O Último Caçador de Bruxas

O Último Caçador de Bruxas: Um encontro com a imortalidade, e suas frustrações

Dez anos se passaram desde que O Último Caçador de Bruxas chegou aos cinemas em 29 de outubro de 2015, e olhando para trás, percebo que minha lembrança do filme era bem diferente da experiência de assisti-lo novamente. Na época, o filme pareceu ser um entretenimento mediano, um amontoado de ação fantasiosa com Vin Diesel no papel principal. Agora, analisando-o com a lente do tempo, ele se revela algo mais complexo, e paradoxalmente mais superficial ao mesmo tempo.

O filme acompanha Kaulder (Vin Diesel), um caçador de bruxas imortal, amaldiçoado a viver eternamente, lutando contra uma ameaça que retorna de tempos em tempos: a poderosa Rainha das Bruxas. Neste novo confronto, ele se alia a Chloe (Rose Leslie), uma jovem bruxa com poderes surpreendentes, para impedir uma catástrofe que promete dizimar Nova York. A sinopse mantém uma aura de mistério, mas é o desenvolvimento dessa trama, ou melhor, a falta dele, que torna o filme uma experiência tão ambígua.

A direção de Breck Eisner é competente em cenas de ação, entregando momentos visualmente impactantes, com explosões e perseguições que se sustentam como espetáculo puro. Entretanto, a narrativa se perde em um mar de clichês, os diálogos são rasos, e o roteiro de Matt Sazama, Cory Goodman, e Burk Sharpless falha miseravelmente em construir personagens com profundidade emocional. As motivações dos antagonistas são pouco exploradas, e a relação entre Kaulder e Chloe, apesar de essencial para a trama, carece de química e desenvolvimento orgânico. A imortalidade de Kaulder, tema central, é tratada de forma superficial, sem explorar o peso psicológico de séculos de solidão e sofrimento.

Atributo Detalhe
Diretor Breck Eisner
Roteiristas Matt Sazama, Cory Goodman, Burk Sharpless
Produtores Mark Canton, Bernie Goldmann, Vin Diesel
Elenco Principal Vin Diesel, Elijah Wood, Rose Leslie, Ólafur Darri Ólafsson, Julie Engelbrecht
Gênero Ação, Aventura, Fantasia
Ano de Lançamento 2015
Produtoras NeoReel, Summit Entertainment, Atmosphere Entertainment MM, Goldmann Pictures, Aperture Entertainment, TIK Films, One Race, Lionsgate

O elenco, embora estrelado por Vin Diesel, apresenta atuações que se encaixam na mediocridade geral do filme. Diesel, enquanto um ator competente em outros gêneros, parece desconfortável no tom fantasioso do longa. Elijah Wood, como Dolan 37th, traz um ar de familiaridade que não contribui significativamente para o enredo. A personagem de Rose Leslie, apesar de ser a mais interessante do trio, não consegue escapar do roteiro fraco.

Os pontos fortes de O Último Caçador de Bruxas são estritamente visuais. A cinematografia consegue momentos de beleza estética, especialmente nas cenas ambientadas em Nova York, com uma fotografia que reforça a dualidade entre o mundo moderno e a magia antiga. Porém, esses lampejos de excelência visual não são suficientes para compensar a fragilidade do roteiro e a superficialidade dos personagens. A exploração da magia, o tema central do filme, é resumida a efeitos especiais e combates genéricos, sem profundidade na mitologia e nos rituais.

O filme tenta explorar temas como a busca pela imortalidade, o peso da culpa e a redenção, mas todos eles são tratados de maneira superficial e apressada, impedindo qualquer impacto emocional no espectador. O desenvolvimento da trama poderia ter explorado a complexa relação entre magia e religião, a história dos caçadores de bruxas e a evolução dos conflitos entre esses seres ao longo dos séculos. Mas, infelizmente, o filme opta por um roteiro linear e previsível.

Em resumo, O Último Caçador de Bruxas, apesar de seus esforços visuais, é um filme que se esquece de construir uma narrativa sólida. A falta de profundidade em seus personagens e a superficialidade dos temas abordados tornam-no uma experiência frustrante, um caso emblemático de desperdício de potencial. A recepção crítica, aliás, confirmou essa impressão na época de seu lançamento. Em 2025, minha recomendação para este filme é apenas para quem busca entretenimento leve e despretensioso, sem grandes expectativas sobre a trama ou a complexidade dos personagens. Não espere uma obra-prima, mas talvez encontre alguns momentos de diversão, se estiver disposto a ignorar as suas falhas fundamentais.

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