O Homem do Norte

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O sangue viking corre forte em O Homem do Norte: uma ode brutal e visceral à vingança

Três anos se passaram desde que assisti a O Homem do Norte em maio de 2022, e a imagem do filme, tão brutal e visceral quanto sua trama, ainda permanece gravada em minha retina. Robert Eggers, o mestre do terror gótico (“A Bruxa”, “O Farol”), nos presenteou com algo diferente, mas igualmente impactante: um épico de vingança viking, tão intenso quanto claustrofóbico. A história acompanha Amleth, um príncipe que presencia o assassinato de seu pai e o sequestro de sua mãe pelas mãos de seu tio ambicioso. Vinte anos depois, forjado pela dor e pela perda, ele retorna para cumprir uma promessa sangrenta.

Uma Ode à Brutalidade e à Beleza

Eggers, mais uma vez, demonstra sua maestria na direção. A fotografia é de tirar o fôlego, capturando a beleza selvagem e implacável da Islândia, cenário que serve como personagem coadjuvante, tão importante quanto os atores. A violência é explícita, crua e sem rodeios, não apenas um espetáculo gratuito, mas uma ferramenta para retratar a brutalidade da época e a ferocidade dos personagens. A coreografia das lutas é impecável, transmitindo a força e a fúria dos guerreiros. Há uma poesia na violência, algo que poucos diretores conseguem alcançar com tamanha precisão.

O roteiro, escrito em parceria com Sjón, é um trabalho brilhante de adaptação e reinterpretação do mito de Amleto. Apesar de ser uma trama familiar, a abordagem de Eggers consegue ser fresca e surpreendente. A mitologia nórdica é invocada com respeito e precisão, dando profundidade e camadas adicionais à narrativa. Não se trata apenas de vingança, mas também de destino, de honra e da complexidade da natureza humana.

Atributo Detalhe
Diretor Robert Eggers
Roteiristas Sjón, Robert Eggers
Produtores Robert Eggers, Leifur B. Dagfinnsson, Alexander Skarsgård, Lars Knudsen, Mark Huffam, Arnon Milchan
Elenco Principal Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Ethan Hawke, Anya Taylor-Joy
Gênero Ação, Aventura, Fantasia
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Regency Enterprises, New Regency Pictures, Square Peg, Focus Features

Atores no ápice de suas performances

O elenco é impecável. Alexander Skarsgård carrega o peso de Amleth em seus ombros com força e delicadeza, transmitindo a dor, a raiva e a ferocidade do personagem com uma sutileza que surpreende. Nicole Kidman, como sempre, brilha em seu papel, dando a Gudrún uma complexidade que transcende o estereótipo da rainha desamparada. Claes Bang é um vilão memorável, seu Fjölnir emanando uma aura de poder e malícia que te deixa sem fôlego. Ethan Hawke, apesar de seu tempo de tela limitado, deixa sua marca como o pai de Amleth, um rei digno de respeito e admiração. Anya Taylor-Joy, como Olga, oferece uma atuação memorável.

Pontos Fortes e Fracos, Uma Visão Pessoal

O maior ponto forte de O Homem do Norte é sua imersão total no mundo viking. É um filme que te transporta para aquela época, te faz sentir o frio, o cheiro da terra e o peso das espadas. A ambientação impecável, aliada à fotografia e à trilha sonora, cria uma experiência cinematográfica verdadeiramente única. No entanto, algumas pessoas podem se sentir incomodadas com a violência explícita, e o ritmo lento pode não agradar a todos. Em minha visão, este ritmo lento contribui para a construção da tensão e para a imersão na atmosfera do filme.

Temas e Mensagens para a posteridade

O filme explora temas atemporais como vingança, destino, família e a natureza humana. Ele nos pergunta: até onde vamos para cumprir nossos juramentos? Qual o preço da vingança? A resposta, como no próprio ciclo da mitologia nórdica, se encontra em um turbilhão de sangue, perda e redenção. A obra não oferece respostas fáceis, e talvez esta seja sua maior virtude. Ele nos confronta com a brutalidade do passado, mas também nos faz refletir sobre a nossa própria humanidade.

Conclusão: Uma recomendação contundente

O Homem do Norte não é um filme para todos, mas para quem aprecia um cinema visceral, brutalmente honesto e visualmente deslumbrante, a experiência é inesquecível. Recomendaria fortemente que você procure este longa-metragem em plataformas digitais, para apreciar a sua potência em tela grande ou em uma experiência de visualização à altura da sua beleza. Três anos depois, ainda penso nele, e imagino que daqui a mais três, a memória permanecerá vívida e indelével, um testemunho da maestria de Robert Eggers.

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