Sexy Oral: Uwakina Kuchibiru

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Uwakina Kuchibiru (Sexy Oral): Uma Viagem ao Passado do Cinema Japonês

Quarenta e um anos se passaram desde que Uwakina Kuchibiru (Sexy Oral) chegou às telas, em 1984, e, ao revisitar essa obra da Nikkatsu Corporation, em setembro de 2025, pude perceber mais do que uma simples produção softcore. É um filme que funciona como uma cápsula do tempo, revelando muito sobre a estética e as convenções do cinema japonês da época, especialmente dentro do subgênero pink film. A história, sem grandes revelações, acompanha a vida e os relacionamentos de Natsumi, Yukari e Yachiyo, interpretadas com nuances sutis pelas excelentes Seiko Mihara, Chiaki Kitahara e Kazuyo Ezaki, respectivamente. Ao redor delas, giram os personagens masculinos, mais estereotipados, que dão o contraponto para as complexidades femininas.

A direção de 林功, com roteiro de 池田正一, é funcional, sem grandes pretensões estéticas. Não estamos diante de uma obra-prima cinematográfica, e isso precisa ser dito. Mas a simplicidade da direção é também a sua força. Ela permite que a narrativa se desenvolva de maneira natural, focando nos olhares, nos gestos e nas subtilezas das relações entre as personagens femininas. Há uma delicadeza em alguns momentos, um cuidado com a construção dos relacionamentos que ultrapassa a classificação de mero “filme softcore”.

A atuação é onde o filme realmente brilha. Seiko Mihara, em especial, consegue transmitir uma gama de emoções com sutileza, mesmo em meio a cenas de nudez que, hoje em dia, podem parecer datadas ou até mesmo fora de contexto. É a capacidade de Mihara e suas colegas em criar personagens críveis, apesar das limitações do roteiro, que eleva Uwakina Kuchibiru acima da média das produções de seu tempo. O roteiro, por sua vez, apesar de previsível em alguns momentos, consegue construir uma narrativa que, apesar de simples, prende a atenção pela química entre as atrizes.

Atributo Detalhe
Diretor 林功
Roteirista 池田正一
Elenco Principal Seiko Mihara, Chiaki Kitahara, Kazuyo Ezaki, Masayoshi Takigawa, Tadayoshi Ishizuka
Gênero Drama
Ano de Lançamento 1984
Produtoras Nikkatsu Corporation, Nippon Top Art

O maior ponto forte do filme é, sem dúvida, o olhar para as relações femininas. Apesar da estética softcore, o foco se mantém nas personagens, explorando as nuances de seus relacionamentos e suas complexidades emocionais. Porém, o filme não se isenta de suas fraquezas: alguns diálogos soam artificiais, a narrativa se torna repetitiva em alguns pontos, e a caracterização dos personagens masculinos é, como já mencionado, bastante superficial.

O filme reflete o seu tempo, não apenas na estética, mas também nos temas abordados. A exploração da sexualidade feminina, ainda que dentro de um contexto específico, não era algo tão comum na época, e isso torna Uwakina Kuchibiru um documento interessante da história do cinema japonês. É uma obra que, analisada sob a lente de 2025, permite refletir sobre as mudanças sociais e a evolução da representação feminina no cinema. A recepção crítica à época provavelmente se limitou a algumas análises de revistas especializadas, mas hoje, podemos reavaliar a produção sem os julgamentos moralistas do passado.

Em resumo, Uwakina Kuchibiru não é um filme para todos. Sua estética softcore e a simplicidade da sua produção podem afastar muitos espectadores. Entretanto, para aqueles que buscam uma experiência cinematográfica diferente, um mergulho na história do cinema japonês e uma análise sobre as representações femininas, este longa-metragem de 1984 pode ser uma descoberta surpreendente. Sua disponibilidade em plataformas digitais, se existir, seria um grande atrativo para os interessados em cinema asiático e na história do pink film japonês. Recomendo sua exibição com um olhar crítico, considerando o contexto histórico e as limitações técnicas da época. A beleza aqui reside na capacidade da atuação e na subversão sutil das expectativas do gênero.