R.I.P.D. 2: Rise of the Damned – Um faroeste sobrenatural que diverte, mas não convence totalmente
Três anos se passaram desde que R.I.P.D. 2: Rise of the Damned chegou às plataformas digitais em 2022, e confesso: ainda estou pensando sobre ele. Não como uma obra-prima inesquecível, mas como uma experiência cinematográfica curiosa, um daqueles filmes que você assiste num sábado à tarde, sem grandes expectativas, e se diverte mais do que imaginava, apesar de reconhecer suas falhas gritantes.
O filme nos apresenta ao xerife Roy Pulsipher, que, após um tiroteio fatal no selvagem oeste de 1870, encontra-se recrutado pelo R.I.P.D., um departamento policial do além-vida. Em meio a perseguições frenéticas em cima de cavalos espectralmente velozes e reviravoltas sobrenaturais, Roy precisa não só lidar com sua nova realidade fantasmagórica, mas também impedir que uma brecha infernal destrua a humanidade. A trama, embora um tanto previsível, consegue se sustentar pela dinâmica peculiar dos personagens e pela ambientação, um faroeste com toques de comédia negra que funciona melhor do que se poderia esperar.
A direção de Paul Leyden, também responsável pelo roteiro junto a Andrew Klein, é competente no que se propõe. A estética do Velho Oeste é capturada com maestria, criando uma atmosfera visualmente atraente, que contrasta eficazmente com os elementos fantasiosos. Porém, a narrativa peca em alguns momentos por falta de coesão. Há uma certa pressa em desenvolver a trama, deixando alguns pontos importantes sem o devido aprofundamento. O roteiro, apesar de algumas piadas bem-humoradas, é inconsistente, alternando entre momentos de pura comédia pastelão e passagens mais sérias, que tentam explorar temas mais profundos, mas não conseguem a profundidade necessária.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Paul Leyden |
| Roteiristas | Paul Leyden, Andrew Klein |
| Produtor | Ogden Gavanski |
| Elenco Principal | Jeffrey Donovan, Penelope Mitchell, Richard Brake, Kerry Knuppe, Jake Choi |
| Gênero | Fantasia, Ação, Comédia |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtoras | Universal 1440 Entertainment, Dark Horse Entertainment |
O elenco é um ponto alto. Jeffrey Donovan, como o xerife Pulsipher, carrega o filme nas costas com uma performance charmosa e convincente. Penelope Mitchell, Richard Brake, Kerry Knuppe e Jake Choi dão vida a personagens carismáticos, cada um com sua própria personalidade peculiar que contribui para a diversão geral. Apesar de seus personagens não serem tão desenvolvidos quanto gostaríamos, os atores se entregam de corpo e alma às suas performances, o que compensa parte das deficiências do roteiro.
O maior ponto forte do filme é, sem dúvida, seu humor. R.I.P.D. 2: Rise of the Damned consegue equilibrar a ação e o suspense com uma comédia leve e, muitas vezes, bastante absurda. A ironia presente em situações grotescas e situações inesperadas é o combustível que faz o filme funcionar. É um humor que agrada um público mais tolerante ao pastelão, mas que pode não agradar a todos.
Porém, e aqui residem seus pontos fracos, a premissa original de R.I.P.D. não é plenamente explorada. A sequência parece mais interessada em entregar uma aventura divertida do que em expandir o universo já estabelecido no filme original, de 2013, o que pode desapontar os fãs ávidos pela fidelidade ao cânone. A ausência de um impacto cultural significativo, também é perceptível.
Em resumo, R.I.P.D. 2: Rise of the Damned é uma experiência divertida e leve, com um humor peculiar que conquista seu público. Não é um filme memorável, nem pretende ser, e talvez nem deva. É um entretenimento descomprometido, feito para ser visto sem grandes pretensões. Se você procura um filme de ação com toques de fantasia e comédia para um final de tarde preguiçoso, pode ser uma boa opção. Mas se você espera uma obra-prima cinematográfica ou um épico da cultura pop, procure em outro lugar. Eu o recomendaria para os fãs do gênero faroeste com um tempero de sobrenatural e para aqueles que apreciam o humor pastelão, com a ressalva de que a falta de profundidade narrativa pode ser um obstáculo. Nota: 3 de 5 estrelas.
