Suprema

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Suprema: Um Terror Nacional que Encanta e Assusta em Partes Iguais

Passados quase oito meses da estreia de Suprema nos cinemas brasileiros (25/10/2024), ainda me pego pensando naquela experiência. Não foi uma sessão de cinema comum. Foi um mergulho visceral em um universo de bruxaria, vingança e traumas mal cicatrizados, conduzido por uma equipe nacional que ousou, e em grande parte, acertou. O filme acompanha Nina, uma mulher em busca de redenção após um trauma profundo, que encontra no mundo mágico uma forma de lidar com suas dores e, eventualmente, se confrontar com seu passado.

A sinopse nos vende uma premissa clássica, mas a execução é que me deixou verdadeiramente impressionado. Danilo Arantes Morales, Lula Magalhães e Vincent Van Vegas, na direção, mostram uma sensibilidade incomum ao lidar com o tema do estupro, sem cair nos clichês melodramáticos que frequentemente assolam produções similares. A fotografia, escura e sugestiva, cria uma atmosfera opressora que acompanha Nina em sua jornada, intensificando o suspense e a angústia. A escolha pelo macabre art como estética, embora arriscada, se encaixa perfeitamente no tom geral do filme, conferindo uma identidade visual única e memorável.

O roteiro de Danilo Arantes Morales, embora às vezes apresente alguns desvios narrativos menores, é eficiente em construir a atmosfera de mistério e suspense, mantendo o público em constante expectativa. A construção da personagem de Nina é especialmente bem feita, revelando suas fragilidades e sua força em doses equilibradas. A química entre Juliana Seabra e Larissa Harmônica, interpretando Nina e Angel, respectivamente, é palpável na tela, transmitindo a intensidade do laço que une as duas personagens. Seabra, em especial, entrega uma performance visceral, que transcende a atuação e se torna uma experiência real para o espectador. Layane Veruske, Romulo Scarinni e Bianca Kimie Une também contribuem com atuações sólidas, complementando o elenco principal.

Atributo Detalhe
Diretores Danilo Arantes Morales, Lula Magalhães, Vincent Van Vegas
Roteiristas Danilo Arantes Morales
Produtoras Suelen Souza, Andreía Reis
Elenco Principal Juliana Seabra, Larissa Harmônica, Layane Veruske, Romulo Scarinni, Bianca Kimie Une
Gênero Terror
Ano de Lançamento 2024
Produtora Psiquico Produções

Suprema não se esquiva de mostrar o lado sombrio da busca pela vingança, explorando as consequências devastadoras de tais escolhas. A exploração do universo da bruxaria é intrigante e imaginativa, sem se tornar gratuita ou sensacionalista. A trama, porém, peca em alguns momentos de ritmo, e algumas cenas poderiam ter sido mais concisas. Além disso, o desfecho, embora satisfatório, poderia ter explorado com maior profundidade as implicações do pacto feito por Nina.

Considerando o contexto de produção independente e a visibilidade limitada de produções nacionais de terror, Suprema representa um passo significativo para o gênero no Brasil. A recepção da crítica foi, em sua maioria, positiva, e a película foi elogiada por seu tom ousado e sua abordagem honesta e sem rodeios de temas complexos. Embora não seja um filme perfeito, Suprema é uma obra que merece ser vista, apreciada e debatida. Sua força reside em sua coragem e em sua capacidade de perturbar, inquietar e, ao mesmo tempo, encantar.

Para quem aprecia filmes de terror nacionais com uma pitada de arthouse, que não têm medo de temas densos e narrativas complexas, Suprema é uma recomendação mais que garantida. É um filme que ficará gravado na minha memória, não apenas por sua qualidade técnica, mas também pela sua capacidade de provocar reflexões e emoções profundas. Preparem-se para uma experiência cinematográfica intensa, que vai além do susto fácil, e mergulha nas trevas mais profundas da alma humana.

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