O Espaço Entre Nós: Uma Jornada Espacial com um Coração Terrestre
Em 2017, Peter Chelsom nos presenteou com O Espaço Entre Nós, um filme que, apesar de suas imperfeições, me tocou de uma forma que poucos filmes de ficção científica recentes conseguiram. A história acompanha Gardner Elliot, o primeiro humano nascido em Marte, que sonha em conhecer a Terra e, mais importante, seu pai biológico. Esta jornada o leva a uma conexão inesperada com Tulsa, uma garota que o ajuda a navegar pelo choque cultural e pelas complexidades de um mundo totalmente novo. É um conto sobre a busca pela identidade, o amor adolescente e a imensidão da descoberta pessoal, tudo ambientado no cenário fascinante de um planeta vermelho e um azul desconhecido.
A direção de Chelsom é, em sua maior parte, competente. Ele equilibra a grandiosidade da exploração espacial com a intimidade das relações humanas, criando momentos genuinamente comoventes. A fotografia, principalmente nas cenas marcianas, é belíssima, transmitindo a vastidão do espaço e a solidão de um planeta inóspito. Entretanto, o roteiro de Allan Loeb, embora carregue uma premissa intrigante, apresenta alguns desvios narrativos e uma previsibilidade que, em alguns momentos, prejudica o impacto emocional. Há uma certa ingenuidade na abordagem da história de amor, que às vezes se aproxima demais do clichê adolescente, um território que, sinceramente, achei um tanto desgastado.
As atuações, contudo, elevam consideravelmente o filme. Asa Butterfield entrega uma performance sutil e convincente como Gardner, capturando sua vulnerabilidade e sua sede por conexão humana. Britt Robertson, como Tulsa, lhe dá o contraponto necessário, representando uma juventude vibrante e cheia de vida. O elenco de apoio, incluindo nomes como Gary Oldman e Carla Gugino, adiciona peso e profundidade à trama, mesmo com suas participações relativamente menores.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Peter Chelsom |
| Roteirista | Allan Loeb |
| Produtor | Richard Barton Lewis |
| Elenco Principal | Asa Butterfield, Britt Robertson, Carla Gugino, Gary Oldman, Janet Montgomery |
| Gênero | Romance, Aventura, Ficção científica, Drama |
| Ano de Lançamento | 2017 |
| Produtoras | Los Angeles Media Fund, Southpaw Entertainment, STXfilms, Scarlet Fire Entertainment, Huayi Brothers Pictures, Universal Pictures |
Um dos pontos fortes do longa é a exploração da temática do “fish out of water”, aplicada ao contexto espacial. Gardner, ao chegar na Terra, enfrenta uma série de desafios físicos e emocionais, tornando-se um personagem vulnerável e relacionável. A jornada de descoberta pessoal dele ressoa profundamente, transcendo a ficção científica e tocando em temas universais de pertencimento e autodescoberta. Por outro lado, a abordagem do romance, como mencionei, é um ponto fraco, e a resolução de alguns conflitos parece um tanto apressada e pouco desenvolvida.
O Espaço Entre Nós, lançado em 30 de março de 2017 no Brasil, não foi um sucesso estrondoso de bilheteria, e as críticas, na época do lançamento, foram mistas, corroborando a minha impressão de um filme com qualidades e defeitos. Ao revisitar o filme em 2025, percebo que algumas das críticas negativas, como as que mencionam o filme como um “teen weepie transparente”, são um pouco injustas. Ele é, sim, um filme para adolescentes, mas sua mensagem transcende esse nicho. A busca de Gardner por suas raízes e a sua descoberta do amor são universais.
No fim das contas, O Espaço Entre Nós é um filme irregular. Sua trama previsível e alguns aspectos narrativos fracos são compensados por uma direção competente, atuações sólidas e uma premissa que, apesar de não ser totalmente original, é capaz de despertar empatia e reflexões sobre a natureza humana, a solidão e a importância das conexões pessoais, mesmo em cenários tão distantes como Marte. Recomendo a sua exibição, especialmente para quem procura um filme de ficção científica com um toque de romance e uma mensagem otimista, mesmo que não seja uma obra-prima. Ele merece uma chance, principalmente para quem busca um entretenimento leve e emocionalmente acessível nas plataformas de streaming.




