Tempo: Uma Questão de Sobrevivência

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Tempo: Uma Questão de Sobrevivência – Um Relógio Contra o Tempo e Contra o Coração

Há filmes que te agarram pela garganta, te jogam numa montanha-russa de emoções e te deixam exausto, mas satisfeito, ao final da projeção. Tempo: Uma Questão de Sobrevivência, lançado em 2003, não é um desses filmes. É algo… diferente. É um thriller de crime com um toque de romance que, apesar de suas falhas, me cativou por sua ousadia e pela maneira como brinca com a nossa percepção do tempo, tanto na narrativa quanto na construção de seus personagens.

A trama acompanha Sarah, uma americana sofisticada que vive uma vida de luxo em Paris através de um esquema de contrabando de antiguidades. Sua vida, aparentemente perfeita, é abalada quando um novo trabalho – aparentemente simples – a leva para Munique. Enquanto isso, seu namorado, Jack, encontra uma nova paixão, e o relógio começa a correr contra todos eles. É uma sinopse que promete suspense, e em certos momentos entrega, mas a execução, infelizmente, peca em alguns pontos.

A direção de Eric Styles é competente, mas sem grandes lampejos de genialidade. Ele conduz a narrativa de forma eficiente, conduzindo o espectador pelos cenários vibrantes de Paris e Munique, com destaque para a bela fotografia da Torre Eiffel e a atmosfera opressora de uma joalheria de luxo. Porém, falta um pouco de audácia visual, uma assinatura que o diferencie de outros filmes do gênero. O mesmo pode ser dito do roteiro, assinado por Jeremy Lipp, Jennifer Salt e L.M. Kit Carson. A trama é intrigante, mas, em alguns momentos, sofre de um ritmo irregular, com alguns momentos de arrastamento que quebram a tensão.

Atributo Detalhe
Diretor Eric Styles
Roteiristas Jeremy Lipp, Jennifer Salt, L.M. Kit Carson
Produtores Georges Campana, Lewis Chesler, David Perlmutter
Elenco Principal Melanie Griffith, Rachael Leigh Cook, Hugh Dancy, Malcolm McDowell, Art Malik
Gênero Romance, Crime, Thriller
Ano de Lançamento 2003
Produtora Grosvenor Park Productions

As atuações, no entanto, são o ponto alto do filme. Melanie Griffith, como Sarah, entrega uma performance magnética. Ela consegue transmitir a vulnerabilidade por trás da fachada de independência e frieza da personagem. Hugh Dancy, como Jack, e Rachael Leigh Cook, como Jenny, também convencem em seus papéis, dando profundidade a personagens que poderiam facilmente cair no estereótipo. Malcolm McDowell, como o enigmático Walter Shrenger, e Art Malik, como o misterioso George Maldonado, completam o elenco com atuações sólidas. É um elenco que carrega nas costas alguns dos defeitos do filme.

A força de Tempo: Uma Questão de Sobrevivência está na exploração sutil de temas como ambição, traição e o preço da liberdade. O filme nos faz questionar até que ponto valeria a pena arriscar tudo por um padrão de vida confortável e se o tempo, tão escasso, é realmente algo que pode ser controlado. A utilização dos cenários europeus, tão carregados de história e cultura, funciona bem como metáfora para esse peso do passado e para o inevitável fluxo temporal.

Porém, o filme também apresenta pontos fracos. O roteiro, como mencionado, poderia ser mais ágil e menos previsível. Alguns personagens secundários, pouco explorados, se perdem no meio da trama. E, sinceramente, a resolução final me pareceu um tanto apressada e anti-climática, como se tivessem acabado o filme sem ter certeza se iriam conseguir mais orçamento.

Em 2025, olhando para trás para este lançamento de 2003, percebo que Tempo: Uma Questão de Sobrevivência não se tornou um clássico. Não causou grande impacto nas bilheterias e não foi exatamente aclamado pela crítica especializada. No entanto, talvez, para mim, essa seja sua maior virtude. Ele nos oferece uma experiência cinematográfica simples, sem pretensões de grandeza, mas com um núcleo emocional genuíno.

Recomendo este filme aos amantes de thrillers que não se importam com algumas falhas narrativas e buscam um filme com uma atmosfera envolvente e atuações sólidas, que podem te pegar de surpresa. Se você está procurando por algo leve e divertido, talvez seja melhor procurar outras opções. Mas, se você, assim como eu, aprecia os filmes que te fazem pensar, mesmo depois dos créditos, Tempo: Uma Questão de Sobrevivência pode ser uma grata descoberta, principalmente em plataformas de streaming. Vale a pena conferir, especialmente se você curte o trabalho de Melanie Griffith, que brilha em sua interpretação.