Samurai X: O Final

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Ah, “Samurai X: O Final”. Para mim, o título já carrega um peso que poucos filmes conseguem evocar. Como alguém que acompanhou a jornada de Kenshin Himura desde as páginas do mangá e as telas da TV, a promessa de um desfecho cinematográfico sempre foi um misto de ansiedade e excitação. Afinal, como capturar a essência de um espadachim errante, assombrado por um passado banhado em sangue, e trazê-la para um clímax que fizesse justiça a essa saga? É essa a questão que me fez sentar, quase hipnotizado, diante da tela em 2021, e que ainda ecoa em minhas reflexões anos depois.

Não é só mais um filme de ação, sabe? É a culminação de uma história que nos fez questionar a linha tênue entre justiça e vingança, entre a redenção e a punição. E “O Final” mergulha de cabeça nesse abismo. A premissa é cruelmente pessoal: Kenshin, em 1879, um homem que tentava viver em paz, é forçado a confrontar o fantasma mais sombrio de seu passado na forma de Enishi Yukishiro, seu ex-cunhado. A motivação de Enishi? Vingança. Pura, visceral e absolutamente devastadora. E não é aquela vingancinha de filme B; é uma vendetta que tem raízes em um dos atos mais brutais e formativos da vida de Battousai, o Retalhador.

O que me prendeu do início ao fim, e que ainda revisito mentalmente, é a interpretação de Takeru Satoh como Kenshin Himura. É difícil imaginar outro ator que pudesse encarnar tão bem essa dualidade. Ele não apenas empunha a espada com uma graça letal, mas a cada olhar, a cada tremor sutil em seu semblante, vemos o peso das vidas que ele tirou, a dor que ele carrega. Há uma melancolia em seus olhos que é quase palpável, uma janela para a alma de um homem que desistiu de matar, mas que nunca conseguiu escapar de seu passado como um “killer”. E quando o Battousai emerge, por um breve e aterrorizante momento, Satoh nos lembra do porquê Kenshin era tão temido.

Mas um herói é tão bom quanto seu vilão, não é? E Mackenyu Arata como Enishi Yukishiro é um espetáculo à parte. Ele não é apenas um psicopata; ele é um homem quebrado, consumido por uma dor legítima e por um desejo de retribuição que o torna quase invencível. Suas motivações são compreensíveis, mesmo que seus métodos sejam aterrorizantes. A química entre Satoh e Mackenyu é eletrizante, uma dança mortal que parece ter sido ensaiada por anos, com cada golpe de espada e cada troca de olhar carregando décadas de dor e culpa. Você sente a tensão cortando o ar, a cada duelo, como uma lâmina de samurai pronta para rasgar o tecido da tela.

Atributo Detalhe
Diretor 大友啓史
Roteirista 大友啓史
Produtor 福島聡司
Elenco Principal 佐藤健, 武井咲, 新田真剣佑, Munetaka Aoki, Yu Aoi
Gênero Ação, Aventura, História, Drama
Ano de Lançamento 2021
Produtoras Warner Bros. Japan, Amuse Soft Entertainment, AMUSE, Shueisha, KDDI, GYAO

E os duelos! Ah, os duelos. É aqui que o diretor e roteirista Keishi Otomo realmente brilha. Esqueça coreografias que parecem de videogame; aqui, cada luta é um embate brutal de vida ou morte. A câmera dança junto com as espadas, os corpos voam e o impacto de cada golpe ressoa em você. É chambara no seu melhor, onde a violência é gritty e real, e as artes marciais são um reflexo da determinação e do desespero dos personagens. A cena do confronto final, em particular, é uma aula de como construir tensão e catarse através da ação. É uma masterclass de “sword duel”, onde a velocidade, a precisão e a selvageria se misturam para criar um espetáculo visual e emocional sem igual.

Mas, para além da ação frenética, “Samurai X: O Final” é um drama profundo. Explora a ideia de que o passado, por mais que tentemos enterrá-lo, sempre encontra uma forma de nos alcançar. Kenshin fugiu do “hidden past” de sua era Bakumatsu, tentou se redimir como um Ischin Shishi, mas o “murder” que ele cometeu o persegue, e Enishi é a personificação dessa perseguição. O filme nos faz perguntar: é possível realmente se redimir de um passado tão sangrento? Ou estamos sempre condenados a pagar o preço de nossos atos mais sombrios?

A produção, com o selo de Warner Bros. Japan e um time robusto de produtoras, é impecável. Desde os cenários detalhados que nos transportam para o Japão pós-restauração Meiji, até a fotografia que alterna entre a luz esperançosa e as sombras da melancolia, tudo é pensado para imergir o espectador. É uma verdadeira “jidaigeki” moderna, que respeita suas raízes históricas enquanto entrega um espetáculo contemporâneo.

No fim das contas, “Samurai X: O Final” não é apenas um filme sobre espadas e vingança; é uma meditação sobre culpa, redenção e o amor que nos ancora. É o tipo de filme que fica com você, que te faz pensar sobre as escolhas que fazemos e as cicatrizes que elas deixam. E para mim, que cresci com Kenshin, ver essa jornada chegar a um final tão poderoso, tão doloroso e, de certa forma, tão libertador, foi uma experiência que transcendeu a tela. É uma peça cinematográfica que, mesmo anos após seu lançamento, ainda considero um testamento à profundidade da narrativa de “Samurai X” e à paixão de quem a trouxe à vida. Vale cada segundo, cada golpe de espada, cada lágrima.