O Verão em que Hikaru Morreu

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O Verão em que Hikaru Morreu: Uma Série que Queima Lentamente

Seis meses. Seis meses desde que Hikaru, um jovem aparentemente comum, desapareceu por uma semana, deixando para trás um rastro de perguntas sem respostas e a preocupação profunda de seu melhor amigo, Yoshiki. A premissa de O Verão em que Hikaru Morreu, série de animação que estreou em 2025, é simples, mas a execução é uma jornada complexa e, por vezes, desconcertante, que me deixou, como crítico, dividido entre fascínio e frustração.

A animação, com sua paleta de cores sutis e ambientes detalhados, consegue criar uma atmosfera opressiva, quase palpável. A escolha de representar o verão não como um período ensolarado e vibrante, mas sim como uma estação carregada de uma melancolia latente, foi uma decisão brilhante, que espelha a atmosfera da trama. A direção, embora não inovadora em termos técnicos, é eficiente em criar suspense e explorar a fragilidade emocional dos personagens.

O roteiro, no entanto, é onde a série brilha e tropeça simultaneamente. A construção da narrativa é lenta, metódica, o que, para alguns, pode ser considerado um defeito. Mas essa cadência controlada é fundamental para criar a tensão que permeia toda a série. A revelação gradual da verdade sobre o desaparecimento de Hikaru é um exercício de paciência para o espectador, exigindo atenção aos detalhes e uma capacidade de suportar a crescente sensação de angústia. Porém, essa mesma lentidão, em alguns momentos, beira o arrastado, com diálogos que poderiam ser mais concisos e sequências que se estendem além do necessário.

Atributo Detalhe
Produtores 藤原利紀, 倉兼千晶, 椛嶋麻菜美, 宮城雄大, 宮原慶太
Elenco Principal Chiaki Kobayashi, Shuichiro Umeda, Chikahiro Kobayashi, Wakana Kowaka, Yumiri Hanamori
Gênero Animação, Mistério, Drama, Ficção Científica e Fantasia
Ano de Lançamento 2025
Produtoras CygamesPictures, KADOKAWA, CyberAgent, Nippon Television Network Corporation

As atuações de voz, especialmente de Chiaki Kobayashi como Yoshiki e Shuichiro Umeda como Hikaru, são impecáveis. Kobayashi consegue transmitir a angústia e a determinação de Yoshiki com nuances sutis, enquanto Umeda, mesmo com sua presença limitada na tela, consegue dar vida à complexidade de Hikaru através de lembranças e flashbacks. Os demais personagens, como Tanaka, Rie e Asako, embora com papéis menos proeminentes, cumprem suas funções, adicionando camadas à história e ao desenvolvimento de Yoshiki.

A mistura de gêneros – animação, mistério, drama, ficção científica e fantasia – é o grande trunfo e, ao mesmo tempo, o calcanhar de Aquiles da série. A ficção científica e a fantasia se entrelaçam sutilmente com a narrativa central, criando um universo rico e instigante, que me deixou ansioso por mais respostas. Entretanto, a transição entre esses elementos nem sempre é suave, e alguns elementos de fantasia parecem, às vezes, um pouco forçados ou mal explicados.

Os temas abordados são complexos e relevantes: amizade, perda, culpa, e a busca pela verdade, mesmo que ela seja dolorosa. A série não oferece respostas fáceis, e essa ambiguidade é, em minha opinião, um ponto positivo, refletindo a complexidade da vida e a dificuldade de lidar com traumas.

O Verão em que Hikaru Morreu é, em resumo, uma série que exige paciência, mas que recompensa aqueles que persistem. A atmosfera densa, as atuações excepcionais e a narrativa intrigante fazem dela uma experiência cativante, apesar de suas falhas. Recomendo-a a quem aprecia dramas psicológicos com um toque sobrenatural e a capacidade de lidar com finais ambíguos. A série deixa mais perguntas do que respostas, o que, para mim, foi uma decisão ousada que, embora frustrante em alguns aspectos, contribuiu para a sua singularidade e permanece comigo dias depois de ter assistido ao último episódio. A produção da CygamesPictures, KADOKAWA, CyberAgent, e Nippon Television Network Corporation, embora conhecida por obras de qualidade, parece ter se arriscado com esta, e a ousadia, apesar de alguns desvios, rendeu um produto memorável. A recepção por parte de alguns críticos mais conservadores tem sido negativa, mas creio que o tempo mostrará o valor desta série como um trabalho único e significativo.

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