O soldado Robert Miller (Tobby Kebbell) volta para casa na Inglaterra depois de lutar na Guerra do Afeganistão. Desocupado e entrando em
O Veterano: Uma Busca por Justiça que Resvala na Mesmice?
Confesso, cheguei a O Veterano (2011) com altas expectativas. Toby Kebbell, um ator que sempre me surpreende com a versatilidade, no papel principal de um veterano de guerra lidando com o pós-trauma? Brian Cox, lendário, no elenco de apoio? A premissa, um thriller de ação com toques de suspense e um olhar sobre o PTSD, parecia promissora. Afinal, em 2025, a representação de veteranos em filmes ainda é um campo com espaço para nuances e complexidades. Mas, infelizmente, O Veterano, apesar de seus momentos brilhantes, se perde em um roteiro que, embora ambicioso, não consegue sustentar sua própria grandiosidade.
O filme acompanha Robert Miller (Kebbell), um soldado britânico que retorna do Afeganistão carregando as cicatrizes da guerra, tanto físicas quanto psicológicas. Desiludido com a vida civil, ele aceita um trabalho obscuro, tornando-se um agente infiltrado para uma organização misteriosa, em meio aos becos escuros de Londres. A trama se desenrola envolvendo tráfico de drogas, armas e uma conspiração que ameaça o próprio tecido da sociedade. Miller se vê imerso num turbilhão de violência, buscando justiça – uma justiça que, paradoxalmente, parece tão evasiva quanto a paz interior que ele tanto almeja.
A direção de Matthew Hope, em colaboração com o roteiro de Robert Henry Craft e ele mesmo, apresenta uma Londres sombria e realista. As cenas de ação são bem coreografadas, com momentos tensos e bem filmados. A estética, no entanto, não consegue fugir de certos clichês do gênero. Já vi isso tudo antes, e com maior impacto. Os planos-sequência, embora tentassem adicionar dinâmica, muitas vezes se mostraram cansativos, mais preocupados com a estética do que com a narrativa em si.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Matthew Hope |
| Roteiristas | Robert Henry Craft, Matthew Hope |
| Produtores | Kim Leggatt, Debbie Shuter |
| Elenco Principal | Toby Kebbell, Adi Bielski, Brian Cox, Tony Curran, Ashley Thomas |
| Gênero | Ação, Crime, Thriller |
| Ano de Lançamento | 2011 |
| Produtoras | Local Films, Premiere Picture, Veteran Pictures, Media Pro One, DMK Productions, Iconiq Group |
As atuações, no geral, são sólidas. Kebbell entrega uma performance convincente, transmitindo a fragilidade e a fúria contida de Miller com eficácia. O roteiro, porém, não lhe dá o devido espaço para explorar as complexidades do PTSD. A caracterização psicológica do personagem é superficial, perdendo a oportunidade de mergulhar na psique fragmentada de um homem quebrado pela guerra. Brian Cox, como sempre, brilha com sua presença imponente, mesmo com seu personagem subdesenvolvido. O elenco de apoio cumpre seu papel, mas sem grandes destaques.
Onde O Veterano realmente se perde é no roteiro. A trama, repleta de reviravoltas e conspirações, se torna confusa e pouco crível. A velocidade narrativa é inconsistente, alternando entre momentos de ação frenética e longos períodos de inércia. A falta de profundidade no desenvolvimento dos personagens secundários prejudica o impacto emocional da história. A busca por justiça de Miller, por exemplo, não consegue nos tocar tanto quanto deveria.
Apesar de seus defeitos, O Veterano não é um filme totalmente ruim. Ele consegue capturar a atmosfera opressiva das ruas de Londres e a tensão da vida de um agente secreto. Há momentos de suspense genuíno e a fotografia, em alguns pontos, é excepcional. Mas a falta de originalidade e o roteiro irregular impedem o filme de atingir seu pleno potencial.
Em 2011, O Veterano pode até ter sido recebido com certo entusiasmo por parte de alguns críticos, mas hoje, em 2025, fica claro que o longa-metragem não envelheceu bem. Ele representa uma oportunidade perdida de explorar a complexidade do PTSD em veteranos de guerra, optando, em vez disso, por um thriller genérico que não se destaca da multidão.
Recomendo O Veterano apenas para os entusiastas de filmes de ação e suspense que não se importam com roteiros previsíveis e personagens superficiais. Para quem busca uma abordagem mais profunda e complexa sobre o trauma de guerra e suas consequências, sugiro procurar outras opções. Não perca seu tempo se você espera algo inovador. É um filme que, para mim, fica mais no esquecimento do que na memória cinéfila.