Pantera Negra: Wakanda para Sempre: Uma Ode à Perda e à Resiliência
Três anos se passaram desde o lançamento de Pantera Negra em 2018, e a sombra da perda de Chadwick Boseman ainda paira, não só sobre a produção de Wakanda para Sempre, mas sobre todos nós que amamos o ator e o personagem icônico que ele interpretou. Em 2022, a Marvel Studios lançou a sequência, um filme que, honestamente, me deixou dividido, mas que também me tocou profundamente. Era impossível esquecer o elefante na sala, a ausência sentida de T’Challa, e o filme, em sua ambição e, por vezes, em suas falhas, tenta lidar com isso de frente.
O longa acompanha a rainha Ramonda, Shuri, M’Baku, Okoye e as Dora Milaje enquanto tentam proteger Wakanda de novas ameaças, surgidas após a morte do rei. A sinopse, propositalmente vaga, é necessária para evitar spoilers, pois o roteiro, escrito por Ryan Coogler e Joe Robert Cole, surpreende em vários momentos com reviravoltas que afetam profundamente a narrativa. Um novo personagem, Namor, interpretado magistralmente por Tenoch Huerta Mejía, se destaca como uma força complexa, não apenas um vilão, mas um líder com seus próprios dilemas e motivações, enriquecendo a complexidade política da trama.
Ryan Coogler, mais uma vez na direção, demonstra uma sensibilidade excepcional na abordagem da dor e da resiliência. O luto é palpável em cada cena, e a decisão de não substituir T’Challa, mas sim de lidar com a sua ausência como um elemento central da narrativa, é uma decisão ousada e, em minha opinião, acertada. A fotografia é deslumbrante, os figurinos são exuberantes, e a trilha sonora, como esperado, é uma obra-prima, contribuindo para a emoção carregada em cada sequência.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Ryan Coogler |
| Roteiristas | Ryan Coogler, Joe Robert Cole |
| Produtores | Nate Moore, Kevin Feige |
| Elenco Principal | Letitia Wright, Tenoch Huerta Mejía, Lupita Nyong'o, Danai Gurira, Winston Duke |
| Gênero | Ação, Aventura, Ficção científica |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtora | Marvel Studios |
As atuações são um ponto forte do filme. Letitia Wright como Shuri, em um desempenho potente e nuançado, carrega o peso emocional do filme em seus ombros com impressionante talento. Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Winston Duke também entregam atuações memoráveis, construindo personagens complexos e com profundidade. A química entre todo o elenco é visível, gerando um impacto que vai além da tela.
Entretanto, o filme não está livre de falhas. Algumas escolhas narrativas podem parecer apressadas, e a tentativa de abordar diversos temas simultaneamente, como o luto, a política internacional, e a introdução de uma nova ameaça, ocasionalmente pesa na trama, criando momentos que parecem um tanto superficiais. O terceiro ato, por exemplo, poderia ter sido melhor trabalhado, oferecendo um clímax mais impactante e menos apressado.
Wakanda para Sempre aborda temas importantes como o peso do legado, a responsabilidade do poder, e a busca pela identidade numa sociedade em transição. O filme é uma ode à cultura africana, retratada com beleza e respeito, e serve como um reflexo da sociedade contemporânea, com suas desigualdades e conflitos. A exploração da cultura maia, através da introdução de Talokan, é igualmente fascinante e digna de nota, mesmo que a sua incorporação à narrativa possa ser considerada, por alguns, ligeiramente forçada.
Na conclusão, Pantera Negra: Wakanda para Sempre é uma experiência cinematográfica complexa e emocionalmente carregada. Apesar de suas imperfeições, o filme é imperdível para os fãs do MCU e para aqueles que apreciam filmes que abordam temas relevantes e delicados com sensibilidade e coragem. Não é um filme perfeito, mas é um filme que ressoa, que te faz pensar e sentir, e que, no final das contas, é um testemunho comovente à arte de lidar com a perda e celebrar a vida. Recomendaria sua exibição em plataformas digitais, lembrando sempre a importância de assisti-lo com o devido respeito e compreensão do contexto da sua produção. Em 2025, ele permanece como um filme marcante e inesquecível, uma prova da capacidade do cinema de nos tocar profundamente.




