Mortal

Olha, pessoal, vamos falar de Mortal, um drama britânico de 2017 que me pegou de surpresa – e isso não é algo que aconteça todo dia, acreditem. Descobri esse filme quase por acaso, navegando pelas profundezas obscuras do streaming, e posso dizer que foi uma grata descoberta, ainda que com suas imperfeições.

Mortal acompanha um grupo de jovens em Newcastle, Inglaterra, lutando contra as adversidades da vida em um contexto de realismo social cru e, às vezes, desconfortável. Não vou entregar nenhum spoiler, mas a trama se desenrola de forma gradual, explorando as complexas relações entre esses personagens e as pressões que a vida lhes impõe. A sinopse oficial vende um drama, e é exatamente isso que você obtém: um retrato realista, sem floreios, de uma realidade muitas vezes esquecida pelo cinema mainstream.

A direção de James A. Potts, que também assina o roteiro, é impecável na sua simplicidade. Ele não busca o espetáculo, a grandiosidade; pelo contrário, a câmera se torna uma observadora quase invisível, registrando as nuances das performances e a atmosfera densa de Newcastle. Não há grandes movimentos de câmera, não há artifícios visuais extravagantes. É uma direção quase minimalista, mas que funciona perfeitamente para o tom do filme. A escolha de locações, aliás, é magistral: Newcastle pulsa em cada frame, tornando-se quase um personagem coadjuvante, mas essencial para a narrativa.

As atuações são, sem dúvida, o ponto alto de Mortal. Dennise Clasper, como Mother, entrega uma performance visceral, que prende o espectador do início ao fim. A mesma força podemos ver nas atuações de Jonathan Iceton, Ryan Nolan, Kurtis Thompson e Arthur Thorpe, que compõem um grupo coerente, creível e profundamente humano. Não são apenas atores interpretando papéis; eles são aqueles personagens.

Atributo Detalhe
Diretor James A. Potts
Roteirista James A. Potts
Produtor Sarah Dunn
Elenco Principal Dennise Clasper, Jonathan Iceton, Ryan Nolan, Kurtis Thompson, Arthur Thorpe
Gênero Drama
Ano de Lançamento 2017

No entanto, Mortal não é perfeito. A trama, por vezes, se arrasta um pouco, e alguns diálogos poderiam ser mais concisos. Alguns espectadores podem achar a narrativa lenta demais, o que, confesso, não me incomodou, mas entendo que possa ser um ponto negativo para alguns. O final, embora coerente com o tom do filme, pode deixar um gostinho de “quero mais”, o que, em certos aspectos, pode ser interpretado como um elogio à profundidade dos personagens e da trama.

O filme, produzido por Sarah Dunn, aborda temas importantes como pobreza, violência, e a luta pela sobrevivência em um ambiente social desfavorável. A mensagem, embora não seja explicitamente declarada, é clara: a resiliência humana pode florescer mesmo nas condições mais adversas. Mortal, lançado em 2017, não alcançou o mesmo nível de reconhecimento da crítica que muitos outros filmes independentes, o que é uma pena, pois se trata de uma obra que merece ser vista e debatida. Em 2025, analisando a obra com o distanciamento temporal, percebo a sua relevância continua atemporal, e a ausência de uma grande repercussão na época em que foi lançado parece, ainda mais agora, um erro da crítica.

Em resumo, Mortal é uma pequena jóia escondida no vasto catálogo do streaming. Ele não é um filme para todos, mas para quem aprecia o realismo social, atuações potentes e uma narrativa que busca a profundidade em vez do espetáculo, esta é uma experiência cinematográfica imperdível. Se você gosta de filmes que te tocam, que te fazem refletir, e que te mostram a complexidade da vida, dê uma chance a Mortal. Você provavelmente não se arrependerá. Recomendo fortemente, especialmente para aqueles que buscam filmes independentes que se destacam pela sua força narrativa e interpretações excepcionais.

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