O Mundo Perdido: Uma Volta Decepcionante a Isla Sorna?
28 anos se passaram desde a estreia de O Mundo Perdido: Jurassic Park em 20/06/1997, e analisá-lo hoje, em 2025, me provoca uma mistura complexa de nostalgia e frustração. O filme, sequência do fenômeno Jurassic Park, traz de volta o cínico, mas carismático, Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum), desta vez em uma nova aventura, desta vez não em Isla Nublar, mas em Isla Sorna, uma ilha próxima, onde os dinossauros escaparam do controle, vivendo em um ecossistema selvagem. Acompanhado por uma equipe de cientistas e documentaristas, Malcolm se vê novamente frente a frente com a fúria da natureza, porém, desta vez, com uma pegada bem diferente do original. A trama, basicamente, gira em torno da busca por documentar esse “mundo perdido”, enquanto uma corporação, liderada pelo ganancioso Peter Ludlow (Arliss Howard), planeja capturar os dinossauros para um novo parque temático em San Diego, Califórnia.
Uma Direção em Busca de Equilíbrio
Spielberg, mais uma vez na direção, tenta equilibrar o terror e a aventura que consagraram o primeiro filme com um tom mais explícito de ação e, em certos momentos, quase de filme de monstros. Ele demonstra maestria na construção de algumas sequências de ação memoráveis, especialmente aquelas que envolvem o T-Rex em plena cidade, mas a tentativa de mesclar esses elementos com o desenvolvimento de personagens e a exploração das implicações éticas da clonagem de dinossauros resulta em um produto final irregular. A direção, por vezes, se perde em meio a tantos elementos, falhando em criar um tom coeso e consistente.
Roteiro Previsível e Personagens Esquecíveis
O roteiro de David Koepp, embora apresente alguns momentos de tensão palpável, peca por um desenvolvimento previsível de trama e pela construção de personagens superficiais. Aqui, concordo com a crítica mencionada no material de referência: Malcolm, tão inteligente e cativante no primeiro filme, se transforma em um arquétipo quase vazio, suas falas inteligentes dando lugar a um roteiro repleto de clichês e diálogos expositivos desnecessários. A personagem de Julianne Moore, Sarah Harding, embora tenha potencial, também se perde na multidão de personagens pouco desenvolvidos, e o mesmo pode ser dito de muitos outros. A exceção, talvez, seja o personagem de Pete Postlethwaite, Roland Tembo, que consegue criar uma presença mais robusta.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Steven Spielberg |
| Roteirista | David Koepp |
| Produtores | Gerald R. Molen, Colin Wilson |
| Elenco Principal | Jeff Goldblum, Julianne Moore, Pete Postlethwaite, Arliss Howard, Richard Attenborough |
| Gênero | Aventura, Ação, Ficção científica |
| Ano de Lançamento | 1997 |
| Produtoras | Universal Pictures, Amblin Entertainment |
Os Pontos Altos (e os Baixos)
A fotografia impecável de Janusz Kamiński é indiscutivelmente um dos pontos altos do longa-metragem. A imagem capta perfeitamente a beleza selvagem da Isla Sorna e o terror latente que permeia a atmosfera. A trilha sonora de John Williams, embora não tão icônica quanto a do primeiro filme, ainda assim consegue criar momentos de suspense e emoção. Porém, a falta de profundidade narrativa e a construção de personagens caricatos são pontos fracos significativos. A sensação geral é de que o filme sacrifica a profundidade pela ação desenfreada, caindo em armadilhas do cinema de aventura genérico.
Temas e Mensagens em Segundo Plano
Embora o filme toque em temas importantes como o impacto da bioengenharia e a responsabilidade humana em relação à natureza, essas mensagens ficam em segundo plano em relação às cenas de ação. A relação entre pai e filha (John Hammond e sua neta) também é abordada, porém de forma superficial.
Conclusão: Uma Sequência Incompleta
O Mundo Perdido: Jurassic Park é, em última análise, uma experiência cinematográfica desigual. Enquanto os efeitos especiais e a fotografia impecável proporcionam momentos de puro deleite visual, o roteiro fraco e o desenvolvimento superficial dos personagens prejudicam a experiência como um todo. Apesar da nostalgia e de alguns momentos memoráveis, o filme não consegue alcançar a profundidade e a complexidade de seu antecessor. Recomendo sua visualização para aqueles que já apreciaram o primeiro filme e querem explorar um pouco mais desse universo, mas com as expectativas controladas. A obra encontra-se facilmente disponível em diversas plataformas digitais para streaming. Não espere uma obra-prima, mas sim um entretenimento mediano, longe da excelência do original.




