Silo: Uma Ode à Claustrofobia e à Busca pela Verdade, Dois Anos Depois
Em 2023, a Apple TV+ nos presenteou com Silo, uma série de ficção científica que, dois anos depois, ainda me acompanha em reflexões. Baseada nos romances de Hugh Howey, a trama nos leva a um futuro devastado, onde a humanidade sobrevive em um gigantesco silo subterrâneo de centenas de andares. Dentro dessas paredes imponentes, uma sociedade estritamente regida por regras aparentemente necessárias para a sobrevivência, e repleta de segredos, se desenvolve. A série acompanha Juliette Nichols (Rebecca Ferguson), uma engenheira que se vê envolvida numa teia de mistérios que abalam os fundamentos da vida no Silo.
A direção, embora às vezes sofra com a repetitividade visual inerente ao cenário claustrofóbico – um ponto destacado por algumas críticas que li na época do lançamento –, consegue criar uma atmosfera opressiva e eficaz. A câmera, muitas vezes, funciona como uma personagem, explorando os corredores estreitos e os rostos tensos dos habitantes do Silo, transmitindo a sensação de aprisionamento e a constante vigilância. O roteiro, em sua maior parte, é envolvente, plantando sementes de dúvida e mistério que nos mantêm presos à tela. No entanto, como bem apontado em algumas críticas iniciais, a série pecou em responder tantas perguntas quanto gerou nas duas primeiras partes, deixando um sabor agridoce no ar.
As atuações são, sem dúvida, um ponto alto. Rebecca Ferguson, no papel principal, entrega uma performance intensa e convincente, transmitindo a jornada de descoberta e questionamento de sua personagem com maestria. Common, Harriet Walter e o restante do elenco também contribuem com interpretações sólidas, dando profundidade a um mundo complexo e cheio de nuances. A dinâmica entre os personagens, com suas alianças e traições, é um dos pontos fortes do enredo.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Criador | Graham Yost |
| Produtores | Katherine DiSavino, Ben Brafman |
| Elenco Principal | Rebecca Ferguson, Common, Harriet Walter, Chinaza Uche, Avi Nash |
| Gênero | Ficção Científica e Fantasia, Drama |
| Ano de Lançamento | 2023 |
| Produtoras | AMC Studios, Nemofilms, Mimir Films, Apple Studios |
Apesar dos momentos de brilho, Silo não está isenta de falhas. A repetição visual, como já mencionei, pode se tornar cansativa. Em alguns momentos, a narrativa se arrasta, perdendo o ritmo que a mantém tão envolvente em outros. A ambientação, embora bem construída, em alguns pontos peca na originalidade, apresentando tropeços comuns dentro da ficção científica distópica.
No entanto, a força de Silo reside em seus temas. A série explora a natureza humana em suas múltiplas facetas: a busca pela verdade, o poder corrompedor do controle, a resiliência em face do medo e a importância de questionar a ordem estabelecida. A mensagem subjacente sobre a manipulação, a cegueira da fé cega e a importância da liberdade, ressoa profundamente, especialmente considerando o nosso mundo atual, em 2025.
Ao final da série, fiquei com a sensação de que Silo, apesar de seus defeitos, é uma experiência memorável. A atmosfera sufocante, a atuação impecável e os temas instigantes compensam, em grande parte, as suas falhas de ritmo e algumas repetições visuais. Recomendo a série a quem aprecia ficção científica introspectiva e com um toque de suspense psicológico. Não é uma obra-prima irretocável, mas certamente vale a pena mergulhar nas profundezas do Silo para se questionar sobre a própria verdade e a natureza da liberdade. A série tem um quê de “Westworld” com uma pitada a mais de drama claustrofóbico, e isso, por si só, já justifica uma maratona.




