O Inquilino

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O Inquilino: Uma comédia negra que te deixa inquieto – e isso é ótimo

Já se passaram alguns meses desde a estreia de O Inquilino, em 25 de fevereiro de 2025, e até hoje sinto um certo… desconforto. Um desconforto delicioso, é preciso dizer, daqueles que te perseguem em forma de risos nervosos e reflexões amargas sobre a natureza humana. A comédia negra dirigida e escrita por Jordana Beck, com Frederico Vittola no papel principal, não é uma experiência leve. É uma daquelas que te agarra pela gola e te força a confrontar suas próprias sombras, mesmo que sob a fachada de piadas ácidas e situações absurdas.

A sinopse, para quem ainda não teve o prazer (ou o desprazer, dependendo do seu ponto de vista), gira em torno de César (Vitola), um inquilino aparentemente comum que se envolve em uma série de eventos cada vez mais bizarros em seu novo prédio. A interação com o síndico (Luis Franke), a vizinha (Sabrina Vianna) e até mesmo um pintor (Guilherme Eyng) formam um quadro grotesco, mas inegavelmente hilário, de relações humanas disfuncionais. A esposa de César (Luiza Voltolini) completa o cenário com uma pitada de tragédia que funciona como um contraponto perfeito à loucura que se desenrola. Evito detalhar mais para não estragar as surpresas, mas garanto: você não vai prever o que vem por aí.

A direção de Jordana Beck é precisa e elegante. Ela maneja com maestria o tom da narrativa, navegando com perícia entre o humor negro e o suspense crescente. A fotografia, embora não seja o foco principal, contribui para a atmosfera claustrofóbica e tensa que permeia o filme. O roteiro, também de Beck, é um espetáculo à parte. Os diálogos são afiados, repletos de sarcasmo e ironia, e a construção dos personagens é excepcional. Cada um deles é um estudo de caso em neurose, e o espectador se vê imerso em um turbilhão de comportamentos estranhos e até mesmo perturbadores, com uma pitada de realismo que te assusta.

Atributo Detalhe
Diretor Jordana Beck
Roteirista Jordana Beck
Produtores Helena Maier, Jordana Beck, Matheus Brasilino
Elenco Principal Frederico Vittola, Luis Franke, Sabrina Vianna, Guilherme Eyng, Luiza Voltolini
Gênero Comédia
Ano de Lançamento 2025

As atuações são impecáveis. Frederico Vittola entrega uma performance magistral como César, transmitindo a fragilidade e a loucura do personagem de forma convincente. O restante do elenco, sem exceção, acompanha o ritmo frenético da trama com a mesma intensidade e precisão. Luis Franke, em especial, rouba a cena com seu síndico peculiar e irritante.

Apesar de suas qualidades, O Inquilino não é isento de falhas. Em alguns momentos, o ritmo pode parecer um pouco irregular, e o tom, apesar de bem equilibrado, pode se tornar excessivamente sombrio para alguns espectadores. Para alguns, o final, embora satisfatório, pode parecer um tanto abrupto. Mas acredito que esses são detalhes menores em comparação com a potência da obra como um todo.

O filme explora temas como a solidão, a alienação social e a fragilidade da psique humana. A mensagem, embora não seja explícita, é poderosa: nós somos todos um pouco inquilinos da nossa própria mente, habitando espaços instáveis e confrontando demônios internos que muitas vezes preferimos ignorar.

Concluindo, O Inquilino não é um filme para todos. Não espere risadas fáceis e uma narrativa linear. Mas se você busca uma experiência cinematográfica perturbadora, inteligente e profundamente humana – embalada em uma comédia negra magistral – recomendo fortemente que você assista. Acho que a produção de Helena Maier, Jordana Beck e Matheus Brasilino entrega um produto autêntico e memorável, que certamente gerará discussões e permanecerá na memória do público, assim como permanece na minha. Disponível em diversas plataformas de streaming desde a sua estreia em fevereiro, vale a pena procurar por ele. Prepare-se para uma jornada desconcertante, mas inesquecível.

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