Opus: Uma Ode Caótica ao Absurdo
Lançado em 2025, Opus chegou aos cinemas prometendo um mergulho visceral no submundo de um culto de celebridades, e entregou… algo. Algo fascinante, frustrante e, paradoxalmente, memorável. A sinopse já entrega o básico: uma jovem escritora, Ariel Ecton (uma Ayo Edebiri em estado de graça, aliás), é convidada para a mansão isolada de Alfred Moretti (um John Malkovich incrivelmente contido, surpreendentemente), lendária estrela pop desaparecida há trinta anos. O que se segue é uma espiral descendente para o absurdo, repleta de mistério, terror psicológico e personagens tão bizarros quanto memoráveis.
Direção, Roteiro e Atuações: Uma Dança Entre o Gênio e o Caos
Mark Anthony Green, que também assina o roteiro, demonstra uma ambição desmedida com Opus. A direção é visualmente impactante, explorando a atmosfera claustrofóbica da mansão e a vastidão opressora do deserto com maestria. A paleta de cores, ora vibrante, ora desbotada, reflete o estado psicológico dos personagens e o clima de crescente paranoia. Porém, essa ambição se mostra, em momentos, uma faca de dois gumes. A narrativa, embora repleta de reviravoltas, sofre com algumas lacunas e uma estrutura narrativa um tanto fragmentada. A vontade de abarcar inúmeros temas – a obsessão pela fama, a manipulação, a fragilidade da identidade – resulta em uma sensação de dispersividade em alguns momentos.
As atuações, por outro lado, são impecáveis. John Malkovich, como o enigmático Moretti, entrega uma performance sutil e profundamente inquietante, dominando a tela com uma presença quase sobrenatural. Ayo Edebiri demonstra uma versatilidade impressionante, conduzindo Ariel por uma jornada emocional complexa. Juliette Lewis e Murray Bartlett complementam o elenco com atuações fortes, incorporando à perfeição a loucura que permeia o universo de Opus.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Mark Anthony Green |
| Roteirista | Mark Anthony Green |
| Produtores | Joshua Bachove, Collin Creighton, Brad Weston, Poppy Hanks, Jelani Johnson |
| Elenco Principal | Ayo Edebiri, John Malkovich, Juliette Lewis, Murray Bartlett, Melissa Chambers |
| Gênero | Terror, Mistério, Thriller |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtoras | A24, Makeready, MACRO |
Pontos Fortes e Fracos: Um Balanço Delicado
Um dos grandes trunfos de Opus é a sua atmosfera. A sensação de desconforto e suspense é palpável, construída com maestria pela direção de arte e trilha sonora. A fotografia e o design de som contribuem para a imersão completa do espectador. A construção dos personagens secundários, cada um com suas peculiaridades e segredos obscuros, também merece destaque. Cada membro desse culto bizarro a Moretti é uma peça crucial no quebra-cabeça, e a revelação de suas motivações é um dos pontos altos do longa.
Porém, como mencionado antes, o roteiro, apesar de criativo, é o ponto fraco mais evidente. A trama se perde em momentos, e algumas subtramas ficam sem resolução satisfatória, deixando um gosto de “o que aconteceu?”. A critica antecipada, que apontava similaridades com “Midsommar” e “Dez Pequenos Negros”, não está completamente errada. Há ecos desses clássicos, mas Opus fracassa em encontrar sua própria voz de forma completa.
Temas e Mensagens: Uma Reflexão Perturbadora
Opus nos confronta com a natureza obscura da fama e o poder corrosivo do culto à personalidade. A película explora a fragilidade da identidade em um mundo obcecado por imagens e narrativas cuidadosamente construídas. A busca por significado e a busca desesperada pela imortalidade, por meio da celebridade ou de outros meios obscuros, são temas profundamente explorados e que ecoam na nossa própria realidade contemporânea. O filme não oferece respostas fáceis; ele nos deixa com uma sensação inquietante, reflexiva e, em alguns pontos, profundamente perturbadora.
Conclusão: Uma Experiência Cinematográfica Única
Opus não é um filme para todos. Sua estrutura não-linear e sua natureza ambígua podem frustrar alguns espectadores. Mas, para aqueles que apreciam filmes que desafiam convenções e exploram os limites do gênero de terror psicológico, Opus é uma experiência cinematográfica única e memorável. Recomendo a obra para aqueles que buscam algo além do convencional, que se sentem à vontade com a ambiguidade e que apreciam atuações magnéticas em uma história complexa, porém, repleta de momentos geniais. A A24, mais uma vez, arriscou, entregando um produto singular e repleto de potencial, mesmo que com algumas imperfeições. Vale a experiência de assistir ao filme, e analisá-lo posteriormente – a discussão e o debate são garantidos após os créditos finais.




