Olha, tem filmes que a gente assiste e, passados uns anos, eles somem da nossa memória como fumaça no vento. Mas tem outros, por mais controversos que sejam, que deixam uma marca. E quando penso em Resident Evil 6: O Capítulo Final, quase uma década depois do seu lançamento brasileiro em janeiro de 2017, percebo que ele se encaixa mais na segunda categoria. Não é que seja uma obra-prima inquestionável, longe disso, mas é o desfecho de uma saga que, para muita gente, incluindo eu, foi uma constante na paisagem cinematográfica por anos a fio. Por isso, sinto que precisamos revisitá-lo, não com a lupa implacável da estreia, mas com o carinho e a perspectiva que só o tempo pode nos dar.
A gente já sabia, desde o título, que essa era a hora de dizer adeus à Alice. E que adeus! O filme nos joga de volta à essência do pesadelo: Raccoon City. Pensa numa cidade fantasma, mas que não está vazia; ela pulsa com a podridão de uma civilização que sucumbiu. É uma visão brutal de um futuro pós-apocalíptico, de uma distopia onde a humanidade está por um fio. A Umbrella Corporation, aquela velha conhecida que começou tudo, está ali, reunindo suas últimas forças para um ataque final. E contra quem? Contra os poucos remanescentes do apocalipse, contra a esperança. A tensão é palpável, quase dá para sentir o cheiro de metal queimado e a poeira sufocante no ar.
No centro desse armageddon, está Milla Jovovich, a nossa eterna Alice. Sabe, é fascinante como ela encarnou essa personagem por tantos anos. Não é só uma atuação, é uma simbiose. Ela não apenas interpreta uma soldada feminina, ela É a heroína que conhecemos, com suas cicatrizes visíveis e invisíveis, sua determinação gravada em cada músculo. Seus olhos, que já viram de tudo, ainda carregam aquela chama teimosa de quem se recusa a desistir. Para vencer essa batalha final, essa mulher recruta uma galera, uns velhos e bons companheiros como a Claire Redfield da Ali Larter, e outros rostos que se juntam à causa. Até o Dr. Isaacs, interpretado pelo sempre impecável Iain Glen, e o Albert Wesker do Shawn Roberts, personagens tão intrinsecamente ligados à Umbrella, ganham papéis cruciais nesse tabuleiro de xadrez do fim do mundo.
Agora, vamos ser honestos. Paul W. S. Anderson, diretor e roteirista desse capítulo final (e de vários anteriores), tem um estilo que divide opiniões, tipo água e azeite. E aqui, a gente sente isso na pele, especialmente no primeiro terço do filme. Lembro bem das críticas na época, e até hoje, a experiência é… peculiar. Sabe aquela sensação de assistir a um filme onde a câmera está num liquidificador? As cenas de ação iniciais são um turbilhão de cortes rápidos, quase uma metralhadora visual. É como se Anderson quisesse nos jogar dentro da cabeça da Alice no meio do caos, e, sim, é caótico. É fácil entender por que alguns chamaram de “incoerência visual”, de algo “confundente e irritante”. Por um lado, te joga na adrenalina, não te dá tempo para respirar. Por outro, às vezes, você só queria entender quem tava batendo em quem, né? Mas, e aqui está a nuance, depois desse início frenético, as coisas tendem a se acalmar, ou pelo menos a se organizar um pouco mais. As sequências no subsolo de Raccoon City, por exemplo, onde monstros e mutantes se escondem nas sombras, ganham uma clareza mais palpável, permitindo que a gente aprecie melhor o design das criaturas e a coreografia dos combates.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Paul W. S. Anderson |
| Roteirista | Paul W. S. Anderson |
| Produtores | Jeremy Bolt, Paul W. S. Anderson, Samuel Hadida, Robert Kulzer |
| Elenco Principal | Milla Jovovich, Iain Glen, Ali Larter, Shawn Roberts, Eoin Macken |
| Gênero | Ação, Terror, Ficção científica |
| Ano de Lançamento | 2016 |
| Produtoras | Screen Gems, Constantin Film, Impact Pictures, Davis Films |
A saga “Resident Evil” no cinema sempre foi uma adaptação dos videogames que seguiu seu próprio caminho, sua própria mitologia. E “O Capítulo Final” abraça isso com força. Não espere uma transposição fiel dos jogos; espere a visão de Anderson, com toda a sua grandiosidade e suas idiossincrasias. Há momentos em que você sente o peso da jornada, o cansaço dos personagens, a sujeira e a desolação que permeiam cada frame. As tomadas aéreas com os helicópteros sobre as ruínas, a constante ameaça dos zumbis e de algo muito maior, tudo isso contribui para a atmosfera sufocante de que o fim realmente chegou.
No final das contas, o que resta de Resident Evil 6: O Capítulo Final é a imagem de uma mulher, Alice, lutando até o último suspiro em um mundo que não quer mais ser salvo. É um sequel que não tenta ser algo que não é; ele se entrega ao espetáculo da ação e ao fechamento de uma história que, para muitos, se tornou parte da sua própria história cinematográfica. Pode não ter agradado a todos, com sua montagem frenética e sua narrativa, por vezes, apressada, mas quem se importa em ser perfeito quando você está tentando salvar o mundo? Paul W. S. Anderson nos deu sua visão do fim, e, apesar dos pesares, é difícil não sentir um certo carinho por essa heroína que, com Milla Jovovich, nos guiou por tantos anos através do inferno na Terra. E se isso não é uma marca, eu não sei o que é.



