A Fé, o Amor e a Comédia Humana em Os Infiéis: Um Convite à Imperfeição
Olha, se tem uma coisa que me tira da cama em pleno outono paulistano, mesmo com a garoa fininha batendo na janela, é a promessa de uma boa história que não tem medo de remexer nas nossas certezas. E foi exatamente essa a sensação que tive ao folhear os primeiros materiais de divulgação de Os Infiéis, o novo filme de Tomás Fleck, que estreou este ano e já está dando o que falar. Por que resenhar um filme que lida com temas tão… digamos, delicados? Porque, no fundo, a vida é isso: uma dança constante entre o que cremos ser certo e o que o coração insiste em sentir. E Fleck, ah, Fleck parece entender isso como poucos.
Os Infiéis chega como um sopro de ar fresco no cenário do cinema nacional, misturando romance e comédia de um jeito que a gente ri, mas também para pra pensar. A trama, sem entregar muito, gira em torno de Isabel (Luciana Paes), uma mulher cuja vida parece estar trilhada por um caminho reto, talvez até demais. Mas o destino, ou o acaso, coloca em seu caminho o Padre Steve (Rafael Pimenta), um homem de fé inabalável, mas de uma humanidade que o torna vulnerável aos encantos do mundo lá fora. E aí, meu amigo, o terreno fica minado. A vida de Isabel e do Padre Steve se entrelaçam de um jeito que joga uma luz sobre a complexidade das escolhas, dos votos e da, bem, infidelidade em suas múltiplas formas. Não é uma história para julgar, mas para entender. Para rir da nossa própria imperfeição.
A performance de Luciana Paes como Isabel é simplesmente… visceral. A gente vê a luta interna dela, a dúvida dançando nos olhos quando ela se depara com a possibilidade de uma vida diferente daquela que imaginou. Não é só um amor que surge; é uma crise existencial, e Luciana a carrega com uma graça e uma força que seguram o filme. Você sente a pulsação do coração de Isabel, o tremor quase imperceptível nas mãos quando ela tem que tomar uma decisão difícil, o sorriso que tenta disfarçar a tormenta. E Rafael Pimenta? Ah, o Padre Steve! Ele não é um clérigo caricato, não. Pimenta nos entrega um homem de fé genuína, mas que se vê assombrado por sentimentos que ele provavelmente pensou que jamais experimentaria. Há momentos em que o silêncio dele grita mais do que qualquer diálogo, e a gente consegue ver a batalha entre o chamado divino e o apelo terreno estampada em cada ruga de preocupação na sua testa. É uma aula de sutileza.
Não posso deixar de mencionar a participação de Edu Mendas como Padre Jesus, que serve como um contraponto, talvez um pouco mais pragmático ou cômico, ao dilema de Steve. E a figura imponente de Leandro Firmino como o Bispo Dom Dominic adiciona a dose certa de peso institucional à narrativa, lembrando que certas escolhas têm consequências que transcendem o individual. Emilio Farias, como Aníbal, o outro lado dessa moeda romântica, consegue trazer uma solidez que, paradoxalmente, torna a escolha de Isabel ainda mais difícil e crível.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Tomás Fleck |
| Roteirista | Tomás Fleck |
| Produtores | Gabriel Nogueira, Elisa Brites |
| Elenco Principal | Luciana Paes, Rafael Pimenta, Edu Mendas, Leandro Firmino, Emilio Farias |
| Gênero | Romance, Comédia |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtora | Jubarte Creative Production BR |
Tomás Fleck, o diretor e roteirista, tem um olhar cirúrgico para as relações humanas. Ele não busca respostas fáceis; ele explora as perguntas. Em Os Infiéis, Fleck nos presenteia com um roteiro que é como um emaranhado de vinhas, onde cada galho leva a uma nova perspectiva sobre amor, fé e compromisso. A comédia não é forçada, não é pastelão; ela surge das situações embaraçosas, das ironias do destino, daquelas risadas nervosas que a gente dá quando a vida nos prega uma peça. A direção de Fleck é precisa, os quadros são pensados para realçar a emoção, seja ela de angústia ou de um riso contido. É como observar um pintor que usa cores vibrantes para momentos de alegria e tons mais sombrios para as incertezas, mas tudo dentro da mesma tela complexa e bonita.
A produção da Jubarte Creative Production BR, com Gabriel Nogueira e Elisa Brites na linha de frente, merece aplausos. A qualidade técnica é impecável, desde a fotografia, que embeleza tanto os claustros de uma igreja quanto os cenários urbanos, até a trilha sonora, que pontua as emoções sem roubar a cena. Você sente o cheiro do incenso na igreja, a brisa suave de uma noite de verão, a tensão que se instala no ar quando um segredo ameaça vir à tona. É uma experiência imersiva que te puxa para dentro da história, quer você queira ou não.
O título, Os Infiéis, é uma provocação por si só, não é? Quem são os infiéis aqui? São aqueles que quebram votos sagrados? Ou são aqueles que se mantêm fiéis a compromissos que, no fundo, já não lhes servem? Fleck nos convida a questionar a rigidez de certas estruturas e a flexibilidade da alma humana. Ele não aponta dedos; ele nos convida a um exercício de empatia, mostrando que, por trás de cada escolha, há uma pessoa, com suas dores, seus medos e seus anseios. É um filme que me fez sair do cinema pensando naquelas pequenas e grandes “infidelidades” que todos nós, em algum momento da vida, cometemos — seja com o outro, seja com nós mesmos, seja com um ideal.
Os Infiéis não é só um filme; é um espelho. Um espelho que reflete as nossas próprias contradições, os nossos desejos mais ocultos e a nossa busca incessante por um lugar no mundo onde possamos ser, verdadeiramente, nós mesmos. Não é sobre certo ou errado, mas sobre o cinza que existe entre eles, o espaço onde a vida real acontece. É uma comédia que te faz rir, e um romance que te faz suspirar, mas, acima de tudo, é uma história que te faz sentir.
E você, já se viu em alguma situação onde a fé e o amor pareciam estar em caminhos opostos? Conte para nós nos comentários!




