Olha só, a vida é uma caixinha de surpresas, não é? E o cinema, meus caros, é um espelho amplificado dessa imprevisibilidade. Por que decidi mergulhar nas profundezas do Velho Oeste para falar sobre R.I.P.D. 2: Rise of the Damned, vocês perguntam? Simples. Existe algo intrinsecamente fascinante em narrativas que ousam brincar com a linha tênue entre a vida e a morte, especialmente quando o pós-vida vem com distintivo e uma dose robusta de absurdo. O original, de 2013, já nos havia dado um gostinho dessa premissa, mas este aqui… bem, este nos joga de cabeça no passado, para as raízes da própria organização. E é essa viagem no tempo, para um Velho Oeste empoeirado e cheio de demônios, que me puxou pela gola.
Estamos em 2025, e “R.I.P.D. 2” já nos agraciou em 2022. Mas, para um filme que fala sobre o que acontece depois que a gente bate as botas, a temporalidade terrena é quase um detalhe, não é mesmo? A trama, escrita a quatro mãos por Paul Leyden (que também assume a direção) e Andrew Klein, nos apresenta ao Xerife Roy Pulsipher. E aqui começa a dança. Roy, interpretado por Jeffrey Donovan, é um homem que, de repente, se vê morto após um tiroteio com uma gangue de fora da lei. O que ele esperava? Talvez um descanso eterno, quem sabe uns anjinhos tocando harpa. O que ele ganha? Uma segunda chance – ou seria uma primeira, já que é um prelúdio? – de servir e proteger, desta vez, no Departamento Descanse em Paz. É um enredo tão deliciosamente irônico que, só de pensar, a gente já solta um sorriso.
Jeffrey Donovan assume a persona de Roy Pulsipher com uma sagacidade que é, ao mesmo tempo, familiar e surpreendentemente fresca. Sabe aquela sensação de que você já viu esse personagem, mas ele te fisga de um jeito novo? É exatamente isso. Donovan não tenta imitar, ele encarna. Suas mãos, por exemplo, não tremem de nervosismo, mas de uma impaciência bem-humorada com a burocracia do além, com o absurdo da sua nova condição. Ele tem aquele ar de “já vi de tudo”, mesmo quando está diante do que nenhum mortal deveria ver. A ideia de que seu próprio assassinato, sua vingança pessoal, pode ter que esperar enquanto o mundo é ameaçado por uma porta para o inferno aberta na antiga cidade mineira de Red Creek, é a cereja do bolo. É uma premissa que brinca com as prioridades humanas e divinas de um jeito que me deixou genuinamente divertido.
O filme tece uma tapeçaria de fantasia, ação e comédia com a destreza de um artesão. Imagina só: um xerife caipira do século XIX, agora um policial do pós-vida, lidando com demônios saídos de uma fenda infernal no meio do deserto. É a epítome do farcical, do risível, mas com um coração pulsante de aventura. Paul Leyden, na direção, consegue equilibrar a poeira e o perigo do Velho Oeste com os efeitos visuais e a mitologia sobrenatural do R.I.P.D. A cada tiro que rasga o ar, a cada monstro que emerge das profundezas, há sempre uma piada, um comentário sarcástico de Roy que te lembra que, por mais grave que a situação pareça, ainda estamos aqui para nos divertir.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Paul Leyden |
| Roteiristas | Paul Leyden, Andrew Klein |
| Produtor | Ogden Gavanski |
| Elenco Principal | Jeffrey Donovan, Penelope Mitchell, Richard Brake, Kerry Knuppe, Jake Choi |
| Gênero | Fantasia, Ação, Comédia |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtoras | Universal 1440 Entertainment, Dark Horse Entertainment |
E o elenco de apoio? Ah, eles são o tempero que a gente precisa para essa iguaria. Penelope Mitchell, como Jeanne, traz uma camada de complexidade e uma parceria inesperada com Roy. Richard Brake, no papel de Otis, tem aquela presença magnética, um vilão que você adora odiar, ou talvez apenas odiar com um toque de admiração pelo quão bem ele encarna a maldade. Kerry Knuppe e Jake Choi, interpretando Hano e Slim, completam a trupe, adicionando nuances e momentos que, sabe, são essenciais para que a gente se importe um pouco mais com aquele pedacinho do mundo ameaçado. A química entre eles não é daquelas que te faz chorar de emoção, mas sim daquelas que te faz rir, que te faz sentir que, sim, esses personagens realmente pertencem a esse universo bizarro.
R.I.P.D. 2: Rise of the Damned não se propõe a revolucionar o cinema, e talvez seja justamente aí que reside seu charme. Ele abraça sua natureza de filme de quadrinhos, de aventura despretensiosa, um prelúdio que explora um Roy Pulsipher mais jovem, mais cru, antes que ele se tornasse o veterano cínico que alguns de nós talvez já conhecêssemos. É um filme que nos convida a simplesmente relaxar, a aceitar o quão absurdamente divertido pode ser um xerife morto que precisa salvar o mundo de uma invasão demoníaca no Velho Oeste americano de 1870. É uma pitada de “amused” com um balde de “farcical”, tudo misturado com a ação que a gente espera. E, sinceramente, em meio a tantas produções que se levam a sério demais, às vezes, é exatamente isso que a gente precisa para lembrar que o cinema é, antes de tudo, uma máquina de contar histórias fantásticas. E Roy Pulsipher, mesmo morto, ainda tem muitas delas para nos contar.




