O Mágico de Oz: Um Clássico que Continua a Encantar (ou Será?)
Em 1939, um furacão de cores e magia varreu as telas dos cinemas. Falamos, é claro, de O Mágico de Oz, um filme que transcendeu gerações e se tornou sinônimo de conto de fadas. Mas, olhando para ele em 2025, com a perspectiva de décadas de cinema à nossa disposição, a magia permanece intacta? A resposta, para mim, é um pouco mais complexa do que um simples sim ou não.
O filme acompanha Dorothy Gale, uma jovem do Kansas que, após ser atingida por um tornado, encontra-se em um mundo fantástico e colorido, Oz. Junto com seu fiel cachorro Totó, ela embarca em uma jornada em direção à Cidade Esmeralda, para pedir ajuda ao todo-poderoso Mago de Oz. No caminho, ela se junta a um trio peculiar: um Espantalho que deseja um cérebro, um Homem de Lata sem coração e um Leão Covarde em busca de coragem. A sinopse é familiar, mas a execução, mesmo após tantos anos, mantém um fascínio singular.
A direção de Victor Fleming, um mestre do cinema clássico de Hollywood, é impecável. A transição entre o Kansas em sépia e o vibrante mundo de Oz é brilhante, estabelecendo imediatamente o tom fantasioso e surreal da narrativa. A fotografia é deslumbrante, e a utilização da cor, um impacto especialmente marcante na época, continua a cativar. No entanto, a narrativa, embora funcional, às vezes se arrasta. O filme sofre um pouco com alguns momentos de ritmo lento, que podem testar a paciência de um público mais acostumado aos frenéticos filmes de hoje.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Victor Fleming |
| Roteiristas | Florence Ryerson, Edgar Allan Woolf, Noel Langley |
| Produtores | Mervyn LeRoy, Victor Fleming |
| Elenco Principal | Judy Garland, Ray Bolger, Jack Haley, Bert Lahr, Frank Morgan |
| Gênero | Aventura, Fantasia, Família |
| Ano de Lançamento | 1939 |
| Produtora | Metro-Goldwyn-Mayer |
As atuações são um ponto alto inegável. Judy Garland, como Dorothy, é uma revelação. Sua energia contagiante e vulnerabilidade comovente garantem que o público se conecte instantaneamente à sua jornada. Ray Bolger, Jack Haley e Bert Lahr, como o Espantalho, Homem de Lata e Leão Covarde, respectivamente, formam um trio cômico perfeito, com performances memoráveis que são tão divertidas quanto comoventes. Frank Morgan, interpretando múltiplos papéis, também demonstra uma versatilidade admirável.
Mas, mesmo com suas qualidades indiscutíveis, O Mágico de Oz não está isento de falhas. Algumas das canções, embora icônicas, podem soar datadas para o público moderno. A trama, em alguns pontos, parece um tanto infantil e previsível. E, sem dúvida, a representação da personagem da Bruxa Malvada do Oeste, embora memorável na sua interpretação, pode ser vista hoje sob uma lente mais crítica, questionando seus arquétipos.
Apesar dessas considerações, o filme mantém um poder duradouro. A jornada de Dorothy é uma metáfora universal da busca pela identidade e pertencimento. A mensagem de que “não existe lugar como a sua casa” ecoa ainda hoje, num mundo constantemente em busca de algo mais. O filme aborda temas de amizade, coragem e autodescoberta, transcendendo os limites da ficção para tocar um acorde profundo no público. A mensagem sobre o valor da amizade e da importância de se aceitar como você é, continua tão relevante hoje como era em 1939.
Em conclusão, O Mágico de Oz permanece um clássico, embora um clássico que exige um olhar crítico. Sim, ele apresenta alguns aspectos que podem soar datados, mas sua magia, seus personagens icônicos e sua mensagem atemporal continuam a cativar. Recomendo fortemente sua exibição, não apenas para os nostálgicos, mas também para aqueles que procuram um conto de fadas com um toque de magia e um pouco de reflexão sobre a beleza e a complexidade da vida. A disponibilidade em diversas plataformas digitais torna o acesso fácil a essa experiência cinematográfica inesquecível.




