Ray Donovan: O Filme

Ah, Ray Donovan. Só de pronunciar o nome, já sinto um arrepio na espinha, uma mistura estranha de familiaridade e o peso de anos de segredos e brutalidade. Lembro-me bem da primeira vez que mergulhei no universo desse “fixer” implacável de Los Angeles. Eu estava, como muitos de nós, buscando uma história que não tivesse medo de sujar as mãos, de explorar os recantos mais escuros da alma humana, especialmente quando se trata de laços de sangue. E Ray Donovan: O Filme, lançado lá em 2022, não é apenas um epílogo; é um soco no estômago, um abraço apertado e uma última dança com fantasmas que, para a família Donovan, se recusam a morrer tranquilamente.

Se você, como eu, acompanhou as sete temporadas da série, sabe que a vida de Ray é uma equação complexa de lealdade, violência e uma tentativa desesperada de proteger aqueles que ama, mesmo que isso signifique se destruir no processo. O filme, dirigido com uma mão firme por David Hollander, que também assina o roteiro ao lado do próprio Liev Schreiber, não perde tempo. Ele nos joga de volta àquele turbilhão, pegando a narrativa exatamente onde a sétima temporada nos deixou, com a promessa de fechar o ciclo de um legado familiar tão emaranhado quanto uma teia de aranha esquecida no porão.

Mas o que significa fechar um ciclo para os Donovan? Para qualquer outra família, talvez fosse uma reconciliação calorosa, um perdão mútuo. Para eles, significa voltar a Boston. Ah, Boston. Não é apenas um cenário; é a origem do trauma, o berço da violência que moldou Ray e seus irmãos. A cidade age como um espelho rachado, refletindo de volta todos os eventos que fizeram de Ray o homem que ele é hoje: um protetor implacável, um pai ausente, um filho atormentado. A cada viela escura, a cada bar enfumaçado que a câmera de Hollander explora, a sensação é de que estamos pisando em um terreno sagrado e profano ao mesmo tempo, onde cada canto guarda uma memória dolorosa que agora, finalmente, precisa ser confrontada.

A química entre Liev Schreiber, Eddie Marsan (o sempre atormentado Terry) e Dash Mihok (o adorável e problemático Bunchy) é palpável, quase visceral. Eles não apenas interpretam a família Donovan; eles são os Donovan. Aquele amor, “por vezes violento”, que os mantém unidos é a âncora e a maldição deles. Veja bem, quando Ray olha para Terry, não é apenas um ator olhando para outro; é uma história inteira de irmãos que se machucam, se salvam e se destroem, tudo em nome de um elo inquebrável. Marsan, com seu Terry, consegue expressar a exaustão de uma vida de golpes e desesperança apenas com um olhar cansado, uma mão trêmula. E Bunchy, meu Deus, Bunchy! Dash Mihok nos entrega a vulnerabilidade de um homem que só queria ser amado, mas que parece destinado a atrair o caos. É impossível não sentir uma pontada de tristeza e, ao mesmo tempo, um respeito por essa resiliência quase masoquista.

Atributo Detalhe
Diretor David Hollander
Roteiristas David Hollander, Liev Schreiber
Produtor John H. Radulovic
Elenco Principal Liev Schreiber, Eddie Marsan, Dash Mihok, Pooch Hall, Kerris Dorsey
Gênero Crime, Drama, Cinema TV
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Showtime Networks, The Mark Gordon Company

E não posso deixar de lado Pooch Hall como Daryll e Kerris Dorsey como Bridget. Daryll, o meio-irmão sempre em busca de um lugar, continua a ser uma figura trágica, oscilando entre a lealdade e a autodefesa. E Bridget… ah, Bridget. Ela é o coração em pedaços da família, a voz da razão que muitas vezes é abafada pelo barulho da violência paterna e dos tios problemáticos. Sua presença nos lembra que, por trás de toda a testosterona e os punhos cerrados, há um custo humano imenso, uma cicatriz que nunca realmente cicatriza.

Hollander e Schreiber, na sala de roteiro, parecem ter se permitido revisitar cada trauma, cada escolha errada, cada momento definidor. Não é uma história que busca o perdão fácil ou a redenção barata. É um exame honesto do que acontece quando o passado não é apenas lembrado, mas revivido com uma intensidade que beira o insuportável. A produção da Showtime Networks e The Mark Gordon Company entrega a qualidade visual e narrativa que esperávamos, mantendo a atmosfera sombria e a tensão que são marcas registradas da série. O trabalho do produtor John H. Radulovic em manter essa visão coesa é evidente.

No final das contas, Ray Donovan: O Filme não é uma despedida suave. É um adeus barulhento, com resquícios de pólvora e sangue. É a conclusão que os fãs, como eu, precisavam e, talvez, temiam. Porque, no fundo, quem quer dizer adeus a personagens tão imperfeitos, tão humanos, que se tornaram parte de nossas próprias reflexões sobre família, culpa e o fardo da herança? O filme nos força a encarar o legado dos Donovan, e nos lembra que, por mais que tentemos fugir, certas batalhas só podem ser vencidas, ou perdidas, voltando para casa, mesmo que essa casa seja um campo minado de memórias e ressentimentos. É uma experiência intensa, e, para mim, totalmente necessária. Vale a pena revisitar essa família, uma última vez, e ver como o amor, por vezes violento, realmente os mantém unidos nessa constante luta.

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