Maze Runner: Prova de Fogo

Maze Runner: Prova de Fogo – Dez anos depois, uma jornada que ainda queima

Dez anos se passaram desde que a aventura de Thomas e seus companheiros escapando do Labirinto invadiu as telas. Em 2015, Maze Runner: Prova de Fogo chegou aos cinemas brasileiros em 17 de setembro, e, analisando-o hoje, em 2025, a pergunta que fica é: envelheceu bem? A resposta, como a maioria das coisas na vida, é complexa.

O filme, para quem não conhece, continua a saga de Thomas e seus amigos que, após o sucesso na fuga do labirinto, descobrem uma realidade ainda mais brutal e desoladora. A superfície da Terra é um deserto inóspito, assolado por uma doença que transforma os sobreviventes em criaturas horríveis chamadas Cranks. A perseguição implacável à sobrevivência torna-se a única certeza em meio a essa paisagem apocalíptica.

A direção de Wes Ball, que já havia estabelecido uma estética visualmente marcante no primeiro filme, continua a impressionar. A expansão do cenário, que sai da claustrofobia do Labirinto para a vastidão desolada do mundo pós-apocalíptico, é um triunfo técnico. A fotografia, as paisagens áridas e as sequências de ação mantêm o ritmo acelerado que a franquia estabeleceu, apesar de algumas escolhas que, retrospectivamente, parecem um pouco exageradas, como certas tomadas mais “estilísticas” do que eficazes em mostrar a narrativa.

Atributo Detalhe
Diretor Wes Ball
Roteirista T.S. Nowlin
Produtores Ellen Goldsmith-Vein, Wyck Godfrey, Lee Stollman, Marty Bowen, Joe Hartwick Jr.
Elenco Principal Dylan O'Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster, Giancarlo Esposito, Ki Hong Lee
Gênero Ficção científica, Ação, Thriller, Aventura
Ano de Lançamento 2015
Produtoras Temple Hill Entertainment, The Gotham Group, TSG Entertainment, 20th Century Fox

O roteiro de T.S. Nowlin, entretanto, é onde o filme mostra algumas de suas maiores falhas. Comparado ao enredo mais contido do primeiro filme, “Prova de Fogo” se sente um pouco apressado, jogando muitos elementos na trama sem tempo suficiente para explorá-los adequadamente. A complexidade da organização WICKED, a ameaça dos Cranks, a busca por um antídoto – tudo acontece numa correria frenética que, em alguns momentos, prejudica a coesão narrativa. A promessa de respostas que a sinopse traz não se concretiza totalmente, deixando alguns fios soltos que só seriam (ou não) resolvidos nos filmes posteriores.

O elenco, felizmente, se mantém consistente. Dylan O”Brien como Thomas continua carismático e convincente, ancorando o filme com sua interpretação, e o suporte do grupo, com atuações sólidas de Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster e Ki Hong Lee, garante a química e a dinâmica do grupo original. Giancarlo Esposito adiciona uma dimensão interessante ao elenco como Jorge, dando mais profundidade à trama.

Os pontos fortes de “Prova de Fogo” são inegáveis: a ação frenética, a fotografia impressionante e a performance do elenco principal. O filme é uma montanha-russa de adrenalina, com momentos genuinamente tensos e emocionantes. No entanto, a trama apressada e a falta de profundidade em alguns dos seus arcos narrativos impedem que ele alcance a excelência do primeiro filme. A construção do mundo pós-apocalíptico, embora visualmente deslumbrante, peca pela falta de uma exploração mais aprofundada das implicações daquela sociedade em ruínas.

O filme explora temas de resistência, sobrevivência e a natureza da verdade, elementos recorrentes no gênero de ficção distópica para jovens adultos, mas que não são explorados com a sutileza ou a profundidade que poderiam merecer. Há momentos de grande dramaticidade, mas faltam reflexões mais complexas sobre os dilemas morais apresentados.

Em resumo, Maze Runner: Prova de Fogo é um filme de ação que diverte, mas não atinge o mesmo nível do seu predecessor. É um entretenimento razoável, digno de uma sessão na televisão ou em uma plataforma digital em um dia chuvoso. Para os fãs do primeiro filme, a experiência é obrigatória, mas a recomendação para o público em geral é mais cautelosa: vá com expectativas moderadas, e apenas se você gostar de filmes de ação com uma dose significativa de corrida contra o tempo. A conclusão do filme deixa a sensação de que alguns caminhos narrativos foram mais explorados do que outros, um problema comum no desenvolvimento de adaptações cinematográficas. Se a obra original é superior ao filme, isso é algo que fica a cargo de cada um descobrir.

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