Parasita

Parasita: Uma Obra-Prima que Continua a Assombrar

Seis anos se passaram desde que assisti pela primeira vez a Parasita, e a experiência ainda me assombra. Não falo de um assombro barato, daqueles que te deixam inquieto por uma noite. Falo de uma inquietação persistente, um incômodo que se instala na memória e se recusa a partir. Bong Joon-ho, com sua genialidade perturbadoramente lúcida, entregou em 2019, e lançado no Brasil em 7 de novembro do mesmo ano, muito mais do que um filme – entregou uma experiência visceral, um estudo de classe tão inteligente quanto brutal.

A sinopse é simples, quase enganadora: uma família pobre e desempregada se infiltra na casa de uma família rica, planejando uma ascensão social através de uma série de mentiras e artimanhas. Mas a simplicidade da premissa é precisamente o que permite que Parasita exploda em uma complexidade arrebatadora.

Bong Joon-ho, como mestre da direção que é, tece uma narrativa meticulosa, repleta de simbolismos e detalhes sutis que constroem uma atmosfera carregada de tensão crescente. A câmera, ora observadora, ora intrusiva, acompanha a família Kim em sua perigosa escalada social, revelando a podridão que se esconde por trás da fachada de riqueza e perfeição. A escolha da fotografia, com seus tons quentes e frios contrastantes, realça a disparidade entre os dois mundos, quase palpável na tela.

Atributo Detalhe
Diretor Bong Joon-Ho
Roteiristas 한진원, Bong Joon-Ho
Produtores Jang Young-hwan, Moon Yang-kwon, 곽신애, Bong Joon-Ho
Elenco Principal Kang-ho Song, Sun-kyun Lee, Yeo-Jeong Cho, Woo-sik Choi, So-dam Park
Gênero Comédia, Thriller, Drama
Ano de Lançamento 2019
Produtora Barunson E&A

O roteiro, co-escrito pelo próprio Bong Joon-ho e Han Jin-won, é uma obra-prima de engenharia narrativa. A construção dos personagens é magistral, evitando estereótipos e revelando a complexidade moral de cada um. Ki-taek (Kang-ho Song), Ki-woo (Woo-sik Choi), Ki-jung (So-dam Park) e Chung-sook (Yeo-Jeong Cho) não são meros vilões ou vítimas; são pessoas reais, lutando pela sobrevivência em um sistema brutalmente injusto. E as atuações? Impecáveis! O elenco inteiro está no auge, entregando performances visceralmente autênticas e poderosas. A química entre os atores é palpável, amplificando a tensão e o drama.

A Perfeição Imperfeita

Apesar de sua quase perfeição técnica e narrativa, Parasita não é isento de críticas. Alguns podem argumentar que o terceiro ato é um tanto acelerado, sacrificando um pouco do realismo em prol do impacto emocional. Para mim, porém, esse “desvio” da realidade intensifica a experiência, transformando-a em algo quase onírico, um pesadelo que nos força a confrontar a crueldade do mundo.

Um Reflexo Amargo da Realidade

Parasita não é apenas um thriller psicológico brilhante; é uma crítica ferina à desigualdade social. O filme desnuda a hipocrisia da classe dominante, expondo sua cegueira para a miséria que existe a poucos metros de suas portas. O simbolismo recorrente, como a chuva torrencial que ameaça submergir a família pobre e a presença opressiva do cheiro peculiar que invade a mansão, são poderosos exemplos dessa crítica implacável. O conceito de “caste violence”, presente na obra, nos força a refletir sobre como as estruturas sociais perpetram e perpetuam a violência de forma quase invisível.

Acho particularmente interessante como Parasita transcende a simples denúncia da exploração de classes. Ele questiona a lógica do capitalismo, explorando a dinâmica de poder, a manipulação e a corrupção intrínsecas em um sistema que promove a competição desenfreada e desumaniza as pessoas. Concordo com aqueles que dizem que o filme vai além, desafiando a lógica do capital, como um dos trechos de críticas citados sugere.

Um Legado Duradouro

Parasita, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2020, marcou um momento importante na história do cinema. A recepção crítica foi quase universalmente positiva, consagrando Bong Joon-ho como um dos maiores cineastas de nossa geração. Mas, para mim, a verdadeira prova de seu valor reside na sua capacidade de permanecer relevante, de continuar a gerar discussões e a provocar reflexões – mesmo seis anos após sua estreia.

Recomendo Parasita a todos. Não importa se você é fã de thrillers, dramas ou comédias negras – este filme vai te confrontar, te perturbar e, ao mesmo tempo, te fascinar com sua maestria. Prepare-se para uma experiência cinematográfica inesquecível, uma obra-prima que permanecerá gravada em sua memória por muito tempo. Afinal, quem consegue esquecer a imagem daquela família desesperada, escondida no porão, num cenário tão abruptamente mudado?

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