RoboCop 3: Uma Necropsia de um Futuro Perdido
Em 1993, o mundo recebeu RoboCop 3, a terceira e, para muitos, infeliz, entrada na franquia cyberpunk que revolucionou a ação sci-fi anos antes. Trinta e dois anos depois, em 18 de setembro de 2025, revisitar este filme é uma experiência curiosa, um exercício de arqueologia cinematográfica que revela tanto sobre as ambições falhas de Hollywood quanto sobre a persistência de certos temas na cultura popular.
O longa acompanha o retorno de RoboCop (Robert John Burke) em uma Detroit ainda mais decadente. A OCP, implacável como sempre, planeja demolir a cidade velha para construir a paradisíaca Delta City, um projeto que, na prática, se transforma em uma operação de limpeza social brutal. RoboCop se vê dividido entre seu dever programado e a resistência civil que luta pela sobrevivência dos cidadãos deslocados. Ele precisa encarar não só os militares corruptos da OCP, mas também um exército de robôs-ninja tecnologicamente avançados. Essa é a premissa, sem grandes spoilers, claro.
A direção de Fred Dekker, embora competente em algumas cenas de ação, não consegue evitar a sensação de uma produção apressada e sem alma. A estética cyberpunk que era tão marcante nos filmes anteriores parece desbotada, sem a mesma inovação visual ou o impacto visceral. O roteiro, co-escrito pelo lendário Frank Miller (de Sin City), infelizmente tropeça em diversas ocasiões. O tom é desigual, alternando entre momentos de ação frenética e diálogos expositivos que parecem arrancados de um roteiro B de ficção científica. A tentativa de equilibrar o tom satírico dos filmes anteriores com uma abordagem mais “séria” não funciona, resultando em um produto inconsistente e por vezes até mesmo sem graça.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Fred Dekker |
| Roteiristas | Fred Dekker, Frank Miller |
| Produtor | Patrick Crowley |
| Elenco Principal | Robert John Burke, Nancy Allen, Rip Torn, John Castle, Jill Hennessy |
| Gênero | Ação, Aventura, Crime, Ficção científica, Thriller |
| Ano de Lançamento | 1993 |
| Produtora | Orion Pictures |
As atuações são um ponto misto. Nancy Allen, a única sobrevivente do elenco original, demonstra uma capacidade admirável de segurar as pontas em meio ao caos. Robert John Burke, assumindo o icônico papel de RoboCop, se esforça, mas não consegue capturar a força e a nuance de Peter Weller nos filmes anteriores. Rip Torn como o CEO da OCP e John Castle como McDaggett, apesar de seus esforços, são vítimas do material fraco que recebem. Jill Hennessy, como a Dra. Marie Lazarus, tenta adicionar um pouco de profundidade ao filme, mas o resultado não é suficiente para salvar o todo.
RoboCop 3 sofre de problemas que vão além da mera execução técnica. Apesar de tentar abordar temas relevantes, como gentrificação e o abuso de poder, o roteiro simplifica esses problemas, perdendo a nuance social que era uma das marcas dos filmes anteriores. Os robôs-ninja, por exemplo, parecem uma adição gratuita e até um tanto infantil à narrativa, minando o tom sombrio e realista do que se pretendia.
O filme não é um desastre completo. Algumas cenas de ação conseguem ser eletrizantes, e a fotografia, em certos momentos, consegue capturar a atmosfera decadente de Detroit. Mas, esses momentos isolados não são suficientes para compensar os graves defeitos do filme como um todo. Comparado aos predecessores, RoboCop 3 é um passo em falso gigantesco. Ele é o tipo de filme que te deixa pensando: “O que deu errado?”.
A recepção crítica em 1993 foi, para dizer o mínimo, negativa, o que o tempo pareceu consolidar. A comparação com RoboCop 2, considerado o “patinho feio” da família, é inevitável e injusta para o segundo filme. RoboCop 3 é realmente um produto final pobre, um testemunho da falência criativa que a franquia sofreu.
Em resumo, a menos que você seja um colecionador de filmes B ou um entusiasta da franquia RoboCop interessado em completar o ciclo, eu não recomendaria RoboCop 3. É um filme que ilustra a dificuldade de se manter a qualidade e a coerência em uma franquia ao longo do tempo, e serve como um exemplo de como até mesmo grandes premissas podem ser completamente desperdiçadas por uma execução medíocre. Dê uma olhada em outras opções no catálogo de streaming antes de perder seu tempo com este. Duas estrelas no máximo.




