O Predador

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Predador (1987): Uma Ode à Perfeição Imperfeita do Cinema de Ação

Há filmes que marcam a infância, que se tornam parte da própria formação. Predador, para mim, é um desses. Lançado em 30 de julho de 1987 no Brasil, e visto pela primeira vez em 1996 (sim, uma criança cinéfila), o longa-metragem de John McTiernan transcende a simples categoria de “filme de ação”. É um estudo de personagem, um exercício de suspense claustrofóbico, e uma celebração da masculinidade tóxica – mesmo que essa última parte seja vista com outros olhos em 2025.

A sinopse é simples, porém eficiente: um grupo de comandos de elite, liderados pelo implacável Major Alan “Dutch” Schaefer (um Arnold Schwarzenegger no auge de sua força física e carisma), é enviado à selva da América Central para resgatar um grupo de funcionários do governo desaparecidos. O que se segue é uma caçada implacável, não contra guerrilheiros, como inicialmente se acreditava, mas contra uma criatura extraterrestre de excepcional inteligência, força e tecnologia de camuflagem.

A direção de John McTiernan é primorosa. A selva, cenário principal, não é mero pano de fundo; ela é personagem, um opressor a mais nessa luta pela sobrevivência. A fotografia é incrível, construindo uma atmosfera opressiva e tensa que acompanha a equipe em cada passo pela floresta. A montagem, precisa e dinâmica, nos deixa sem fôlego nas cenas de ação visceral, uma marca registrada do cinema de ação dos anos 80. A escolha de planos, a utilização da luz e sombra para ocultar e revelar a presença do Predador… McTiernan é um mestre nesse jogo de suspense cinemático. Ele sabia, com maestria, como construir a tensão sem depender apenas da violência explícita, embora o filme não se furte a ela.

Atributo Detalhe
Diretor John McTiernan
Roteiristas Jim Thomas, John Thomas
Produtores Lawrence Gordon, Joel Silver, John Davis
Elenco Principal Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Kevin Peter Hall, Elpidia Carrillo, Bill Duke
Gênero Ficção científica, Ação, Aventura, Thriller
Ano de Lançamento 1987
Produtoras 20th Century Fox, Lawrence Gordon Productions, Silver Pictures, Davis Entertainment, Amercent Films, American Entertainment Partners L.P.

O roteiro, escrito pelos irmãos Jim e John Thomas, é inteligente, construindo o suspense com meticulosa precisão. A construção do antagonista é brilhante. O Predador nunca é um monstro genérico. Sua inteligência, estratégia e tecnologia superior tornam-no um adversário assustadoramente convincente. A dinâmica entre os membros da equipe é igualmente bem construída. Apesar dos clichês inerentes ao gênero, a individualidade de cada personagem é palpável, e suas interações criam uma coesão orgânica, que se quebra sutilmente à medida que o terror se aproxima.

As atuações são, sem dúvida, um ponto alto. Schwarzenegger, em seu papel mais icônico, entrega uma performance cheia de nuances, mostrando um herói vulnerável sob a casca do herói implacável. Carl Weathers, como Al Dillon, é um contraponto perfeito, adicionando uma camada de liderança tática e um pouco de ceticismo à dinâmica da equipe. Kevin Peter Hall, como o Predador, faz um trabalho extraordinário, usando movimentos físicos e uma aura imponente para criar uma figura aterrorizante, sem jamais precisar de uma única palavra.

Claro, o filme não é perfeito. Algumas cenas de ação, vistas em 2025, podem parecer datadas, e o excesso de testosterona, tão comum na época, pode soar desconfortável para alguns. No entanto, essas falhas, longe de diminuir o mérito da obra, contribuem para o seu caráter nostálgico e único.

Predador explora temas como a natureza da guerra, a fragilidade humana frente à superioridade tecnológica e a busca pela sobrevivência em condições extremas. É uma alegoria à guerra do Vietnã, como muitos já apontaram, e uma metáfora da luta contra algo que desconhecemos e que nos é superior. O filme dialoga com nossas angústias mais profundas, nossa sensação de vulnerabilidade e o medo do “outro”.

A recepção crítica em 1987 foi majoritariamente positiva, e o filme se tornou um sucesso comercial, solidificando seu lugar como um clássico do cinema de ação. Hoje, em 2025, Predador continua a ser relevante, não apenas como um marco do gênero, mas como uma experiência cinematográfica visceral e inesquecível. Recomendo a sua visualização a todos, desde aqueles que buscam um filme de ação puro e simples até aqueles que apreciam um thriller psicológico com um toque de ficção científica. É um filme que precisa ser visto – e revisto – mais de uma vez. A experiência de assistir Predador é como encontrar uma joia escondida numa selva de filmes, uma prova do poder do cinema em nos levar a lugares inimagináveis, mesmo em meio ao conhecido ambiente de uma floresta.

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