McWalter: Espionagem Absurda, Risadas Garantidas (ou quase…)
14 de setembro de 2025. Acabei de sair da sessão de McWalter, e preciso confessar: estou dividido. Esperava uma comédia de espionagem frenética ao estilo Austin Powers, mas o que encontrei foi algo… diferente. Bem diferente. A sinopse já entrega: McWalter, um agente secreto americano lendário (ou pelo menos ele acredita ser), é acusado de crimes globais e precisa fugir para limpar seu nome. E é nessa fuga que a trama se desenrola, com uma conspiração internacional e muito, muito humor – nem sempre certeiro, devo admitir.
Yvick Letexier, no papel principal, carrega o filme nas costas. Sua interpretação de McWalter é uma mistura deliciosa de arrogância e incompetência, uma receita que, em alguns momentos, funciona maravilhosamente bem. Ele consegue nos fazer rir mesmo quando suas ações são completamente absurdas, o que é um feito considerável. Géraldine Nakache, como Miranda, e William Lebghil, como Bullox, oferecem um bom contraponto, embora seus personagens se percam um pouco na loucura generalizada. Vincent Dedienne e François Berléand cumprem seus papéis com competência, mas seus personagens são, digamos, um pouco menos memoráveis.
A direção de Simon Astier é, em sua essência, eficiente. Ele equilibra as sequências de ação – bem filmadas, devo dizer – com o humor frenético dos diálogos. O problema reside na própria escrita. O roteiro, assinado por Yvick Letexier, Vincent Tirel, Freddy Gladieux e o próprio Simon Astier, tem momentos de puro gênio cômico, com piadas brilhantes e situações hilárias. Mas também há um número significativo de gags que caem no vazio, algumas até mesmo constrangedoras. A linha tênue entre o absurdo inteligente e o simplesmente bobo é constantemente testada, e, infelizmente, às vezes cruzada.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Simon Astier |
| Roteiristas | Yvick Letexier, Vincent Tirel, Freddy Gladieux, Simon Astier |
| Produtores | Benjamin Bellecour, Jean-Toussaint Bernard, Jonathan Cohen, Alexandra Monaury |
| Elenco Principal | Yvick Letexier, Géraldine Nakache, William Lebghil, Vincent Dedienne, François Berléand |
| Gênero | Ação, Aventura, Comédia |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtoras | Les films entre 2 et 4, Amazon Studios France, Nu Boyana Film Studios |
Os pontos fortes são indiscutíveis: a energia frenética do filme, o carisma de Letexier e algumas sequências de ação realmente bem coreografadas. A comédia, apesar de irregular, tem momentos de pura hilaridade que ficarão na memória. Por outro lado, a inconsistência do humor e o desenvolvimento um pouco superficial dos personagens secundários são pontos fracos que impedem McWalter de atingir seu potencial máximo. A trama, embora complexa em sua premissa, acaba se perdendo em suas próprias reviravoltas absurdas, sem construir uma tensão realmente palpável.
McWalter parece querer ser um comentário irônico sobre o gênero de espionagem, uma paródia ao estilo das obras clássicas, mas sem a finesse necessária. Ele flutua entre a sátira e a comédia pastelão, sem se decidir por um tom consistente. A mensagem, se existe alguma além do puro entretenimento, é um pouco vaga, talvez um questionamento sobre a natureza da verdade e a construção de narrativas. Mas essa mensagem fica submersa na avalanche de piadas, muitas das quais não funcionam.
Então, eu recomendo McWalter? Depende. Se você está procurando uma comédia de espionagem explosiva e sem compromisso com o bom gosto, que não se leva a sério, então, sim, provavelmente vai se divertir. Se você busca uma trama coesa e um humor consistente, talvez seja melhor procurar outro filme. Para mim, foi uma experiência de altos e baixos, uma montanha-russa de risos e suspiros. Mas, olhando para trás, as risadas pesaram mais. E, no final das contas, no mundo pós-pandêmico de 2025, quem precisa de perfeição? Um pouco de absurdo, às vezes, é exatamente o que a gente precisa. Só não espere um clássico instantâneo do cinema francês.




