Não Olhe para Cima

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Não Olhe para Cima: Uma Comédia Amarga que Ecoa na Eternidade

Quatro anos se passaram desde que assisti a Não Olhe para Cima, e a memória do filme continua vibrante, um eco insistente na minha mente. Não se trata apenas de uma comédia satírica, mas de uma experiência visceral, uma obra que consegue ser hilária e profundamente angustiante ao mesmo tempo. Adam McKay, mestre do humor ácido, tece uma trama que, apesar de sua ficção científica, encontra uma ressonância aterradora com a realidade.

A história, em sua essência, é simples: dois astrônomos, a brilhante e impulsiva Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) e o mais cauteloso e acadêmico Randall Mindy (Leonardo DiCaprio), descobrem um cometa em rota de colisão com a Terra. A partir daí, inicia-se uma corrida contra o tempo para alertar a humanidade sobre o iminente fim do mundo. Mas o que eles encontram não é um mar de compreensão, e sim uma maré crescente de indiferença, negacionismo e priorização de interesses mesquinhos.

A direção de McKay é impecável. Ele equilibra habilmente o humor negro com o terror latente da situação, utilizando cortes rápidos, um ritmo frenético e uma trilha sonora que ora tece ironia, ora sublinha a urgência da situação. O roteiro, também assinado por McKay, é uma obra-prima de sarcasmo. A sátira implacável, que atinge os poderosos, os meios de comunicação, a cultura do cancelamento e o comportamento da sociedade em sua busca por distrações, é incisiva e, infelizmente, dolorosamente precisa. Deveria ser exagero, mas em 2025, infelizmente, é um reflexo bastante cruel, ainda que caricato, do mundo.

Atributo Detalhe
Diretor Adam McKay
Roteirista Adam McKay
Produtores Adam McKay, Kevin J. Messick
Elenco Principal Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Cate Blanchett, Rob Morgan
Gênero Comédia, Ficção científica
Ano de Lançamento 2021
Produtora Hyperobject Industries

Atuações Memoráveis

O elenco estelar é outro ponto alto do filme. DiCaprio e Lawrence formam uma dupla dinâmica, com uma química palpável na tela. A vulnerabilidade de DiCaprio e a energia explosiva de Lawrence criam um contraponto fascinante, representando as diferentes formas como lidamos com a catástrofe iminente. Meryl Streep, como a Presidente Orlean, entrega uma performance memorável, quase assustadoramente precisa, de uma líder politicamente oportunista e preocupada apenas com sua própria imagem. Cate Blanchett, como a âncora de notícias Brie Evantee, completa o quadro, representando a superficialidade e a busca incessante por audiência na mídia contemporânea. Até mesmo os personagens menores, como o Dr. Teddy Oglethorpe (Rob Morgan), contribuem para a complexidade da trama.

Pontos Fortes e Fracos

O maior trunfo de Não Olhe para Cima é sua capacidade de nos fazer rir e chorar ao mesmo tempo. A sátira mordaz, por mais contundente que seja, nunca perde de vista a humanidade dos personagens. Porém, a mensagem pode ser considerada didática demais por alguns espectadores. O filme, em sua intenção de chamar a atenção para os problemas da sociedade, pode parecer, em alguns momentos, muito explícito e panfletário. Apesar disso, a potência de sua mensagem não se perde.

Temas e Mensagens

O filme aborda uma variedade de temas relevantes, como a mudança climática, o negacionismo científico, a polarização política e a influência das mídias sociais. Ele serve como um alerta contundente sobre as consequências de nossa inércia diante de ameaças globais. Mais que uma parábola sobre o impacto de um cometa, Não Olhe para Cima é um espelho sombrio que reflete nossas próprias falhas como sociedade. A analogia com a emergência climática é óbvia e poderosa, e o filme deixa uma marca duradoura justamente por essa capacidade de nos confrontar com nossa própria responsabilidade.

Conclusão

Não Olhe para Cima não é um filme para quem busca apenas diversão leve. É uma obra desafiadora, desconfortável, mas incrivelmente importante. Lançado em 2021, sua recepção pela crítica foi dividida – alguns criticaram seu tom didático, enquanto outros celebraram sua coragem e precisão. Independente da sua recepção inicial, o filme continua a ser um marco na cinematografia satírica, uma obra que transcende sua natureza de ficção científica para se tornar um comentário social poderoso e, infelizmente, profético. Recomendo fortemente a experiência, mesmo aqueles que possam se incomodar com o seu tom direto. Afinal, ignorar a mensagem do filme é tão perigoso quanto ignorar a ameaça de um cometa. É uma comédia amarga, sim, mas uma que ecoa na eternidade.

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