Sangue Azul: Uma Ode à Família e à Justiça (ou Será Que Não?)
Quinze anos. Quinze anos desde que a família Reagan invadiu nossas telas e nossos corações (ou, pelo menos, nossas noites de domingo). Em 2010, a CBS lançou Sangue Azul, uma série policial que, admito, eu abordei com um certo ceticismo inicial. Mais um procedural? Mais um drama familiar com policiais durões? A resposta, para meu espanto e deleite – na maior parte do tempo – foi um retumbante “não”.
A sinopse, basicamente, se resume a isso: quatro gerações de Reagans servindo à lei em Nova York, cada um com sua abordagem particular. Temos o patriarca Henry, o avô sábio e experiente; Frank, o comissário durão e pragmático, interpretado com maestria pelo inigualável Tom Selleck; Danny, o filho explosivo e impulsivo (Donnie Wahlberg, sempre impecável no papel); Erin, a inteligente e perspicaz advogada do Estado (a sempre elegante Bridget Moynahan); e Jamie, o caçula, o policial recém-formado com a moral impecável (Will Estes). A dinâmica familiar é o coração da série, e é aí que reside sua maior força e, paradoxalmente, sua maior fraqueza.
A direção de Sangue Azul, ao longo de suas doze temporadas, é competente, sem grandes arroubos de originalidade. Nada de câmera lenta exagerada ou ângulos rebuscados. A narrativa é linear, focada em contar histórias, e isso, em muitas ocasiões, foi suficiente. O roteiro, contudo, é a verdadeira força motriz da série. Em alguns momentos, ele brilha com diálogos afiados e personagens complexos, explorando as nuances morais de cada decisão, o peso da justiça e o fardo da lei. Outras vezes, o roteiro cai em armadilhas previsíveis, com casos da semana que, apesar de bem construídos, não chegam a surpreender o espectador acostumado com o gênero.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Criadores | Robin Green, Mitchell Burgess |
| Elenco Principal | Tom Selleck, Donnie Wahlberg, Bridget Moynahan, Will Estes, Len Cariou |
| Gênero | Crime, Drama |
| Ano de Lançamento | 2010 |
| Produtoras | CBS Productions, Paw in Your Face Productions, Panda Productions |
As atuações, sem dúvida, salvam a série das armadilhas da fórmula. Tom Selleck é o carro-chefe, e sua interpretação de Frank Reagan é icônica. Ele transmite a força de um líder, a sabedoria de um veterano e, surpreendentemente, uma vulnerabilidade que torna o personagem palpável e humano. Donnie Wahlberg e Bridget Moynahan constroem química convincente entre seus personagens, e Will Estes, mesmo em momentos de roteiro menos inspirados, consegue dar profundidade ao jovem Jamie. O conjunto consegue criar uma sensação de família genuína, e essa dinâmica é, como já mencionei, o ponto crucial do sucesso de Sangue Azul.
Os pontos fortes da série são, indiscutivelmente, a família Reagan, a profundidade em alguns personagens, e a capacidade de criar empatia com os dilemas morais que eles enfrentam. Contudo, a previsibilidade de muitos casos e a repetição de fórmulas ao longo das temporadas podem, em momentos, tornar a série monótona. Alguns arcos narrativos são tratados com uma superficialidade que destoa da riqueza dos personagens principais.
A mensagem principal de Sangue Azul é uma ode à família e ao compromisso com a justiça, mesmo que – e aqui reside a complexidade da obra – a justiça seja muitas vezes nebulosa, desafiadora e, em alguns casos, distorcida. A série explora a tensão entre a lei e a ordem, a ética e a eficiência, confrontando o espectador com dilemas morais constantes, mesmo que, novamente, nem sempre com a profundidade que o tema merece.
Em suma, Sangue Azul não reinventou a roda do procedural policial, mas proporcionou doze anos de entretenimento sólido, movido por atuações excelentes e uma dinâmica familiar cativante. Se você procura uma série policial para relaxar após um longo dia, sem grandes pretensões artísticas, Sangue Azul é uma excelente escolha disponível em várias plataformas de streaming. Mas se busca inovação e reviravoltas narrativas constantes, talvez seja melhor buscar em outros lugares. Apesar de suas falhas, a série deixa uma marca, principalmente por humanizar policiais e advogados em um mundo de cinismo e complexidade, e por isso merece ser revisitada – mesmo que eu ainda discuta com alguns amigos sobre a necessidade de tanta previsibilidade no caso da semana.




