Rambo IV: Uma Fúria Envelhecida, Mas Ainda Poderosamente Impactante
Dezessete anos após a data de lançamento original, em 2008, revisitar Rambo IV (ou Rambo) me trouxe uma enxurrada de sentimentos complexos. Não é um filme fácil, e talvez seja justamente aí que reside sua força. Em 2008, muitos criticavam o excesso de CGI e a violência quase gratuita; em 2025, a violência, infelizmente, se tornou ainda mais palpável, e a discussão em torno da produção do filme, e de sua representação da guerra, se mostra ainda mais complexa e relevante.
A trama acompanha John Rambo, aposentado e vivendo uma vida reclusa e solitária na Tailândia, até ser arrastado de volta à violência por um grupo de missionários cristãos que necessitam de sua ajuda para resgatar pessoas capturadas na fronteira com a Birmânia. É uma premissa simples, mas que serve como um estopim para uma explosão de ação brutal e visceral. O filme não se esquiva da realidade crua da guerra, e isso, por si só, já o coloca em um patamar acima de muitos filmes de ação que se contentam com cenas superficiais e sem profundidade.
A direção de Sylvester Stallone, que também assina o roteiro ao lado de Art Monterastelli, é competente e direta. Stallone entende profundamente o personagem que construiu ao longo dos anos e consegue transmitir, com maestria, a dor e a amargura que assolam Rambo. Há uma brutalidade honesta na condução da narrativa, que não busca embelezar ou romantizar a violência. Em alguns momentos, o CGI é, sim, excessivo, mas não chega a comprometer a experiência como um todo. A fotografia, por sua vez, é impecável, utilizando-se de paisagens deslumbrantes e implacáveis para enfatizar o isolamento e a dificuldade da missão.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Sylvester Stallone |
| Roteiristas | Art Monterastelli, Sylvester Stallone |
| Produtores | Avi Lerner, John Thompson, Kevin King Templeton |
| Elenco Principal | Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden, Graham McTavish, Reynaldo Gallegos |
| Gênero | Ação, Thriller, Guerra |
| Ano de Lançamento | 2008 |
| Produtoras | Millennium Media, Lionsgate, The Weinstein Company, Equity Pictures Medienfonds IV, Nu Image Entertainment |
Sylvester Stallone entrega mais uma vez uma atuação excepcional. É um Rambo diferente dos anteriores, mais velho, mais cansado, mas também mais letal. Os personagens secundários, como Julie Benz, Matthew Marsden e Graham McTavish, não chegam a ser memoráveis, mas cumprem seu papel com eficiência. A interpretação de Stallone, no entanto, carrega todo o peso emocional do filme nas costas, e ele se sai impecavelmente.
Um dos pontos fortes de Rambo IV é sua capacidade de evocar uma profunda reflexão sobre a guerra, o trauma e a capacidade humana de resiliência e autodestruição. Não se trata apenas de um festival de tiros e explosões, mas de um retrato sombrio das consequências da guerra, retratando as atrocidades cometidas contra a população civil e a crueldade dos mercenários. O filme nos mostra um Rambo mais humanizado, ainda que profundamente traumatizado, lutando contra seus próprios demônios e tentando encontrar algum tipo de redenção. Por outro lado, a simplicidade do roteiro, focando quase que exclusivamente na ação, pode ser visto como uma falha para alguns. A construção dos personagens secundários, por exemplo, deixa a desejar.
Conclusão: Uma Obra Complexa e Perturbadora
Rambo IV não é um filme perfeito. A violência é extrema, e o roteiro poderia ter explorado mais a fundo alguns dos temas apresentados. No entanto, a força da atuação de Sylvester Stallone, a direção segura e a capacidade de evocar reflexões profundas sobre a guerra e o trauma o tornam uma obra que, mesmo passados 17 anos, permanece impactante. Recomendo sua exibição, mas aviso: prepare-se para uma experiência visceral e perturbadora. Se você aprecia filmes de ação com uma pitada de realismo sujo e uma dose de complexidade emocional, Rambo IV é uma escolha que você não vai se arrepender de ter feito. Encontre-o em plataformas digitais e prepare-se para um confronto com a selvageria da guerra e a resiliência de um herói envelhecido, porém inesquecível.




