Padel Nosso: Uma Comédia que Sai da Quadra e Entra em Casa (e no Coração)
Lançado em 2025, Padel Nosso, da Tiki Pictures, prometia uma comédia leve sobre a obsessão pelo padel. A sinopse já entregava a premissa: Max e Pablito, dois amigos tão apaixonados pelo esporte que suas famílias sofrem as consequências. A reviravolta? Helena e Soledad, as esposas, cansadas da situação, decidem se juntar à disputa, levando a uma divertida e inesperada guerra dos sexos na quadra. Mas, como um bom crítico, devo ir além da sinopse.
A direção consegue equilibrar a comédia física, típica das comédias latinas, com momentos de observação perspicaz sobre relacionamentos. Há um bom timing cômico, com piadas que funcionam tanto para quem entende a dinâmica familiar quanto para quem simplesmente quer uma boa gargalhada. O roteiro, por vezes, se perde em subplots desnecessárias, mas a energia do elenco consegue segurar as pontas. A construção das personagens é onde o filme se destaca verdadeiramente. Max e Pablito, inicialmente caricatos em sua paixão desmedida, ganham profundidade, mostrando a fragilidade por trás da fachada jocosa. As esposas também escapam da armadilha do estereótipo da “esposa brava”, ganhando motivações e histórias próprias que impulsionam a narrativa.
A atuação é, sem dúvidas, o ponto alto de Padel Nosso. A química entre os atores principais é palpável, criando um tom de naturalidade que prende o espectador. O filme consegue explorar com maestria a comédia de situações, a comédia física e o humor verbal, sem nunca parecer forçado ou deslocado. Há momentos memoráveis, sequências que ficam na cabeça muito depois dos créditos finais. A atuação, nesse sentido, é impecável, carregando nas costas alguns tropeços do roteiro.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Gênero | Comédia |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtora | Tiki Pictures |
Apesar do brilho das atuações e da direção segura, Padel Nosso peca por alguns desvios. A trama, como já mencionei, se dispersa em alguns momentos, tornando o ritmo irregular. Há um ou outro artifício narrativo um pouco maniqueísta, utilizado com a intenção de gerar risos fáceis, mas que poderia ter sido refinado. A resolução de alguns conflitos também é um pouco abrupta, deixando algumas pontas soltas que poderiam ter sido melhor amarradas.
No entanto, esses pontos fracos não ofuscam completamente o que Padel Nosso entrega de bom. O filme aborda de forma inteligente e divertida temas como a busca pelo equilíbrio entre a vida pessoal e os hobbies, as dinâmicas familiares e a importância da comunicação dentro do casal. A mensagem é clara: a paixão por algo, por mais intensa que seja, não deve anular as outras áreas importantes da vida. É um tema universal, e o filme o aborda de forma leve, mas sem superficialidade. O final, embora previsível, é satisfatório e deixa um gostinho de quero mais.
Padel Nosso não será um filme que entrará para a história do cinema, mas é uma ótima opção para uma noite descontraída em frente à tela. A comédia funciona, os personagens são memoráveis e a trama, apesar de seus defeitos, é envolvente. Recomendo fortemente para quem procura uma comédia leve, divertida e com um toque de reflexividade sobre a vida em família e a busca pelo equilíbrio. A Tiki Pictures entregou uma produção agradável e divertida, provando que a comédia brasileira continua viva e chutando a bola (ou melhor, a raquete) para a frente. Aguardamos ansiosamente pelos próximos projetos da produtora, com a esperança de que consigam superar o nível de qualidade alcançado por Padel Nosso.




