Pai A Gente Só Tem Um 3

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Pai, a Gente Só Tem Um 3: Uma Comédia Familiar que Encontra seu Ritmo (ou Não)

Três anos se passaram desde o lançamento de “Pai, a Gente Só Tem Um 3”, em 2022. E cá estou eu, revisitando este longa-metragem de Santiago Segura, um nome que, confesso, me causa uma espécie de fascínio-repulsa. Adoro a ousadia, a irreverência, a capacidade de explorar o pastelão espanhol com uma maestria quase inigualável, mas às vezes… bem, às vezes ele se perde no próprio molho. E, em “Pai, a Gente Só Tem Um 3”, o risco de se afogar nesse molho estava mais presente do que nunca.

A sinopse, sem spoilers, é simples: as filhas de Javier, interpretado pelo próprio Segura, destroem um presépio antigo e de valor inestimável, desencadeando uma série de eventos hilários (na teoria) em busca de uma substituição. O núcleo familiar, com suas peculiaridades e dinâmicas, é o palco para essa comédia que tenta equilibrar momentos de ternura com a habitual avalanche de gags físicas e piadas mais ou menos refinadas.

Santiago Segura, além de protagonista, assume a direção e a co-roteirizacao com Marta González de Vega. E aqui reside, talvez, o maior problema do filme. A direção, embora competente em criar o ritmo frenético característico do humor espanhol, sofre com a falta de foco. O roteiro, por sua vez, se esforça demais para encaixar piadas, muitas vezes em detrimento do desenvolvimento da trama e da construção dos personagens. Apesar do elenco talentoso – Toni Acosta, uma vez mais, rouba a cena com sua interpretação carismática e Martina D”Antiochia, Calma Segura e Luna Fulgencio entregando performances adequadas às suas personagens – a dispersão do roteiro prejudica o desempenho de todos, incluindo o próprio Segura, que, apesar de sua presença cativante, parece menos à vontade do que em outros trabalhos.

Atributo Detalhe
Diretor Santiago Segura
Roteiristas Marta González de Vega, Santiago Segura
Produtores Santiago Segura, María Luisa Gutiérrez
Elenco Principal Santiago Segura, Toni Acosta, Martina D’Antiochia, Calma Segura, Luna Fulgencio
Gênero Comédia, Família
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Bowfinger, Atresmedia, Sony Pictures International Productions, Mogambo Films

Os pontos fortes? A química entre o elenco, inegável. A vontade de divertir, evidente em cada cena. A tentativa, ainda que não sempre bem-sucedida, de criar personagens femininas fortes e complexas, rompendo com alguns clichês. Mas seus pontos fracos acabam por superar as qualidades. A trama, como já mencionei, é fraca, superficial e previsível. O humor, em diversos momentos, se torna repetitivo e forçado, apelando para o pastelão mais baixo sem a sutileza necessária para ser realmente eficaz.

A mensagem principal? Ah, a mensagem… Se existe uma, ela se perde no turbilhão de eventos cômicos. É uma tentativa de celebrar a família, o Natal e a importância dos laços afetivos, mas fica tão diluída em gags que quase desaparece. É como se o filme dissesse: “olha que legal a família, mas olha essa piada!”; a disputa de atenção entre os temas e a comédia resulta numa experiência frustrante.

Em suma, “Pai, a Gente Só Tem Um 3” é um filme que se apresenta como uma comédia familiar divertida, mas não consegue entregar totalmente essa promessa. É uma produção que, apesar do elenco talentoso e de alguns momentos genuinamente engraçados, peca pela falta de foco e por um roteiro que prioriza a quantidade de piadas à qualidade do humor. Recomendo-o apenas para fãs incondicionais de Santiago Segura, aqueles que não se importam com um filme um tanto desigual e que se satisfazem com uma boa dose de pastelão sem muita pretensão. Para quem busca uma comédia familiar mais elaborada e inteligente, sugiro procurar alternativas. A recepção, se olharmos para o retrospecto desde seu lançamento em 2022, foi relativamente morna, e essa revisão, de setembro de 2025, não muda muito minha opinião inicial. Ainda assim, uma noite de pipoca em família pode ser garantida, dependendo da tolerância do seu grupo para com a comédia mais “batida”.

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