O Marujo Tremendão

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Confesso que, ao me deparar com O Marujo Tremendão (1968), um filme que passou despercebido pela maioria, senti uma pontada de nostalgia – aquela que nos invade quando resgatamos pérolas esquecidas do passado cinematográfico. Lançado em 1968, o longa, dirigido e escrito por Frank Tashlin, com Bob Hope no papel principal, prometia, ao menos em teoria, uma mistura explosiva de comédia e guerra no cenário exuberante do Pacífico Sul. E, em partes, cumpre a promessa – mas com alguns imprevistos no caminho.

Um Pouco da Aventura Sem Dar Spoilers

A trama acompanha o sargento Dan O’Farrell (Hope), um sujeito com mais faro para encrencas do que para combate, em meio às peripécias da Marinha Americana na Segunda Guerra Mundial. O cenário tropical, as confusões militares e um elenco de peso, que inclui Phyllis Diller, Jeffrey Hunter e as belíssimas Mylène Demongeot e Gina Lollobrigida, prenunciam boas doses de humor. Mas, como em qualquer bom filme de guerra, também há espaço para momentos mais sérios, conflitos internos e reflexões sobre a natureza da guerra e a própria condição humana – ou ao menos, isso é o que o roteiro promete proporcionar.

Tashlin e o Equilíbrio Delicado (ou Não)

Frank Tashlin, conhecido por seu estilo visualmente vibrante e seu humor físico, entrega um trabalho um tanto desigual em O Marujo Tremendão. Há momentos de pura genialidade, cenas onde a comédia física se funde perfeitamente com a narrativa, gerando risadas genuínas e espontâneas. Mas, em outros, a tentativa de equilibrar a comédia slapstick com os momentos dramáticos da guerra se mostra falha, resultando numa certa desarmonia narrativa. A direção, embora competente na construção visual, vacila na hora de conduzir o tom geral do filme.

O Elenco: Um Show de Talentos… e Escolhas Questionáveis

Bob Hope, como sempre, está irresistível em seu papel, usando seu charme e timing cômico impecáveis para tornar o sargento O’Farrell um personagem memorável, mesmo que um tanto caricato. Phyllis Diller, com seu estilo inconfundível, também acrescenta um toque de loucura à produção. Jeffrey Hunter e Mylène Demongeot cumprem seus papéis com profissionalismo, mas não brilham tanto quanto Hope e Diller. Gina Lollobrigida, por sua vez, se destaca pela beleza inegável, mas seu papel, infelizmente, é superficial. A escolha do elenco é um misto de acertos e erros, reflexo da própria inconstância do filme.

Atributo Detalhe
Diretor Frank Tashlin
Roteirista Frank Tashlin
Elenco Principal Bob Hope, Phyllis Diller, Jeffrey Hunter, Mylène Demongeot, Gina Lollobrigida
Gênero Comédia, Guerra
Ano de Lançamento 1968
Produtora John Beck-Naho Productions

Pontos Fortes e Fracos: A Equação Inegável

A força de O Marujo Tremendão reside, sem dúvida, no seu humor. Há momentos genuinamente hilários que, mesmo em 2025, conseguem arrancar sorrisos – uma prova da qualidade da comédia atemporal de Tashlin. O elenco, apesar de suas inconsistências, proporciona momentos memoráveis. No entanto, o roteiro oscila entre a comédia burlesca e um drama de guerra que nunca chega a ser verdadeiramente profundo ou impactante. A transição entre esses dois tons é abrupta em vários momentos, criando um filme que, apesar de divertido, carece de coesão narrativa.

Temas e Mensagens: Um Olhar Superficial Sobre a Guerra

O filme aborda temas como a amizade, o amor e a guerra, mas superficialmente. Não se propõe a uma análise profunda dos horrores da guerra ou das suas consequências psicológicas. A guerra serve, acima de tudo, como um pano de fundo para as trapalhadas do sargento O’Farrell. É uma pena, pois o contexto da Guerra do Pacífico e sua complexidade poderiam ter sido explorados com mais profundidade.

Conclusão: Vale a Pena?

O Marujo Tremendão, em resumo, é uma experiência cinematográfica um tanto irregular. Embora não seja uma obra-prima do cinema, possui momentos de pura diversão e um elenco carismático. Se você busca uma comédia leve e despretensiosa para assistir em um fim de tarde, pode se divertir com O Marujo Tremendão. Mas, não espere uma obra-prima de comédia ou um drama de guerra profundo. A recomendação é condicional: para fãs de Bob Hope e comédias clássicas, é uma boa pedida em plataformas de streaming. Para outros, a busca por algo mais consistente em termos de narrativa e profundidade talvez seja preferível.