O Último Dragão: Um Narcotráfico com Garras de Veludo?
Seis anos se passaram desde a estreia de O Último Dragão em 2019, e confesso: a série, mesmo com seus defeitos gritantes, continua a me assombrar. Não pela qualidade cinematográfica impecável – longe disso – mas pela audácia de sua premissa e pela capacidade, apesar de suas falhas, de me prender à tela. A trama gira em torno de Miguel Garza (um Sebastián Rulli que, convenhamos, vive de seu carisma), um jovem que retorna do Japão para assumir o império do avô no mundo do narcotráfico mexicano. A disputa pelo poder, alianças traiçoeiras e a luta pela sobrevivência são os pilares de uma história que, embora previsível em alguns momentos, consegue surpreender com reviravoltas surpreendentes.
Neste artigo:
Uma Direção Vacilante, um Roteiro Intrigante
A direção de O Último Dragão não se destaca. Há momentos de brilhantismo visual, principalmente nas cenas de ação, que são coreografadas com uma energia palpável. Porém, a série sofre de uma inconsistência narrativa. O ritmo oscila entre momentos de intensa tensão e outros de lentidão quase insuportável, prejudicando o envolvimento do espectador. O roteiro, por outro lado, é o ponto alto da produção. Arturo Pérez-Reverte, mesmo sem assinar a escrita de cada episódio, imprime sua marca inconfundível: o cinismo, a visão crua do poder e a ambiguidade moral dos personagens. Ele tece uma teia complexa de intrigas, que te deixa grudado na cadeira, mesmo que você já desconfie de quem está puxando os fios.
Atuações: Rulli Carrega o Trem, Mas o Conjunto Cumpre
Sebastián Rulli entrega uma performance convincente como Miguel Garza. Ele transita com naturalidade entre a fragilidade e a brutalidade, a sedução e a frieza calculada. Renata Notni, como Adela Cruz, compõe uma figura feminina complexa e independente, que se distancia dos estereótipos comuns nesse tipo de produção. Já Roberto Mateos, como Epigmenio Moncada, consegue criar um antagonista memorável, ameaçador e imprevisível. O restante do elenco entrega atuações sólidas, sem grandes destaques, mas sem comprometer o resultado final.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Criador | Arturo Pérez-Reverte |
| Elenco Principal | Sebastián Rulli, Renata Notni, Roberto Mateos, Irina Baeva, Juan Pablo Gil |
| Gênero | Drama, Action & Adventure |
| Ano de Lançamento | 2019 |
| Produtoras | Lemon Studios, W Studios, TelevisaUnivision |
Forças e Fraquezas: Um Cocktail Perigoso
A maior força de O Último Dragão reside na construção de seus personagens. São indivíduos complexos, com motivações ambíguas e moralmente duvidosas, o que os torna fascinantes e, ao mesmo tempo, aterradores. A trama consegue evitar maniqueísmos, mergulhando na ambivalência moral do mundo do crime organizado. Porém, a série peca pela inconsistência narrativa e pela direção irregular. A trama às vezes se perde em subplots desnecessários, diluindo o impacto da história principal.
Temas e Mensagens: Um Espelho Escuro da Realidade
O Último Dragão não se esquiva de mostrar a brutalidade do narcotráfico mexicano. A série aborda temas como corrupção, poder, traição e a desumanização causada pela busca incessante por riqueza e domínio. A mensagem, ainda que implícita, é clara: o desejo de poder, quando desprovido de limites éticos, leva à destruição. Em 2025, olhando para trás, podemos dizer que a série antecipou alguns debates sobre a intrincada rede de poder e influência no México, apesar de sua abordagem ficcional.
Conclusão: Vale a Pena a Viagem?
Apesar de seus defeitos, O Último Dragão é uma série que merece ser vista. Se você gosta de dramas com muita ação, personagens complexos e uma dose generosa de intriga, vai se encontrar preso à trama. Não espere uma obra-prima, mas sim uma experiência envolvente e surpreendente, capaz de deixar você pensando nos personagens e em seus destinos muito depois dos créditos finais. Recomendo sua visualização em plataformas digitais, especialmente se você é fã do gênero e gosta de explorar os tons mais escuros do ser humano. Afinal, às vezes, é nos lugares mais sombrios que encontramos as histórias mais fascinantes.




