Por que, você me pergunta, alguém dedicaria seu tempo para mergulhar nas profundezas lunares de um filme como Shark Side of the Moon? Bom, a resposta, para mim, reside no fascínio irresistível pelo inusitado, pelo audacioso e, sejamos honestos, pelo gloriosamente ridículo. Em um universo cinematográfico cada vez mais saturado de franquias e reboots calculados, encontrar uma pérola como essa, nascida das mentes (e, imagino, de orçamentos modestos) da The Asylum, é como descobrir um oásis de pura e descarada originalidade. E, no dia 27 de setembro de 2025, olhando para trás para o seu lançamento em 2022, a história dos tubarões soviéticos imortais na lua ainda ressoa com um charme peculiar que poucos filmes conseguem igualar.
A sinopse, por si só, já é um poema à criatividade descompromissada: décadas atrás, a União Soviética, em um de seus picos de genialidade bélica (ou loucura científica, dependendo do seu ponto de vista), desenvolveu tubarões indestrutíveis e os lançou à lua. Isso mesmo, você não leu errado. Tubarões. Na lua. Corta para o presente, e uma equipe de astronautas americanos se vê no meio da luta de suas vidas. É um conceito que desafia a lógica, a física e, francamente, qualquer senso comum, e é exatamente por isso que funciona. É o tipo de ideia que faz meus olhos arregalarem e um sorriso involuntário brotar no rosto. Quem não quer ver isso?
Quando a gente se senta para assistir a algo como Shark Side of the Moon, já temos uma ideia do que esperar. Não é para ser uma obra-prima de realismo ou um drama existencial que te fará questionar a condição humana. Não, meu caro leitor, é para ser uma montanha-russa de ação, ficção científica e terror que abraça sua própria identidade de cinema B com um entusiasmo contagiante. E, nesse quesito, o filme entrega. Entrega com um sorriso maroto no rosto, com os efeitos especiais que, por vezes, parecem ter saído de um videogame dos anos 90, e com um enredo que avança aos trancos e barrancos, mas sempre em direção a mais e mais absurdos.
E essa é a beleza, sabe? É como aquele amigo que conta a história mais inacreditável da sua vida e você sabe que ele está exagerando em cada detalhe, mas você ri e se diverte do começo ao fim. A direção de Tammy Klein e Glenn Campbell, em conjunto com o roteiro de Ryan Ebert e Anna Rasmussen, consegue extrair o máximo de uma premissa tão excêntrica. Eles não tentam disfarçar a natureza intrínseca do filme; eles a celebram. É um testemunho de que, às vezes, a paixão pela ideia e a coragem de executá-la, por mais maluca que seja, podem superar a necessidade de um orçamento estratosférico ou de um roteiro impecável.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretores | Tammy Klein, Glenn Campbell |
| Roteiristas | Ryan Ebert, Anna Rasmussen |
| Produtor | David Michael Latt |
| Elenco Principal | Maxi Witrak, Ego Mikitas, Michael Marcel, Tania Fox, Konstantin Podprugin |
| Gênero | Ação, Ficção científica, Thriller, Terror |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtora | The Asylum |
Vamos falar do elenco, que se joga de cabeça nessa loucura. Maxi Witrak, como a Comandante Nicole Tress, lidera a equipe com uma seriedade que, em contraste com a situação absurda, chega a ser heroica. Ela é a âncora que tenta manter o pé no chão enquanto o resto da narrativa flutua em gravidade zero. Ego Mikitas como Sergei e Michael Marcel como Michael Kelly trazem suas próprias camadas de heroísmo e desespero, enquanto Tania Fox, interpretando Akula, e Konstantin Podprugin como Henri completam a tripulação que, honestamente, merecia um brinde por sua capacidade de atuar com convicção diante de tubarões espaciais. É a dedicação deles que nos permite suspender a descrença e, por alguns momentos, realmente acreditar que tubarões podem ser uma ameaça em outro corpo celeste. E isso, para mim, é talento.
A The Asylum, com David Michael Latt na produção, já tem um histórico de nos presentear com essas joias cinematográficas que desafiam a lógica e a expectativa. Shark Side of the Moon se encaixa perfeitamente nesse legado. É o tipo de filme que se torna um “guilty pleasure” instantâneo, uma experiência compartilhada com amigos que rende risadas e exclamações de “Você não vai acreditar no que acabou de acontecer!”. Não é apenas um filme; é um evento cultural em miniatura, uma prova de que a inventividade não tem limites e que, às vezes, tudo o que precisamos é de uma boa história, por mais improváveis que sejam seus elementos.
No fundo, o que Shark Side of the Moon me lembra é que o cinema, em todas as suas formas, é um lugar para a imaginação. É um espaço onde as fronteiras do possível são constantemente testadas e, por vezes, explodidas em uma chuva de escamas e poeira lunar. Ele não busca ser um farol de inspiração para a humanidade no sentido tradicional, mas inspira de uma forma diferente: a de nos lembrarmos de que, às vezes, a arte mais genuína nasce da liberdade de ser bobo, de ser despretensioso, de ser, bem, um filme sobre tubarões imortais soviéticos na lua. E, para mim, isso já é uma experiência e tanto.




