The Morning Show: Um Reflexo Craquelado do Mundo Moderno
Confesso, comecei a assistir The Morning Show em 2019 com certa relutância. Drama sobre o mundo da televisão matinal? Parecia uma receita para tédio garantido. Mas seis anos depois, me encontro aqui, refletindo sobre essa série que, apesar de seus defeitos, me marcou profundamente. A premissa é simples: o universo caótico e implacável de um programa matinal de grande audiência, visto através das lentes de seus principais apresentadores e equipe. Com Jennifer Aniston como a experiente Alex Levy e Reese Witherspoon como a ambiciosa Bradley Jackson, a série mergulha em temas de gênero, poder, assédio sexual e a fragilidade da imagem pública na era da internet.
Neste artigo:
Um Show de Atuações (e de Roteiro Nervoso)
A força de The Morning Show reside, sem dúvida, em suas atuações. Aniston e Witherspoon entregam performances magnéticas, contrastando perfeitamente as personalidades e trajetórias de suas personagens. Aniston, em sua atuação mais complexa e desafiadora em anos, carrega a vulnerabilidade de Alex com maestria. Witherspoon, por sua vez, é a energia bruta e incontrolável que contrasta com a sofisticação (e o desespero) de Alex. Billy Crudup, como o estrategista Cory Ellison, é o vilão encantador e manipulador que te deixa fascinado e enojado em partes iguais. O elenco de apoio, incluindo o excelente Mark Duplass, também se destaca, contribuindo para a riqueza da trama.
O roteiro, no entanto, é uma outra história. Em alguns momentos, a série brilha com diálogos afiados e momentos de genuína tensão dramática. Em outros, ela tropeça em armadilhas narrativas previsíveis e em diálogos que soam artificiais, tentando forçar o drama onde ele não se encaixa organicamente. A série tenta abraçar tantas questões relevantes simultaneamente que, às vezes, acaba diluindo a potência de cada uma.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Criador | Jay Carson |
| Elenco Principal | Jennifer Aniston, Reese Witherspoon, Billy Crudup, Mark Duplass, Greta Lee |
| Gênero | Drama |
| Ano de Lançamento | 2019 |
| Produtoras | Echo Films, Hello Sunshine, Media Res, Bad Attitude Entertainment, Kerry Ehrin Productions, Red Shoes Pictures |
Pontos Fortes e Fracos: Um Balanço Delicado
Entre os pontos fortes, destaco a coragem de The Morning Show em abordar temas espinhosos e relevantes, sem cair no politicamente correto. A série não busca respostas fáceis, mas explora as complexidades e nuances das situações apresentadas. A evolução das personagens ao longo das temporadas também é algo a ser admirado; ninguém é perfeitamente bom ou mau, e as escolhas, nem sempre justificáveis, os tornam humanos e relacionáveis.
Por outro lado, a série peca em alguns aspectos estruturais. O ritmo narrativo às vezes se torna irregular, com algumas temporadas apresentando arcos mais coesos e outros com enredos dispersos e pouco impactantes. A busca pela atualidade, por acompanhar temas pertinentes do momento, também pode gerar uma sensação de fragmentação, sem a coesão de uma narrativa mais clássica.
Temas e Mensagens: Um Espelho da Sociedade
The Morning Show reflete o mundo contemporâneo com uma brutal sinceridade, abordando o poder da mídia, a cultura do cancelamento, a desigualdade de gênero, o assédio sexual e a construção da identidade numa sociedade hiperconectada. É uma série que te incomoda, te faz pensar, te provoca a questionar seus próprios valores e preconceitos.
Conclusão: Uma Experiência Ambivalente (Mas Recomendada)
The Morning Show, assistida em retrospectiva, seis anos após seu lançamento em 2019, não é uma série perfeita. Ela é, sim, uma obra ambivalente, com seus altos e baixos, seus brilhos e suas falhas. Mas é também uma série memorável, que me proporcionou reflexões profundas sobre a natureza humana e o funcionamento perverso (e fascinante) do poder. Recomendo a série, especialmente para aqueles que apreciam dramas complexos, com personagens multifacetadas e narrativas que desafiam o espectador a ir além da superfície. A série te deixará com algo para pensar, mesmo que nem sempre concordando com todas as suas escolhas narrativas. Para mim, o saldo final foi positivo: uma experiência que vale a pena, apesar de suas imperfeições.




