Os Smurfs: Uma Aventura Além do Portal
Confesso que cheguei à sessão de Os Smurfs com uma certa apreensão. A franquia já teve seus altos e baixos, e a promessa de uma aventura no mundo real, com Smurfette liderando o grupo, soava, no mínimo, arriscada. Mas, devo admitir, sai do cinema surpreendido. Os Smurfs, lançado em 17 de julho de 2025 no Brasil, não é uma obra-prima, longe disso, mas conseguiu me cativar de uma forma que não esperava.
A premissa é simples: Papai Smurf é sequestrado pelos vilões Gargamel e Razamel, e cabe a Smurfette, dublada com carisma por Rihanna, reunir os Smurfs e embarcar em uma jornada pelo mundo real para resgatá-lo. A missão os leva a encontrar novos amigos, e a jornada, claro, serve como um teste para descobrir o que define o próprio destino dos pequenos seres azuis. Nada muito original, confesso, mas a execução é onde o filme encontra seu brilho, ou, pelo menos, sua singularidade.
A direção de Chris Miller, embora não inovadora, consegue manter um ritmo divertido e equilibrado. A animação, apesar de algumas críticas que li antes do lançamento sobre a inconsistência do estilo, funciona muito bem, misturando-se harmoniosamente com cenas live-action em alguns momentos cruciais. Já o roteiro de Pam Brady, apesar de alguns momentos previsíveis e corriqueiros, como alguns críticos apontaram (e eu concordo em parte), apresenta diálogos espertos, com algumas piadas que realmente funcionam, e uma dinâmica entre os personagens que, apesar de algumas fórmulas, consegue gerar empatia.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Chris Miller |
| Roteirista | Pam Brady |
| Produtores | Rihanna, Ryan Harris, Jay Brown, Tyran "Ty Ty" Smith |
| Elenco Principal | Rihanna, James Corden, Nick Offerman, JP Karliak, Dan Levy |
| Gênero | Animação, Família, Fantasia |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtoras | Paramount Animation, Marcy Media, Peyo Productions, Domain Entertainment, International Motion Picture Studios (IMPS), Lafig Belgium, Cinesite Animation |
A atuação de voz, no geral, é excelente. Rihanna como Smurfette se mostra mais do que à altura da tarefa, imprimindo à personagem uma força e independência necessárias para esta narrativa. James Corden, como o enigmático No Name, consegue arrancar boas risadas, e Nick Offerman, como Ken, adiciona um toque de humor peculiar à trama. Porém, a dupla Gargamel/Razamel, interpretada por JP Karliak, me pareceu um tanto confusa. Concordo com alguns críticos que a adição de Razamel prejudica o desenvolvimento do antagonista principal, deixando-o um pouco perdido.
O filme não se furta a explorar alguns temas interessantes. A busca pela identidade, a importância da amizade e a força da família são trabalhadas de maneira leve e acessível, sem ser didática ou piegas demais. Apesar de ser um filme claramente direcionado para o público infantil, ele também oferece algumas nuances que podem agradar aos adultos que o acompanharem.
No entanto, algumas falhas são inegáveis. O filme é um pouco corrido em alguns momentos, e o humor, apesar dos acertos, não é consistente o suficiente para sustentar o longa inteiro. Algumas piadas caem um pouco planas e o roteiro, apesar de funcional, não se arrisca a muita originalidade. É um filme familiar seguro, mas que poderia ser muito mais ousado.
Conclusão
Os Smurfs, apesar de suas imperfeições, é uma experiência cinematográfica agradável. Ele não redefine o gênero, nem cria momentos memoráveis que ficarão gravados na história do cinema de animação. Mas é uma opção divertida para um fim de tarde em família. Se você espera um filme surpreendente e profundo, talvez se decepcione. Mas se está procurando por uma animação leve, com boas atuações e alguns momentos genuinamente engraçados, Os Smurfs de 2025 vale a pena a visita. Recomendo, com ressalvas, principalmente para famílias com crianças menores. A experiência não será inesquecível, mas certamente não será um desperdício de tempo. Afinal, quem não gosta de Smurfs?




