O Lobo de Wall Street

Publicidade
Assistir quando e onde quiser Assistir

Martin Scorsese e o Banquete de Excessos: Uma Resenha de O Lobo de Wall Street

Doze anos se passaram desde que O Lobo de Wall Street estreou nos cinemas brasileiros em 3 de janeiro de 2014, e ainda hoje a obra me assombra, me fascina, me irrita e me diverte em doses iguais. Não é um filme fácil de digerir, e talvez seja exatamente por isso que permanece tão relevante em 2025. Ele não é uma celebração do sucesso, mas sim um retrato grotesco e fascinante do abismo moral que a ganância pode criar. A sinopse já conta a história: Jordan Belfort, um jovem ambicioso, escalando a escada do sucesso na Wall Street até criar seu próprio império de fraudes financeiras, construído sobre uma fundação de cocaína, sexo desenfreado e uma total falta de escrúpulos.

A direção de Scorsese é, sem dúvida, o coração pulsante do filme. A câmera parece dançar ao ritmo frenético da vida de Belfort, ora estática, ora em movimentos vertiginosos, refletindo a montanha-russa de emoções (e drogas) que permeia a narrativa. A edição, frenética e impecável, contribui para a atmosfera de caos e excessos, nunca deixando o espectador respirar. Há momentos de humor negro hilariante, que nos pegam de surpresa no meio da orgia de corrupção, momentos esses que são tão eficazes por causa da precisão da direção de Scorsese. A trilha sonora, por sua vez, complementa essa experiência sensorial de forma magistral, acentuando a atmosfera de cada cena.

Terence Winter, com seu roteiro, extrai o máximo da história real de Belfort, não apenas retratando os atos de corrupção, mas explorando a psicologia do protagonista. DiCaprio, em uma performance que só pode ser descrita como titânica, mergulha de cabeça nesse papel, nos mostrando um homem que é ao mesmo tempo charmoso e repugnante, ambicioso e autodestrutivo. Jonah Hill está brilhante como Donnie Azoff, o parceiro cúmplice de Belfort, um contraponto cômico e ao mesmo tempo assustadoramente real da ambição desmedida. Margot Robbie, como Naomi Lapaglia, rouba a cena em cada aparição, representando a sedução e o vazio que acompanham esse estilo de vida excessivo. E que dizer da participação quase camaleônica de Matthew McConaughey como Mark Hanna, o mentor de Belfort? Uma pequena mas inesquecível masterclass em atuação.

Atributo Detalhe
Diretor Martin Scorsese
Roteirista Terence Winter
Produtores Riza Aziz, Joey McFarland, Emma Tillinger Koskoff, Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio
Elenco Principal Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey, Kyle Chandler
Gênero Crime, Drama, Comédia
Ano de Lançamento 2013
Produtoras Red Granite Pictures, Appian Way, Sikelia Productions, EMJAG Productions

Mas nem tudo são flores. A excessividade do filme, apontada por alguns críticos em 2014 e que ainda hoje é um ponto de discussão, pode, de fato, cansar alguns espectadores. Três horas de orgias, drogas e cenas de comédia nonsense são um desafio para o público, e não é difícil entender por que alguns se sentem sobrecarregados. O filme transita com maestria entre a comédia e o drama, mas alguns podem considerar o tom irregular. A falta de um arco de redenção claro também pode desagradar. É um filme que não pretende nos dar um herói, mas um anti-herói, o que não significa que ele seja um personagem fácil de amar.

O Lobo de Wall Street não se limita a retratar a ascensão e a queda de um corretor fraudulento. Ele serve como um estudo de caso sobre a ganância, a corrupção sistêmica e a busca desenfreada pelo sucesso a qualquer custo. É uma crítica feroz ao materialismo desenfreado e ao vazio existencial que esse estilo de vida pode gerar. A mensagem subjacente, apesar de indireta, é clara: o caminho para o sucesso não pode ser pavimentado pela ilegalidade e pela falta de ética.

Eu concordo com aqueles que diziam em 2014 que o filme é viciante, que as três horas passam como um piscar de olhos. Mas também entendo a crítica de que ele é excessivo, e talvez até um tanto niilista. Apesar disso, eu recomendo a experiência a qualquer um que queira assistir a um filme ousado, visceral e brilhante, um filme que não tem medo de nos mostrar a escuridão da alma humana, mesclando isso com uma dose de humor ácido e personagens memoráveis. É um filme que te provoca, que te deixa pensando dias depois, e isso, por si só, já o torna uma obra-prima. Afinal, quantas vezes podemos dizer que assistimos a um filme que, mesmo com todos os seus excessos, te deixa verdadeiramente perplexo?

Publicidade

Ofertas Imperdíveis na Shopee

Que tal uma pausa? Confira as melhores ofertas do dia na Shopee!

Aproveite cupons de desconto e frete grátis* em milhares de produtos. (*Consulte as condições no site).

Ver Ofertas na Shopee