O Ritual do Livro Vermelho: Uma Invocação Ineficaz?
Dois anos após seu lançamento, O Ritual do Livro Vermelho finalmente chegou às plataformas digitais brasileiras, e, como um crítico que se alimenta de filmes de terror obscuros, senti a necessidade urgente de desenterrar esta produção para uma análise. A premissa é clássica, quase didática: três amigos resolvem brincar com um jogo – o enigmático “Jogo do Livro Vermelho” – que promete contato com o sobrenatural. A reviravolta reside no terreno escolhido: o local onde uma bruxa encontrou um fim terrível durante um ritual satânico. O que começa como uma brincadeira inocente se transforma em uma dança mortal com a entidade amarrada ao livro, cada pergunta aproximando-os de sua libertação.
A direção coletiva, com nomes como Guillermo Lockhart, Nicolás Onetti e outros, resulta em um trabalho curioso. Em alguns momentos, a estética é efetivamente sombria e tensa, criando uma atmosfera densa que prende o espectador. Há momentos de verdadeiro suspense, especialmente nas sequências que exploram a fragilidade psicológica dos personagens. Em contrapartida, a inconsistência se faz presente. Há uma falta de coesão visual, com mudanças bruscas de ritmo e estilo que, em vez de adicionar profundidade, geram uma sensação de desconexão. A fotografia oscila entre momentos de escuridão bem-sucedida e outros em que a iluminação parece quase amadorística, prejudicando a imersão.
O roteiro, assinado por uma equipe igualmente numerosa, apresenta personagens pouco desenvolvidos. Valeria San Martin, Agustin Olcese e Marlene Pedersen Chauviere demonstram esforço, mas são vítimas de um texto que se limita a definir estereótipos, sem explorar suas motivações ou complexidades. Bruno Giacobbe, como a bruxa, fica preso numa representação caricata, perdendo a oportunidade de construir uma vilã memorável. O medo, consequentemente, se limita ao jump scare, recurso barato e previsível que, usado em demasia, esvazia o potencial de terror psicológico.
O filme se esforça para explorar temas relacionados à obsessão e às consequências de ações impensadas, mas a execução falha em torná-los profundos ou relevantes. A mensagem, se existe alguma além do óbvio “não mexa com coisas que você não entende”, fica perdida em meio a uma trama previsível e desprovida de nuances.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretores | Guillermo Lockhart, Nicolás Onetti, Christopher West, Victor Català, Daniel Rübesam, Nicholas Peterson, Oliver Garland, Brian Deane, Dean Law, Chris Beyrooty, Ariel Luque, Daniel J. Phillips, Moon Ji-won |
| Roteiristas | Guillermo Lockhart, Mauro Croche, Ariel Luque, Daniel J. Phillips |
| Produtores | Martín Gerding, Michael Kraetzer, Nicolás Onetti |
| Elenco Principal | Valeria San Martin, Agustin Olcese, Marlene Pedersen Chauviere, Bruno Giacobbe, Agustin Bogliano |
| Gênero | Terror |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtora | Black Mandala |
O ponto mais forte de O Ritual do Livro Vermelho reside em sua atmosfera inicial e em alguns momentos de genuína tensão. A estética, quando consistente, consegue transmitir a sensação de claustrofobia e pavor inerente à premissa. Por outro lado, a falta de coesão na direção, a fragilidade do roteiro e a falta de profundidade nas atuações são seus grandes defeitos.
No fim das contas, O Ritual do Livro Vermelho é um filme mediano, um exemplar genérico do terror contemporâneo que, apesar de alguns lampejos de competência, não consegue se sustentar. Recomendo apenas para amantes do gênero que apreciam produções independentes e estão dispostos a aceitar algumas falhas em troca de alguns sustos. Mas não esperem uma obra-prima.




