Passagem Secreta

Mulher séria, homem de terno e jovens. Naves voam, parque de diversões ao fundo. Cores escuras, clima de mistério e aventura.

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Ah, “Passagem Secreta”. Sabe, desde que me deparei com a sinopse em 2021, algo me fisgou. Talvez seja porque, no fundo, todos nós, em algum momento da vida, fomos uma Alice. Aquela sensação de ser jogado em um novo lugar, a incerteza do desconhecido, a urgência de encontrar um “nosso” grupo, um propósito. É um filme que, quatro anos após sua estreia em janeiro de 2021, ainda me faz revisitar aquelas tardes de sábado na frente da tela, com a mesma curiosidade e um leve ar de nostalgia.

Rodrigo Grota, na direção, e Roberta Takamatsu, no roteiro, da Kinopus Audiovisual, não se contentaram em nos dar apenas uma história de amizade juvenil. Eles nos presenteiam com uma tapeçaria rica em aventura, fantasia e uma dose intrigante de ficção científica e mistério, tudo embrulhado de uma forma que fala diretamente ao coração. Não é só sobre a jornada da Alice; é sobre a jornada de descoberta que todos nós, em idades diferentes, empreendemos.

O filme nos joga no universo de Alice, interpretada com uma doçura e uma força crescentes por Luiza Quinteiro. Ela chega a essa pequena cidade, uma tela em branco para suas novas experiências, e logo se vê cercada por um trio improvável, mas cativante: Sofia (Sofia Cornwell), Vico (João Guilherme Ota) e Hugo, carinhosamente apelidado de Orelha (Tiago Daniel). A química entre eles é palpável, sabe? Aqueles risos soltos, os olhares de cumplicidade, as brigas bobas que só fortalecem os laços. É um retrato tão genuíno da adolescência que quase sinto o cheiro da pipoca e a adrenalina das primeiras grandes aventuras ao lado dos amigos.

A narrativa ganha um corpo robusto quando a turma decide invadir um parque de diversões, um cenário que, por si só, já evoca uma mistura de magia e um certo ar de abandono melancólico. É ali, entre brinquedos parados e luzes talvez há muito apagadas, que Alice precisa resgatar um de seus novos colegas. Mas o que ela encontra vai muito além de um simples resgate. É uma revelação sobre a sua própria identidade, um segredo enterrado que começa a vir à tona, obrigando-a a fazer escolhas que a moldarão para sempre.

Atributo Detalhe
Diretor Rodrigo Grota
Roteirista Roberta Takamatsu
Elenco Principal Luiza Quinteiro, Sofia Cornwell, João Guilherme Ota, Tiago Daniel, Arrigo Barnabé
Gênero Aventura, Família, Fantasia, Ficção científica, Mistério
Ano de Lançamento 2021
Produtora Kinopus Audiovisual

E aqui reside a genialidade do roteiro de Roberta Takamatsu: ela não apenas desenrola a trama, mas também tece camadas complexas de auto-descoberta. Não é um “preto no branco” simplista de herói e vilão. Há nuances. Há a sabedoria silenciosa e misteriosa do personagem de Rui, interpretado por ninguém menos que o mestre Arrigo Barnabé, cuja presença em cena já carrega um peso de mistério e uma sabedoria ancestral. Ele é aquele elo que liga o presente de Alice a um passado que ela nem imaginava. Suas palavras, poucas e pontuais, são como chaves que abrem portas para um entendimento maior.

Rodrigo Grota, com sua direção, consegue equilibrar a leveza da aventura familiar com o peso do suspense e da fantasia. A câmera de Grota não apenas mostra os cenários, ela nos transporta para dentro deles. Você sente o vento no rosto dos personagens enquanto correm, a apreensão nos olhos de Alice quando as peças do quebra-cabeça começam a se encaixar. É como se ele nos dissesse: “Venha, sente-se ao lado da Alice, sinta o que ela sente, descubra com ela”. Os elementos de ficção científica não são jogados aleatoriamente; eles se entrelaçam de forma orgânica, dando uma profundidade inesperada à fantasia e ao mistério. Não é um clichê de “outro mundo”, mas sim uma exploração de como o extraordinário pode residir no mais ordinário dos lugares, à espera de ser descoberto.

Quatro anos se passaram desde que Passagem Secreta chegou aos cinemas brasileiros. E, se você me perguntar agora, em 2025, se ele ainda ressoa, a resposta é um sonoro sim. Ele não é apenas um filme sobre uma passagem secreta; é uma passagem para dentro de nós mesmos, para a coragem que temos que encontrar diante do desconhecido, para a força da amizade que nos ampara e para as escolhas que definem quem somos. É um lembrete de que, às vezes, as maiores aventuras não estão em terras distantes, mas sim nos segredos que carregamos e nas amizades que cultivamos. Um filme que, com certeza, merece ser redescoberto.

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