Mulheres do Século 20

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Mulheres do Século 20: Um retrato matizado da maternidade e da liberdade

Olha, vamos ser sinceros: já vi incontáveis filmes sobre a complexa relação mãe-filho, a busca pela identidade na juventude e as dores da transformação social. Mas Mulheres do Século 20, lançado em 2016 e que tive o prazer de rever recentemente (setembro de 2025), transcende a mesmice de muitos de seus contemporâneos. Ele não se limita a pintar um quadro idílico ou melodramático dessas experiências; ao contrário, apresenta uma paleta de tons sutis, matizada, que captura a riqueza e a contradição da vida de três mulheres em meio a efervescência dos anos 70 na Califórnia.

O longa acompanha Dorothea, uma mãe solo que luta para equilibrar a criação de seu filho adolescente, Jamie, com seus próprios anseios e a complexa relação com suas amigas, a livre Abbie, uma fotógrafa mergulhada na cena punk, e a jovem Julie, amiga de Jamie. O filme se concentra nos relacionamentos, nos laços familiares em constante mudança, e na busca por significado em um contexto de transformação social. Sem grandes reviravoltas, a narrativa se constrói em momentos cotidianos, diálogos carregados de emoção contida e uma estética visual que captura a nostalgia da era com maestria.

A direção e o roteiro de Mike Mills, ambos impecáveis, transmitem uma sensibilidade rara. Mills consegue criar uma atmosfera intimista e ao mesmo tempo expansiva, refletindo a própria jornada de autodescoberta das personagens. Não é um filme que grita, que impõe mensagens, mas que sussurra, que insinua. As transições entre as diferentes linhas narrativas são delicadas, fluindo naturalmente e sem jamais se perderem. É uma sinfonia visual e sonora, que acompanha as transformações internas e externas das personagens.

Atributo Detalhe
Diretor Mike Mills
Roteirista Mike Mills
Produtores Anne Carey, Megan Ellison, Youree Henley
Elenco Principal Annette Bening, Elle Fanning, Greta Gerwig, Billy Crudup, Lucas Jade Zumann
Gênero Drama
Ano de Lançamento 2016
Produtoras Annapurna Pictures, Archer Gray, Modern People

As atuações são soberbas. Annette Bening está magnífica como Dorothea, transmitindo a força e a fragilidade de uma mulher que busca se reinventar em meio às adversidades. Greta Gerwig e Elle Fanning, por sua vez, são igualmente brilhantes, representando com nuance as suas personagens complexas e rebeldes. Billy Crudup e Lucas Jade Zumann completam o elenco com atuações sólidas, construindo personagens que, apesar de serem menos exploradas, contribuem para a riqueza da narrativa.

Apesar de sua beleza, Mulheres do Século 20 não está livre de alguns pontos fracos. Para alguns, o ritmo lento e a falta de uma trama central mais definida podem ser considerados inconvenientes. Entretanto, eu discordo. Essa escolha estética é justamente o que permite a profundidade emocional da obra, permitindo que o espectador se conecte com a sutileza das emoções das personagens e a complexidade das relações humanas.

Os temas centrais do filme – maternidade, feminismo, a geração X, a busca pela identidade na adolescência – são explorados com sensibilidade e uma profundidade que raramente se vê no cinema contemporâneo. O filme não oferece respostas fáceis, mas sim provoca reflexões sobre a complexidade dessas questões. A relação de Dorothea com Jamie, por exemplo, foge do maniqueísmo comum, explorando com nuances a dinâmica entre mãe e filho em um período de transformações significativas. A cena na varanda, carregada de uma nostalgia melancólica, é emblemática dessa sensibilidade única.

Em resumo, Mulheres do Século 20 é um filme que me tocou profundamente. Ele não é um filme para quem busca entretenimento superficial; é para quem se interessa por uma experiência cinematográfica reflexiva, emocionante e, acima de tudo, humana. Considero-o uma obra-prima subestimada e a recomendo fortemente a todos que apreciam filmes que transcendem a mera narrativa, oferecendo, em vez disso, uma profunda imersão em temas complexos e personagens inesquecíveis. Se você busca um filme que ficará com você muito tempo depois dos créditos finais, procure Mulheres do Século 20 nas plataformas digitais; vale cada minuto.