Ah, lá vamos nós de novo, né? Você, eu, e mais uma daquelas viagens no tempo que a gente adora fazer aqui na coluna. Porque, fala a verdade, o que seria da nossa paixão pelo cinema se não fosse essa busca incessante pelo que veio antes, pelo que moldou o que vemos hoje? E o que me puxa para a toca do coelho desta vez é um nome que, para muitos, pode soar como um sussurro distante, quase esquecido: The Black Spider, um curta-metragem de animação de 1931.
Você deve estar se perguntando: “Mas por que diabos, em 2025, eu deveria me importar com um desenho animado de quase um século atrás, com tão pouca informação à disposição?” E a pergunta é justa, eu entendo perfeitamente. Mas é justamente aí que mora a mágica, a curiosidade que me move. É essa a minha “impressão digital” como crítico: vasculhar os arquivos, não só para encontrar ouro, mas para entender as veias e artérias que formaram o corpo cinematográfico que tanto amamos. The Black Spider, para mim, não é só um filme; é um pedacinho da história, uma cápsula do tempo da animação.
Pense comigo no cenário de 1931. O cinema ainda tateava o som, a animação começava a engatinhar para além das tiras cômicas, buscando sua própria linguagem no celuloide. E é nesse caldeirão de invenções e experimentações que surge uma obra da Terrytoons, sob a batuta de Frank Moser na direção e com Paul Terry assinando o roteiro – e, vejam só, também no elenco principal. Paul Terry, o homem por trás da produtora, o visionário (ou, dependendo de quem você pergunta, o pragmático) que ajudou a definir boa parte da estética dos desenhos animados daquele período, com sua abordagem muitas vezes mais focada na quantidade do que na qualidade individual, mas sempre com um charme cru, visceral.
Imagina a cena: não havia software de animação, nem tablets gráficos, nem motores de renderização 3D. Cada movimento, cada piscar de olhos de um personagem, era desenhado à mão, quadro a quadro. Uma paciência hercúlea, um trabalho de formiguinha que, visto de hoje, parece quase um milagre. Quando penso em Moser e Terry trabalhando nisso, sinto um arrepio na espinha. Não era sobre efeitos especiais mirabolantes, mas sobre a pura alquimia de dar vida a rabiscos no papel. O som chiado da película, os grãos visíveis, a dança um tanto rudimentar, mas cheia de personalidade, dos personagens – tudo isso deve ter transportado o público de 1931 para um universo onde aranhas pretas podiam ser protagonistas de qualquer coisa.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Frank Moser |
| Roteirista | Paul Terry |
| Elenco Principal | Paul Terry |
| Gênero | Animação |
| Ano de Lançamento | 1931 |
| Produtora | Terrytoons |
E o título, The Black Spider? Me intriga profundamente. Terrytoons era conhecida por seu humor agridoce, seus personagens muitas vezes rurais ou animais antropomorfizados em situações cômicas. Um título desses sugere algo um pouco mais sombrio, talvez uma aventura com toques de suspense, ou até uma comédia de humor negro. Será que era uma aranha vilã? Uma aranha heroína, lutando contra o que parecia impossível? Ou seria uma metáfora para algo maior, um reflexo das inseguranças da Grande Depressão que assombrava o mundo na época? A ausência de uma sinopse detalhada nos convida a preencher as lacunas com a nossa própria imaginação, e isso, convenhamos, é um dos maiores prazeres de revisitar obras tão antigas. É um exercício de arqueologia mental, sabe?
Quando pensamos na contribuição de Paul Terry, não só como roteirista, mas também como parte do “elenco principal” – o que, em animações da época, muitas vezes significava ser o dublador de um ou mais personagens centrais – percebemos o quão multi-talentoso ele era, e o quão “de autor” podiam ser essas pequenas joias. Ele não só criava o universo, mas também dava voz a ele. Isso não é só trabalho, é uma entrega total, um tipo de paixão que transcende a simples produção de um filme. Ele estava lá, dando forma e fôlego à sua criação.
A verdade é que obras como The Black Spider servem como lembretes humildes de onde viemos. Elas podem não ter o brilho técnico das animações modernas, mas possuem uma autenticidade, uma honestidade em sua forma de contar histórias que é rara de encontrar. Elas são a base, o alicerce sobre o qual gerações de animadores construíram seus sonhos. E é por isso que, mesmo quase um século depois, eu e você deveríamos prestar atenção a elas. Não é só sobre um filme, é sobre a história da arte, a resiliência da criatividade humana. E isso, meu amigo, sempre valerá a pena ser explorado.




