da arte e da realidade, Matrix Resurrections é uma experiência que vale a pena ser vivenciada, em suas plataformas de streaming disponíveis.

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