O filme Notes on Blindness é um documentário dramático que se destaca por sua abordagem única e emocional em explorar a experiência de perder a visão. Dirigido por James Spinney e Pete Middleton, o filme é baseado nas gravações de áudio do professor e teólogo John M. Hull, que documentou sua jornada de perda de visão nos anos 80. Com uma abordagem inovadora, o filme combina reencenações dramáticas com as próprias vozes de Hull e sua esposa, Marilyn, criando uma experiência imersiva e profundamente pessoal.
A tese central deste filme é a exploração da cegueira não apenas como uma condição física, mas como uma transformação espiritual e filosófica. Hull, ao perder a visão, é forçado a reavaliar sua relação com o mundo e consigo mesmo, levantando questões profundas sobre a natureza da percepção, identidade e fé. O filme não se limita a ser um documentário sobre cegueira, mas se torna uma reflexão sobre a condição humana, nos desafiando a repensar nossas próprias percepções e limitações.
Do ponto de vista da direção, Spinney e Middleton demonstram um estilo visual específico que busca recriar a experiência de Hull de forma sensorial. Utilizando uma paleta de cores escuras e sombras, o filme imerge o espectador no mundo de sombras e silêncios de Hull, forçando-o a se concentrar nos sons e sensações que muitas vezes permanecem imperceptíveis para aqueles que enxergam. A edição do filme também merece destaque, pois alterna entre as reencenações dramáticas e as gravações de áudio de Hull, criando um ritmo que reflete a adaptação gradual de Hull à sua nova realidade.
A atuação no filme, embora seja uma reencenação, é notável pela sua sutileza e autenticidade. Dan Renton Skinner e Simone Kirby, que interpretam John e Marilyn Hull, trazem uma química convincente para a tela, capturando a intimidade e a luta do casal diante da adversidade. A voz de John M. Hull, por sua vez, é a espinha dorsal do filme, guiando o espectador através de seus pensamentos mais profundos e emocionais.
| Direção | James Spinney, Pete Middleton |
| Roteiro | James Spinney, Pete Middleton |
| Elenco Principal | John M. Hull (Himself (voice)), Marilyn Hull (Herself (voice)), Dan Renton Skinner (John Hull), Simone Kirby (Marilyn Hull), Eileen Davies (Madge Hull) |
| Gêneros | Drama, Documentário |
| Lançamento | 01/07/2016 |
| Produção | Archer’s Mark, Impact Partners, Creative England, ARTE, BBC Storyville, Cinephil, The Bertha Foundation, Fee Fie Foe, 104 Films, Agat Films & Cie / Ex Nihilo, BFI, Doc Society |
Os temas centrais do filme, como a cegueira, a perda, a adaptação e a espiritualidade, são discutidos com profundidade e sensibilidade. Uma cena particularmente memorável é quando Hull descreve sua experiência de “sonhar” após perder a visão, onde ele começa a “ver” novamente em seus sonhos, apenas para acordar e se dar conta da realidade de sua cegueira. Essa cena não apenas ilustra a complexidade da percepção humana, mas também destaca a resiliência e a capacidade de Hull de encontrar significado e propósito em sua nova realidade.
Comparando Notes on Blindness com outras obras no nicho de documentários dramáticos que exploram a condição humana, é possível destacar “The Diving Bell and the Butterfly” (2007), dirigido por Julian Schnabel, que também narra a história de um homem que supera uma condição física debilitante através da criatividade e da determinação. Ambos os filmes compartilham uma abordagem inovadora e emocionalmente poderosa para explorar a resiliência humana diante da adversidade.
Em conclusão, Notes on Blindness é um filme que transcende a categorização simples de documentário ou drama, tornando-se uma reflexão profunda sobre a condição humana. Com sua abordagem única e emocional, o filme é ideal para aqueles interessados em explorar a complexidade da percepção, identidade e espiritualidade. Não se trata apenas de um filme sobre cegueira, mas sobre a capacidade humana de se adaptar, crescer e encontrar significado em face da adversidade.




