Sitaare Zameen Par

Publicidade
Disponível agora — confira onde assistir Confira agora

Eu me pego pensando, sabe, sobre aquelas histórias que chegam e nos pegam de jeito, reviram umas gavetas internas que a gente nem sabia que estavam lá. E, confesso, é exatamente essa sensação que Sitaare Zameen Par me deixou pairando no ar desde o seu lançamento, lá em junho. Mais do que um filme, é um abraço apertado, uma provocação gentil, e um lembrete potente de que a capacidade de brilhar reside em cada um de nós, não importa as barreiras que a vida teime em colocar.

Imagine a energia pulsante de uma quadra de basquete, o som ritmado da bola quicando no chão de madeira, a tensão palpável em cada cesta arremessada. Agora, entrelace essa atmosfera eletrizante com a complexidade e a beleza de uma jornada que desafia percepções sobre o que significa ter uma deficiência intelectual. É nesse caldeirão de emoções que o filme do diretor R. S. Prasanna nos mergulha, navegando entre a comédia e o drama com uma destreza que merece aplausos.

Aamir Khan, que encarna Gulshan Arora, aqui não é apenas um ator; ele é um catalisador. Seu olhar, que a gente já conhece de outros trabalhos profundos e que por vezes carregou um universo de preocupações e esperanças, parece agora se desdobrar em um novo matiz. Ele não “atua” como pai ou mentor; ele “é” Gulshan, um homem que precisa aprender a ver além das aparências, a desconstruir seus próprios preconceitos para poder enxergar a estrela que tem em casa. Não é uma tarefa fácil, e Aamir nos permite sentir cada nuance dessa luta interna, cada pequeno passo rumo à aceitação.

Pra quem já se emocionou com outras produções indianas que tratam de deficiência e educação, especialmente aquelas que trazem o toque de Aamir Khan, Sitaare Zameen Par parece um elo, uma nova página nesse livro tão importante. Mas aqui, o jogo muda de cenário, e as lições se desenrolam nas quadras, mostrando que o esporte pode ser um palco transformador para a descoberta e o florescimento. É um drama familiar com uma alma esportiva, uma comédia que nos faz rir e, no segundo seguinte, nos pega com a guarda baixa.

Atributo Detalhe
Diretor R. S. Prasanna
Roteirista Divy Nidhi Sharma
Produtores किरण राव, Ravi Bhagchandka, Aamir Khan, Aparna Purohit, B. Shrinivas Rao
Elenco Principal Aamir Khan, Genelia D'Souza, Dolly Ahluwalia, Brijendra Kala, Happy Ranajit, Deepraj Rana, Gurpal Singh, Aroush Datta, Gopi Krishna Varma, Samvit Desai
Gênero Comédia, Drama
Ano de Lançamento 2025
Produtora Aamir Khan Productions

Ao lado dele, Genelia D’Souza, como Suneeta Arora, é a força silenciosa, o pilar de sensibilidade que equilibra a trama. A química entre os dois é palpável, e é através dos pequenos gestos, dos olhares trocados, que a gente entende a dinâmica complexa de uma família lidando com desafios únicos, mas universais. Suneeta é a voz da resiliência, do amor incondicional que busca o melhor caminho, mesmo quando todos os outros parecem fechados.

E o elenco de apoio? Ah, o elenco! Dolly Ahluwalia, Brijendra Kala, Happy Ranajit, Deepraj Rana, Gurpal Singh… cada um, com sua dose de humanidade e nuances, constrói uma comunidade que ora apoia, ora duvida, mas que, no fundo, reflete a sociedade que somos. E os jovens atores, como Aroush Datta, Gopi Krishna Varma e Samvit Desai, que provavelmente são o coração da equipe de basquete, trazem uma autenticidade que é de cortar o coração e encher de esperança. Eles não interpretam a deficiência intelectual; eles nos convidam a enxergar a singularidade, a alegria, a frustração e a capacidade que reside em cada indivíduo, desafiando a gente a tirar nossos próprios óculos de preconceito.

R. S. Prasanna tem um controle admirável sobre o tom do filme. A comédia não minimiza o drama, e o drama não sufoca a leveza necessária. Divy Nidhi Sharma, no roteiro, tece uma narrativa que evita os clichês fáceis. Não é uma história de superação milagrosa que transforma tudo em conto de fadas, mas sim uma de aceitação, de encontrar um caminho que respeite as individualidades, celebrando-as. As mãos não tremem à toa na tela; o olhar de um personagem não desvia sem motivo. Cada detalhe, por menor que seja, é pensado para nos mostrar a realidade daqueles personagens, suas angústias e suas pequenas vitórias.

A produção de Aamir Khan Productions, claro, é um selo que já carrega consigo uma promessa de qualidade e de narrativas que tocam a alma. E aqui, essa promessa é cumprida com maestria. A paixão pelo projeto transborda em cada cena, em cada detalhe de produção, elevando a experiência do espectador a um patamar de imersão e empatia.

E aqui no Brasil? A gente ainda espera. Sitaare Zameen Par foi lançado lá fora em junho, e até hoje, 30 de setembro de 2025, a gente não tem notícias de uma estreia por aqui. É uma pena, porque a mensagem do filme é universal, e seria tão bom ver essas “estrelas na terra” brilharem nas nossas telas também. Mas a esperança, como no filme, é a última que morre.

No final das contas, Sitaare Zameen Par não é apenas um filme sobre basquete, ou sobre deficiência intelectual. É um espelho. Um convite para olharmos pra nós mesmos, para os nossos preconceitos velados, para as nossas expectativas muitas vezes limitantes. É um lembrete pungente de que a verdadeira vitória não está em ser o melhor, mas em ser a melhor versão de si mesmo, e em permitir que os outros também encontrem e celebrem seu próprio brilho. É uma obra que fica com você, ruminando na mente, aquecendo o coração, e me faz pensar que, talvez, o brilho das estrelas seja ainda mais intenso quando elas estão bem aqui, pertinho, na terra.