Plan V

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A cinematografia contemporânea mexicana frequentemente encontra maneiras de reinterpretar gêneros populares com uma sensibilidade cultural própria. Em Plan V, lançado em 17 de agosto de 2018, Fez Noriega oferece uma visão vibrante e multifacetada de uma comédia romântica juvenil que, à primeira vista, parece ser apenas uma divertida história de vingança, mas que se revela uma exploração mais complexa das dinâmicas de poder e vulnerabilidade nas relações amorosas.

Longe de ser apenas uma narrativa de retaliação superficial, Plan V se estabelece como um comentário astuto sobre a busca feminina por agência e revalidação após uma experiência traumática. A tese central do filme reside na forma como ele disfarça uma jornada de empoderamento sob o manto da comédia leve. Paula, ferida por um relacionamento anterior, não busca apenas vingança no sentido literal, mas uma espécie de catarse coletiva ao lado de Jennifer e Fernanda. A premissa de seduzir um jovem virgem para “se divertir” com homens transcende a malícia, transformando-a em uma provocação calculada à masculinidade e uma tentativa de Paula de recuperar o controle sobre sua própria narrativa emocional. O filme questiona os limites da vingança como terapia e a verdadeira natureza do empoderamento, sugerindo que a linha entre a diversão e a cura, ou mesmo a manipulação, é tênue.

Fez Noriega, conhecido por sua habilidade em infundir energia e cores vibrantes em suas obras, eleva Plan V acima do típico. A direção de Noriega é caracterizada por uma estética pop e um ritmo ágil, que se manifestam na montagem dinâmica e na escolha de uma paleta de cores saturadas que refletem o espírito jovem e afervescente do enredo. O diretor emprega transições rápidas e uma trilha sonora pulsante para pontuar os momentos de planejamento e execução da “Operação V”, criando uma sensação de cumplicidade com o público. Contudo, Noriega também demonstra sutileza, desacelerando o ritmo em cenas-chave de introspecção de Paula, muitas vezes utilizando planos médios que capturam a hesitação e a vulnerabilidade sob a fachada de bravata. Essa dualidade na direção é crucial para a tese do filme, mostrando que a diversão mascarada esconde camadas mais profundas de dor e busca por significado.

A análise técnica de Plan V revela a meticulosidade na construção de seus elementos. O roteiro, assinado por uma equipe multifacetada (Ricardo Alvarez Canales, Adriana Pelusi, Desirée Sánchez, Romina Sacre, Sara Seligman, Miguel Hervás), é notavelmente perspicaz em seus diálogos, equilibrando humor afiado com momentos de genuína emoção. A estrutura narrativa mantém um fluxo constante, com reviravoltas que desafiam as expectativas, especialmente quando a conexão de Paula com Luis começa a se aprofundar, complicando o plano inicial.

Direção Fez Noriega
Roteiro Ricardo Alvarez Canales, Adriana Pelusi, Desirée Sánchez, Romina Sacre, Sara Seligman, Miguel Hervás
Elenco Principal Natasha Dupeyrón (Paula), Stephanie Gerard (Jennifer), María Gabriela de Faría (Fernanda), Tamara Vallarta (Laurentina), José Pablo Minor (Luis)
Gêneros Comédia, Romance
Lançamento 17/08/2018
Produção Videocine

A atuação é o pilar central que sustenta a narrativa. Natasha Dupeyrón entrega uma performance notável como Paula, transicionando com maestria entre a fachada de confiança e a vulnerabilidade latente. Sua expressão na cena do primeiro encontro “acidental” com Luis, onde um sorriso forçado esconde uma pontada de ansiedade, é um microcosmo de sua jornada. Stephanie Gerard (Jennifer) e María Gabriela de Faría (Fernanda) fornecem um suporte cômico essencial, com uma química palpável que eleva a dinâmica do trio. Suas interações, repletas de tiradas espirituosas e gestos de apoio, são a âncora emocional do filme. José Pablo Minor (Luis) é convincente em seu papel de alvo inocente, dotando o personagem de uma doçura e ingenuidade que tornam a manipulação de Paula ainda mais complexa e moralmente ambígua. A fotografia, com sua luminosidade e cores vibrantes, serve para realçar a atmosfera jovial, mas também se adapta para criar um contraste visual em momentos de tensão ou revelação.

Os temas centrais de Plan V giram em torno da vingança como forma de catarse, a inquebrável força da amizade feminina e a busca por autenticidade em um mundo de relacionamentos superficiais. A vingança de Paula, embora iniciada por diversão, rapidamente se torna um veículo para explorar a sua própria cura e a redefinição de sua autoestima. Em uma cena crucial, durante uma noite de confidências com suas amigas, a fragilidade de Paula é revelada enquanto ela verbaliza a dor de sua experiência passada, contrastando com a imagem de invulnerabilidade que tenta projetar. A amizade entre Paula, Jennifer e Fernanda é inabalável, servindo como uma rede de apoio que permite a exploração de temas delicados como a toxicidade de relacionamentos passados e a pressão para se encaixar em expectativas sociais. O filme também aborda, de forma sutil, a questão da masculinidade frágil e a inocência, questionando o que realmente significa ser um “homem” e um “amor” em um contexto moderno.

Plan V se insere de forma proeminente no nicho da Comédia Romântica Juvenil de Empoderamento Feminino com Elementos de Vingança. Este subgênero se caracteriza por protagonistas femininas que, após serem feridas ou desvalorizadas, buscam reverter o jogo, muitas vezes através de planos elaborados e com o apoio de suas amigas, culminando em lições sobre amor-próprio e crescimento.

Uma comparação pertinente pode ser feita com “Todas Contra John” (John Tucker Must Die, 2006), que compartilha a premissa de um grupo de amigas unindo forças para orquestrar uma vingança contra um homem que as enganou. Ambos os filmes utilizam a comédia para abordar temas de traição, solidariedade feminina e a inversão de poder nas relações, com um enfoque na resiliência e na astúcia das protagonistas. Outro paralelo relevante é “Meninas Malvadas” (Mean Girls, 2004), embora com um foco mais amplo em dinâmicas sociais e bullying, ainda ressoa com a exploração da manipulação e dos grupos femininos em busca de controle dentro do ambiente escolar e social, com uma dose elevada de humor e comentário cultural. Enquanto “Meninas Malvadas” satiriza as hierarquias sociais adolescentes, Plan V concentra-se mais diretamente na cura pós-trauma e na busca por um novo tipo de validação, desafiando noções pré-concebidas de vingança e romance.

Plan V emerge como uma comédia romântica juvenil que transcende sua premissa inicial de vingança para oferecer uma reflexão instigante sobre empoderamento feminino e a complexidade dos sentimentos. Com uma direção vibrante de Fez Noriega e atuações carismáticas que dão vida a um roteiro inteligente, o filme consegue ser ao mesmo tempo divertido e pensativo. É uma obra que se destina a um público que aprecia comédias românticas com um toque de acidez e uma perspectiva feminina assertiva, ideal para quem busca entretenimento que também dialogue sobre autoafirmação e a superação de mágoas passadas. O filme não apenas diverte, mas provoca uma reconsideração sobre o que significa buscar reparação emocional, e como o amor, mesmo o mais inesperado, pode surgir das mais improváveis das intenções.

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