Resistência

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Resistência: Uma Guerra Contra a Própria Humanidade?

Dois anos se passaram desde que Resistência invadiu as telonas, e ainda me pego pensando naquela experiência visceral. O filme, dirigido por Gareth Edwards, promete uma guerra futurista entre humanos e inteligência artificial, um terreno batido, mas que, nas mãos certas, pode resultar em algo brilhante. E em muitos aspectos, Resistência entrega, porém com algumas ressalvas que não consigo ignorar.

A sinopse, sem spoilers, nos apresenta Joshua, um ex-agente das forças especiais assombrado pelo passado e pela perda da esposa, recrutado para uma missão quase suicida: caçar o Criador, o enigmático cérebro por trás de uma IA avançada e de uma arma que ameaça extinguir a humanidade. A jornada o leva por cenários deslumbrantes, desde as paisagens áridas de alguma região asiática não especificada, até uma estação espacial de tirar o fôlego. O ritmo é frenético, a tensão palpável, e a promessa de uma ação explosiva é cumprida com maestria.

Gareth Edwards, conhecido por seu trabalho em “Rogue One: Uma História Star Wars”, demonstra novamente um talento incomum para a construção de imagens. A fotografia é impecável, cada quadro uma obra de arte, e os efeitos visuais, longe de serem exagerados, reforçam a atmosfera tensa e futurista sem cair em excessos desnecessários. As críticas que li em 2023, elogiando a beleza visual do filme, estavam absolutamente corretas. Entretanto, a direção, por vezes, prioriza o espetáculo visual em detrimento do desenvolvimento de alguns personagens secundários, o que é uma pena, porque o elenco é excepcional.

Atributo Detalhe
Diretor Gareth Edwards
Roteiristas Chris Weitz, Gareth Edwards
Produtores Gareth Edwards, Arnon Milchan, Jim Spencer, Kiri Hart
Elenco Principal John David Washington, Madeleine Yuna Voyles, Gemma Chan, Allison Janney, Ken Watanabe
Gênero Ficção científica, Ação, Aventura
Ano de Lançamento 2023
Produtoras New Regency Pictures, Entertainment One, Regency Enterprises, Bad Dreams Productions

John David Washington carrega o peso da narrativa com maestria, transmitindo a dor e a resiliência de Joshua de forma convincente. Madeleine Yuna Voyles, Gemma Chan e Allison Janney brilham em seus papéis de apoio, cada uma adicionando uma camada de complexidade à trama. Ken Watanabe, como sempre, oferece uma performance marcante, porém seu papel poderia ter sido melhor explorado. O roteiro, assinado por Chris Weitz e o próprio Edwards, peca em alguns momentos por uma certa previsibilidade na construção dos conflitos, e a resolução de alguns dos dilemas é um tanto apressada.

A força de Resistência reside na sua exploração de temas complexos. A relação entre humanos e máquinas, o luto, a busca por vingança, o custo da guerra – todos esses elementos são trabalhados, embora não com a profundidade que eu esperaria de um filme tão ambicioso. A mensagem central, sobre a responsabilidade inerente à criação de uma inteligência superior à nossa, fica implícita, mas é poderosa. O foco no impacto da guerra na vida dos civis, especialmente nas crianças, é outro ponto forte, que infelizmente não é desenvolvido com a profundidade que mereceria.

No entanto, a pressa em resolver alguns conflitos cria um desequilíbrio na trama. O final, embora visualmente impactante, deixa um gosto de “quero mais”. Certos elementos, como o mistério por trás do Criador, são desenvolvidos de forma superficial, sacrificados em prol do ritmo frenético da ação.

Em suma, Resistência é um filme que vale a pena ser visto. A direção impecável, as atuações sólidas e o visual deslumbrante compensam as falhas no roteiro. Recomendo a experiência cinematográfica a todos os amantes de ficção científica, ação e aventura, mas com a ressalva de que ele poderia ter sido algo ainda maior. A expectativa criada pela divulgação pré-lançamento, somada à qualidade técnica apresentada, prometia uma obra-prima, e apesar de ter entregue um filme bom, não alcançou o potencial que demonstrava possuir. Se você procura um filme visualmente deslumbrante e repleto de ação, certamente será satisfeito. Mas se procura uma profunda reflexão filosófica sobre a natureza da inteligência artificial, talvez se sinta um pouco decepcionado.

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