Sabe, de vez em quando, a gente se depara com um programa que, sem fazer muito alarde, se instala na nossa rotina e vira quase um membro da família. É o tipo de coisa que você passa de canal, vê ali na tela e pensa: “Ah, tá, mais um reality”. Mas, peraí, The Block não é “mais um reality”. Estamos em setembro de 2025, e essa série australiana está firme e forte desde 2003, um verdadeiro dinossauro da televisão que, de alguma forma, continua nos mantendo grudados na tela. E é por isso que, hoje, eu sinto uma necessidade quase visceral de falar sobre ele. Porque não é só sobre casas bonitas ou reformas, é sobre a gente, né?
Minha primeira lembrança de The Block é lá atrás, talvez naqueles dias em que a televisão ainda era a rainha da sala e a gente não tinha quinhentos streamings pra escolher. Eu, que sempre tive um fraco por transformações – seja de um velho móvel ou de uma vida inteira –, vi ali a promessa de algo palpável. Não era ficção, não era culinária extravagante, era gente como a gente, ou pelo menos gente que parecia gente como a gente, pegando uma casa caindo aos pedaços e, semana após semana, transformando-a em algo digno de capa de revista. O fascínio é inegável: a promessa da valorização, o suor, a lágrima e, claro, aquele drama humano que a gente adora.
No cerne de tudo isso, temos Scott Cam. Ah, Scott Cam! Ele é mais que um apresentador; é o tiozão que te dá uma bronca, te elogia, te ensina um macete na marcenaria e ainda te serve uma cerveja gelada no final do dia. Sua presença é tão fundamental que você mal consegue imaginar The Block sem ele. Ele não é o tipo de host engomadinho; ele é o cara que sabe de obra, que entende o desespero de um prazo apertado e o orgulho de um trabalho bem-feito. Ele personifica a alma do programa: um equilíbrio perfeito entre o mentor experiente e o fiscal implacável. Sem ele, a estrutura que as produtoras Watercress Productions e Cavalier Productions construíram com tanta solidez desde o primeiro episódio em 2003, talvez não tivesse resistido tanto tempo ao vai e vem das tendências televisivas.
O que me pega em The Block é como ele consegue, ano após ano, reinventar a mesma premissa sem perder a essência. Não é só sobre construir um quarto ou uma cozinha. É sobre a dinâmica entre os casais, as amizades que nascem sob pressão, as rivalidades que esquentam e esfriam mais rápido que tinta secando no sol australiano. Você vê o pânico nos olhos de um participante quando o orçamento estoura, a frustração de uma decisão de design que não agrada aos jurados, a alegria quase infantil de ganhar um desafio e, consequentemente, um pequeno alívio financeiro. É um microcosmo da vida real, amplificado pela câmera e pelo ticking clock.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Elenco Principal | Scott Cam |
| Gênero | Reality |
| Ano de Lançamento | 2003 |
| Produtoras | Watercress Productions, Cavalier Productions |
Eles não só mostram o produto final; eles te levam pela jornada. Lembro-me de uma vez, um casal estava com as mãos tremendo, quase chorando, tentando colocar os últimos quadros na parede a segundos do fim do tempo. Aquilo não era atuação. Era puro estresse, a exaustão física e mental de dias sem dormir, o medo de falhar, a esperança de vencer. Você sente a poeira, o cheiro de madeira cortada, o grito abafado de frustração que ecoa pelos corredores. O programa te convida para dentro da casa, e não apenas como um espectador, mas quase como um vizinho curioso, espiando por cima do muro.
The Block nunca prometeu ser uma obra de arte cinematográfica, nem um documentário profundo sobre a alma humana. Ele é um reality. E a beleza está justamente aí, na sua honestidade bruta, na sua capacidade de nos conectar com o desejo universal de criar um lar, de transformar um espaço. Em um mundo que parece mudar a cada clique, ter um programa que se mantém relevante por mais de duas décadas, evoluindo sutilmente, mas sempre voltando à fórmula original de suor, design e drama humano, é um feito e tanto. Ele nos lembra que, no fim das contas, a construção de um espaço é sempre a construção de uma história. E eu, por mim, continuo comprando ingresso para essa narrativa.




