Nightmare Neighborhood Moms

Eu confesso que, vez ou outra, me pego fisgado por esses dramas com ares de mistério que pipocam nas telas das TVs a cabo, especialmente aqueles que carregam a assinatura discreta (e quase um selo de qualidade) da Reel One Entertainment para canais como o LMN. Não me julgue! Há um prazer particular em desvendar os segredos de um subúrbio aparentemente perfeito, onde o perigo espreita por trás de cercas brancas e sorrisos forçados. É como espiar pela fresta da persiana da casa da vizinha, sabe? A gente sabe que não devia, mas a curiosidade é maior. E foi exatamente essa sensação que me puxou para o caldeirão de intrigas de Nightmare Neighborhood Moms, um filme que, três anos após seu lançamento original em 2022, ainda ecoa na minha memória afetiva dos thrillers televisivos.

Não espere aqui um manifesto cinematográfico que redefine a arte, porque essa nunca foi a proposta. O que Nightmare Neighborhood Moms oferece, e oferece com uma generosidade quase irônica, é um mergulho naquele tipo de tensão suburbana que só quem já viveu em condomínio fechado, ou assistiu demais a “Desperate Housewives”, consegue entender na veia. Ele não tenta ser mais do que é: um suspense de TV bem amarrado, com um elenco que entende o tom, e uma narrativa que te pega pelo colarinho e não solta até o último minuto.

A história, que se desenrola nos labirintos da vizinhança idealizada, tem como pilares as mães, figuras que, em um primeiro olhar, parecem esculpidas em cookie-cutters de perfeição. Gina Simms, no papel de Bonnie, é o nosso ponto de entrada, a lente através da qual enxergamos esse mundo. Ela pode ser a recém-chegada, a inocente que se vê envolvida, ou a que esconde segredos. Simms traz uma vulnerabilidade que nos faz torcer por Bonnie, mesmo quando a gente desconfia de tudo e de todos. É um trabalho sutil, que não grita por atenção, mas constrói a empatia necessária para nos mantermos investidos.

Mas é April Hale como Charlotte que, para mim, realmente brilha com uma intensidade gélida. Charlotte é o tipo de personagem que você encontra em cada esquina desses enredos: a abelha rainha, a matriarca da vizinhança, aquela cujo sorriso parece conter mil segredos não ditos. Hale não apenas interpreta a personagem; ela a habita. A maneira como ela segura uma taça de vinho, como seus olhos escaneiam o ambiente, a entonação quase musical com que profere ameaças veladas – tudo isso constrói uma Charlotte que é ao mesmo tempo elegante e aterrorizante. Ela não precisa levantar a voz para nos arrepiar, e é essa contenção que a torna tão eficaz, como uma cobra venenosa que se move silenciosamente pela grama. Você sente a tensão emanando dela, sem que uma única gota de suor se atreva a aparecer em sua testa.

Atributo Detalhe
Diretores Linden Ashby, Susan Walters
Roteirista Melissa Cassera
Produtor Ken Sanders
Elenco Principal Gina Simms, April Hale, Summer Madison, Johnathon Gorman, Coley Campany
Gênero Cinema TV, Mistério, Thriller, Drama
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Storyteller Studios, Reel One Entertainment

O roteiro de Melissa Cassera, uma artesã experiente no gênero, sabe como construir esse edifício de desconfiança tijolo por tijolo. Ela entende que o mistério não está apenas no “quem fez”, mas no “por que” e, mais importante, no “como isso afeta a psique de cada um”. Não é um roteiro que se perde em reviravoltas mirabolantes que não fazem sentido; pelo contrário, as peças se encaixam com uma lógica quase perturbadora, revelando camadas de intriga que fazem você questionar se realmente conhece as pessoas ao seu redor. Jordan, interpretada por Summer Madison, e Angela, por Coley Campany, somam-se a esse mosaico de personalidades, cada uma adicionando sua própria tonalidade à paleta de suspeitas. E Christian, de Johnathon Gorman, serve como um pilar de normalidade (ou a falta dela) nesse universo feminino e conspiratório.

É interessante notar a dupla direção de Linden Ashby e Susan Walters, ambos atores conhecidos de longa data em produções televisivas. Essa experiência em frente às câmeras se traduz em uma direção que parece ter um olhar aguçado para a performance. Eles extraem de seus atores nuances que talvez outros diretores mais focados apenas na ação pudessem deixar escapar. Há uma cadência nas cenas, uma valorização dos olhares e das pequenas hesitações que revelam muito mais do que mil palavras. Eles nos guiam através das casas perfeitas e dos jardins impecáveis, sugerindo que por trás de cada cortina bem passada, há uma história sombria aguardando para ser contada. A produção da Storyteller Studios e Reel One Entertainment, já esperada, entrega o que promete: um visual limpo, eficiente e que serve ao propósito da narrativa, sem grandes extravagâncias, mas com a competência que se espera de um filme LMN.

Nightmare Neighborhood Moms é, em sua essência, um thriller que abraça os clichês do seu gênero com uma paixão honesta, mas sem cair na armadilha da autoparódia. Ele te convida a sentar no sofá, talvez com uma manta e uma pipoca, e se deixar levar por uma trama que, embora não reinvente a roda, a faz girar com uma energia satisfatória. Não é sobre o choque do novo, mas sobre a competência e o prazer de ver uma história bem contada, com personagens que, mesmo com suas doses de exagero, conseguem nos fazer pensar na vizinha do lado e naquele estranho silêncio que, às vezes, ecoa no nosso próprio bairro. É um lembrete de que o verdadeiro horror pode estar muito mais próximo do que imaginamos, escondido atrás de um sorriso educado e um prato de biscoitos recém-assados. E, sinceramente, quem não adora um bom pesadelo de vizinhança de vez em quando?

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