Páscoa Negra: Uma Ficção Científica que Busca a Fé, Mas Encontra a Terra Média
Quatro anos após seu lançamento, Páscoa Negra ainda me persegue. Não pelas imagens arrebatadoras – embora algumas existam – mas pela ambição ousada, quase temerária, do projeto. Jim Carroll, que assina a direção e o roteiro, arrisca-se em uma narrativa de ficção científica que flerta com a grandiosidade bíblica, misturando a construção de uma máquina de transferência de matéria com dramas pessoais intensos. A sinopse, em poucas palavras, resume a premissa: os maiores cérebros do mundo unem forças para criar uma tecnologia que promete revolucionar a compreensão humana do universo. Mas, claro, como em toda boa história de ficção científica, o caminho para a inovação é pavimentado com conflitos éticos e perigos existenciais.
A direção de Carroll é um ponto fascinante. Há momentos de real beleza visual, instantes onde a grandiosidade da tarefa científica se funde com a fragilidade da condição humana. Porém, a narrativa peca por vezes em inconsistência. A transição entre os momentos de alta tensão e os diálogos mais intimistas às vezes soa abrupta, quebrando o ritmo. O roteiro, também de Carroll, ambiciona a profundidade, explorando temas complexos de fé e destino, mas em alguns momentos se perde em diálogos expositivos e previsíveis.
O elenco, encabeçado por Jason Castro como Jesus – uma escolha audaciosa e que por si só já garante uma entrada no hall da fama das escolhas de casting mais comentadas – consegue momentos de brilho. A performance de Castro é, no mínimo, memorável; apesar de carregar o peso de um nome tão carregado de simbolismo, ele encontra nuances em sua interpretação, transmitindo a humanidade do personagem mesmo diante de uma situação extraordinária. Anthony Crivello, Cesar D’ La Torre e Donny Boaz completam o elenco com atuações sólidas, embora alguns personagens possam parecer subdesenvolvidos pela pressa narrativa.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Jim Carroll |
| Roteirista | Jim Carroll |
| Elenco Principal | Jason Castro, Anthony Crivello, Cesar D' La Torre, Donny Boaz |
| Gênero | Ação, Aventura, Drama, Ficção científica |
| Ano de Lançamento | 2021 |
Os pontos fortes do filme residem na sua ousadia conceitual e no potencial dramático que a premissa oferece. A ideia de transferir matéria, em todas as suas implicações filosóficas e teológicas, é fascinante e raramente explorada com tanta intensidade. O filme, no entanto, tropeça em seus pontos fracos. O ritmo irregular, a inconsistência na direção e a falta de aprofundamento em alguns personagens prejudicam a experiência como um todo. A trama se torna, em certos momentos, confusa, optando por um suspense superficial em detrimento de uma exploração mais profunda das questões levantadas.
Páscoa Negra não é um filme perfeito, longe disso. Mas é um filme que, apesar de suas imperfeições, consegue ser envolvente e memorável. A ousadia de Carroll, tanto em sua direção quanto na escolha da premissa, é admirável. Ele tenta abarcar temas grandiosos, e ainda que não consiga alcançá-los na sua totalidade, o esforço é palpável. Recomendaria este filme para aqueles que apreciam ficção científica com um toque de drama existencial e que não se importam com um roteiro que, apesar de ambicioso, apresenta algumas falhas. Se você busca um espetáculo visual impecável e uma trama linear e previsível, talvez este não seja o filme para você. Mas se busca um filme que te faça pensar, que te provoque e que, acima de tudo, seja memorável pela sua ousadia, então vale a pena conferir Páscoa Negra.




