Roubo Entre Ladrões

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Existe algo de primário e visceral na ideia da traição. Não me refiro àquela picuinha de escritório ou ao amigo que te esqueceu na lista do churrasco. Falo da traição com “T” maiúsculo, aquela que mexe com a vida e a morte, onde o sangue jorra não por acidente, mas por um cálculo frio de quem você jurava ser seu parceiro. É essa a correnteza que me arrasta, repetidamente, para filmes como Roubo Entre Ladrões, lançado lá em 2022. E, olha, três anos depois, a gente ainda consegue sentir o cheiro da pólvora e do rancor que emana dessa tela.

A gente já viu essa história, né? O golpe perfeito, o plano infalível. É um clichê, sim, mas um clichê que, quando bem executado, nos agarra pela gola e não solta. No caso de Roubo Entre Ladrões, a premissa é aquela velha conhecida: Nick, vivido por Cam Gigandet com aquela mistura de charme desleixado e intensidade contida, pensa ter arquitetado o assalto da sua vida. Tá tudo pronto pra colher os frutos, pra viver o sonho. Só que o universo tem um senso de humor macabro, e o universo de Nick tem o rosto de Veronica (Michele Plaia) e da sua própria equipe. Eles o derrubam. Não um, mas vários tiros. Fim de jogo? Ah, meu amigo, é aí que a coisa esquenta de verdade.

A beleza (ou seria a brutalidade?) do filme, dirigido por Tibor Takács, reside justamente nessa ressurreição. Nick não morre. Ele rasteja pra fora do inferno particular que lhe criaram e, dali em diante, cada passo é um tijolo a mais na sua muralha de vingança. É uma corrida contra o tempo, mas não só contra o relógio, e sim contra a própria mortalidade e contra a memória da dor. E é aqui que a gente se pergunta: o que move um homem a seguir em frente depois de ser tão profundamente dilacerado? A resposta, nesse universo de Ação, Mistério, Thriller e Crime, é sempre a mesma: um ódio congelante e uma sede insaciável por fazer justiça com as próprias mãos.

Cam Gigandet, confesso, é uma surpresa agradável. A transformação de um Nick confiante para um espectro implacável é palpável. Ele não precisa de monólogos longos pra nos convencer da sua agonia; o olhar dele, a forma como ele se move – mais cauteloso, mais letal – já dizem tudo. É como se cada fibra do seu ser gritasse por revanche. E quando ele cruza o caminho de Randy Couture, interpretando Jack, a tela se enche de uma tensão quase elétrica. Couture, com sua presença física imponente, é a rocha que Nick precisa escalar, o obstáculo que parece intransponível. É um duelo de titãs, um de músculos e outro de pura resiliência mental. E Michele Plaia, como Veronica, consegue nos entregar aquela dose de perfídia que faz a gente querer gritar com a tela. Ela é a personificação do “roubo entre ladrões”, a prova viva de que a confiança, no mundo do crime, é um luxo perigoso.

Atributo Detalhe
Diretor Tibor Takács
Roteirista Matthew Eason
Produtores Elias Axume, Eduard Osipov
Elenco Principal Randy Couture, Cam Gigandet, Michele Plaia, Louis Mandylor, William McNamara
Gênero Ação, Mistério, Thriller, Crime
Ano de Lançamento 2022
Produtora Premiere Entertainment Group

O roteiro de Matthew Eason, com a produção da Premiere Entertainment Group, comandada por Elias Axume e Eduard Osipov, não reinventa a roda. E, sabe, nem precisava. O que ele faz é pegar um motor bem conhecido, dar uma boa lubrificada e acelerar. As sequências de ação são diretas, sem firulas desnecessárias, focando na visceralidade do confronto. Não tem coreografia de balé; tem soco no nariz, joelhada no estômago e tiro que acerta. Louis Mandylor, como Det. Cooper, e William McNamara, no papel de Doc Byrne, adicionam camadas interessantes, um como a lei tentando entender o caos, outro como o elo moralmente ambíguo que muitas vezes aparece em tramas de vingança. Eles são os pilares que, mesmo em um filme de ritmo acelerado, nos dão um breve respiro para questionar as motivações de todos.

É um filme que te faz apertar os punhos. Te faz sentir a adrenalina. Mas também te faz pensar, ainda que por um instante fugaz: até onde a gente iria para se vingar de quem nos quebrou em pedaços? Roubo Entre Ladrões é mais do que um mero thriller de ação; é um estudo sobre a resiliência humana, sobre a linha tênue entre a vida e a morte, e sobre o custo psicológico de buscar um acerto de contas. Não é um clássico que será estudado nas escolas de cinema, mas é um entretenimento cru, honesto e que cumpre o que promete: uma boa dose de adrenalina e a satisfação (ou a angústia) de ver a roda da vingança girar, implacável, até o fim. E, para mim, isso já basta.